Como entrar ou passar no mestrado

Publicado em 08|05|2007 por ExtraLibris

10


Texto publicado no ExtraLibris Concursos, à época

update: Na verdade o título original era e deve ser “Como passei no mestrado”, mas alterei para torná-lo mais intuitivo.

Segue um breve relato do processo seletivo do mestrado do IBICT/UFF, por qual passei, e passei. Não entrarei nos méritos da pós-gradução em CI, pós-graduação em Biblioteconomia, epistemologia, contexto de C&T no Brasil e outros. Apenas quero compartilhar com potenciais mestrandos informações que poderão ser úteis para os próximos processos seletivos. Sintam-se confortáveis para fazer comentários e perguntas.

O processo consistiu de quatro etapas: anteprojeto, prova escrita, prova de inglês e entrevista. Todas eliminatórias, além da análise do currículo que ocorre na fase da entrevista.

A minha preocupação com o anteprojeto é que ele estivesse em máximo acordo com as exigências do edital, sendo essencial apontar com clareza a problemática e os objetivos, nesta ordem de importância. Seguindo algumas sugestões, inseri na introdução do anteprojeto uma prévia dos objetivos, problemática e relevância, que o fez parecer redundante – já que o edital previa pontos específicos dentro do anteprojeto para tal – mas importante porque já de início especificava as minhas expectativas de estudo, e preciso para quem lê.

Comparando aos processos de anos anteriores, este por qual passei aparentemente possuiu critérios distintos quanto à seleção dos alunos. Podemos tomar como exemplo o anterior, de 2005/06, com aproximadamente 60 inscritos. Destes, somente 21 passaram pela fase dos anteprojetos. E 17 foram definitivamente aprovados após as provas. Ou seja, a ênfase foi muito maior sobre o projeto do que sobre os conhecimentos em Ciência da Informação. Esse ano, os cortes nas diferentes etapas foram menos abruptos. De mais ou menos 65 inscritos, 53 foram aprovados nos projetos e 27 para as entrevistas. Partindo daí, podemos crer que a entrevista seria uma etapa determinante. Isso pode ter justificativa com base em alguma determinação da ANCIB sobre o processo dos cursos de pós em CI no Brasil, mas não tenho informações que possam confirmar a especulação. Considero também a velocidade do processo, 1 mês desde a inscrição até o resultado final, compreendendo as 4 etapas.

A prova escrita sem consulta era composta de 5 pequenas questões, tendo um texto auxiliar do Sarasevic, que não lembro sobre o que tratava especificamente, acredito que acesso à informação. A bibliografia que utilizei foi a mesma indicada no edital, além de alguns recortes sobre epistemologia que eu já havia coletado anteriormente. Dentre os meus textos preferidos e que ajudaram muito na preparação:

“Novas fronteiras tecnológicas das ações de informação: questões e abordagens”, da Maria Nélida; “Ciência da Informação: temática, história e fundamentos”, do Gustavo Freire; “Capacidade governativa, informação, e governo eletrônico”, do José Maria Jardim; “A determinação do campo científico da Ciência da Informação: uma abordagem terminlógica”, da Johanna Smit, et al.; “The concept of information”, do Rafael Capurro e Hjorland; “Revisitando as coisas em que acredito”, email do Aldo Barreto; e “A CI destrinchada por seus doutores”, troca de emails entre Alex Lennine, Fabiano Caruso, Gustavo Henn e eu.

Das 5 questões você deveria escolher 2, não havendo recomendações sobre o tamanho das respostas. Eu tentei me concentrar em 1 lauda para cada.

Escolhi a primeira pergunta que era algo como, “visto que nos primórdios da área havia essa preocupação, você ainda acredita que o acesso à informação seja o principal problema da CI?”. Daí eu respondi que não era mais o “principal” problema, e uma vez que o acesso está garantido, a preocupação passa a ser com a distribuição, uso, etc. Complementei com um trecho que o Murilo Silveira (aluno do PPGCI da PUC Camp) tinha me explicado, que o estado anômalo da informação é terminado quando se garante o acesso.

A outra pergunta que escolhi era “como você enxerga as políticas governamentais de informação no Brasil?”, e eu respondi que o processo de informação/conhecimento depende de uma superestrutura, e que estas não são contempladas amplamente pelas políticas públicas governamentais (seja educação, escolaridade, acesso, etc.), e que as iniciativas têm se concentrado em pontos específicos e menores, não interligadas. Daí eu falei sobre a determinação do MCT sobre as obrigatoriedades do Ibict enquanto instituição promotora de C&T no Brasil, que apareceu em um email recente na lista do professor Aldo Barreto.

As outras 3 perguntas eu não vou lembrar precisamente, mas uma era para relacionar a sua área de origem com a CI, e uma outra que eu tinha achado muito pesada, alguma coisa sobre epistemologia, que também não vou recordar.

A prova de inglês era pra fazer uma tradução integral de um texto de uma página do Hjorland se não me engano Wersig [Roberto lembrou que o texto era o Information Science: the study of postmodern knowledge usage]. Era alguma coisa sobre interdisciplinaridade.

Achei que a entrevista ia ser pautada nas clássicas perguntas dos PPGCIs, “por que CI”, “por que esta instituição”, “qual a contribuição do seu estudo para a área”… mas comigo não. As perguntas da banca foram essencialmente em cima do projeto de pesquisa.

E então as notas saíram, e eu passei em primeiro lugar, empatado em pontos com outros dois colegas. O primeiro critério de desempate era o projeto e eu terminei o processo oficialmente em terceiro lugar. Lembrem-se que a colocação final é determinante para concessão das bolsas.