EIRAS, Luís Carlos Silva. A máquina de Touring como fundamento teórico da Ciência da Informação. Morpheus, v. 2, n .4, 2004.
Quem passa pela Ciência da Informação vê um desolamento teórico. A interdisciplinaridade, que poderia dar a Ciência da Informação um extraordinário vigor de atuação, atira-a num diversionismo teórico, numa confusão de focos, na perda ou duplicação de esforços e na desagregação de interesses, onde a única unanimidade é a falta de uma base teórica consistente. Ainda, mais do que qualquer outra ciência, ninguém sequer sabe onde começa e termina a disciplina.
Japiassu, depois de louvar a interdisciplinaridade, diz que ela se divide em multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade linear ou cruzada, interdisciplinaridade estrutural e transdisciplinaridade, o que talvez fosse cruel exigir como se dá essas divisões na prática, mas que não deixa de ter um certo humor kafkiano.
Em pesquisa feita com outros autores foram encontradas 30 (!) disciplinas que se relacionam com a Ciência da Informação: Administração, Arquivologia, Artes gráficas, Automação, Biblioteconomia, Ciência cognitiva, Ciência da computação, Computação, Comunicação, Direito, Documentação, Economia, Educação, Eletrônica, Epistemologia, Estatística, Filosofia, Informática, Inteligência Artificial, Lingüística, Lógica, Matemática, Museologia, Política, Psicolingüística, Psicologia, Sócio lingüística, Sociologia, Telecomunicações, Teoria da informação e Terminologia. Felizmente, a pesquisa limitou-se a onze autores, o que impediu que fossem citados todos os verbetes da Enciclopédia Britânica.
A Ciência da Informação precisa de uma única solução que acabe com o diversionismo teórico, com a confusão de focos, que impeça que os problemas de citações indevidas aconteçam como em muitas outras áreas, que dê à disciplina a devido utilidade e reconhecimento social, ao mesmo tempo que não impeça sua utilização por todas as áreas do conhecimento.(grifo nosso.)
via Blog ExtraLibris

Publicado em 29|05|2007 por ExtraLibris
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