Yusef Hassan Montero
Os usuários, na web, não lêem ou, pelo menos, não fazem da mesma forma seqüencial que quando têm entre as mãos uma revista, um livro, um artigo ou uma revista em quadrinhos. Os usuários têm necessidades e objetivos, metas que alcançar, e sabem que a forma de conseguir determinadas metas não costuma ser dedicando muito tempo a cada “nodo web” que visitam, lendo do princípio ao fim seus conteúdos e links. O usuário, em uma página, clicará sobre o primeiro link que possa leva-lo ao que busca, necessita, ou poderia interessar. Isso quer dizer que muitos dos conteúdos e links desse “nodo” nem sequer serão vistos pelo usuário.
Perdão, como olham os usuários?
O usuário diante de uma página olha pulando a informação contida. Não podemos predizer com exatidão qual será o caminho que o usuário seguirá durante sua exploração visual da página, mas sim em quais partes ele presta maior atenção em sua busca:
Há zonas na interface da página que conferem uma maior hierarquia à informação que contém, como a zona 1. A hierarquia visual proporciona relações hierárquicas do tipo ‘este é parte deste’ e ‘este é continuação deste’ entre os objetos informativos da página, enquanto que a hierarquia da informação ou conteúdos estabelece relações do tipo ‘este é mais importante que este’ para enfatizar a importância de uns objetos da página sobre outros, ou seja, para definir a hierarquia da informação, pode-se utilizar diversas técnicas:
• Colocar informação mais importante em zonas da interface mais relevantes (ver figura anterior)
• Enfatizar mediante efeitos tipográficos
• Aumentar o tamanho dos textos de maior importância
• Utilizar o contraste de cor para distribuir e discriminar objetos informativos
• Agrupar objetos informativos relacionados entre si
Ao contrário do que pode parecer, os objetos informativos luminosos (que fiquem piscando) variáveis ou deslizantes não seriam percebidos pelo usuário como importantes. Podem ser percebidos como publicidade já que é um mecanismo muito explícito para atrair a atenção do usuário
Ainda mais, ao desenhar informação da nossa página (hierarquia visual e a hierarquia da informação), se nós definirmos muitos objetos informativos como ‘muito importantes’ se produziria no usuário uma sobrecarga de informação de informação, com o que havíamos falhado em nosso objetivo.
Informação importante, mas, para quem?
Estamos falando da hierarquia da informação como técnica para discriminar entre informação importante e menos importante, mas devemos estar seguros de que nos referimos com informação importante.
Consideraremos importante um objeto de informação (parágrafo, links, dados,) se é para satisfazer as necessidades dos usuários. Não porque a empresa, instituição ou entidade considera uma informação como importante devemos enfatizá-la como tal. O design da informação do sítio web se realiza para satisfazer a necessidade do usuário, na linguagem do mesmo e mediante um esquema compreensível pelo usuário. Desenhar e organizar informação em linguagem corporativa, mediante o esquema da empresa e utilizando valores de importância da empresa seria um erro.
O problema é que o usuário na web não é único nem uniforme. Cada usuário que visite o sítio web terá necessidades, expectativas e comportamentos diferentes, porque o design da informação deve ser realizado para satisfazer o maior número de usuário possível.
Se dispõe dos conhecimentos e tecnologia suficientes, poderia realizar um design dinâmico que, mediante perfis, se adaptaria às diferentes necessidades de grupos de usuários ou particularmente a cada usuário potencial. A hierarquia da informação de cada página seria diferente para um usuário que visite o sítio web uma média de três vezes por semana e que houvesse comprado um par de produtos, para o usuário que faz a primeira visita no sítio.
Conclusão
Os usuários usam as páginas, não as lêem. Ainda no caso do usuário, que depois de ter realizado uma navegação compulsiva e reflexiva, se encontra com o texto ou artigo, cujo conteúdo e, geral é de seu interesse, não começará a lê-lo. Antes olhará, lerá os títulos e epígrafes, observarás as figuras, gráficos e imagens, talvez leia algum parágrafo em que se encontre alguma terminação de seu interesse destacado, e só depois disso começará a ler. Uma vez que comece a ler o texto (não necessariamente ler do princípio), pode ser que, inclusive, o abandone clicando sobre algum link que tivesse explorado.
A causa deste comportamento é simples: os usuários odeiam ler em telas, e tentarão por todos os meios extrair dos textos toda a informação que necessitem ou interessem com o menor esforço possível.
Texto original disponível em nosolousabilidad
Tradução de Rodrigo Galvão

Publicado em 13|10|2005 por ExtraLibris