A Inovação não não pode ser ensinada em uma sala de aula

Publicado em 25|11|2007 por ExtraLibris

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Para sobreviver no Brasil hoje, você tem que fazer um esforço grande de inovação diz um  professor de administração da inovação de uma  IES do Rio de Janeiro.

Foi de uns anos para cá que as empresas tradicionais começaram a pensar no assunto. A perceber que era preciso preparar seus funcionários para a “sociedade do conhecimento”. Mas tal sociedade é uma utopia de saber compartilhado. Uma promessa de um mundo melhor para todos ,não so’ uma utopia de lucros máximos para a empresa.

Os cursos de pós-graduação despertaram para a necessidade de incluir o tema inovação em suas grades curriculares.  Uma das grandes apostas neste sentido foi feita pelas escolas de negócios e informação estratégica  criando cursos sobre a  utopia da “gestão do conhecimento ”.  Uma gestão irrealizável; quimera  conceitual.

A inovação é aspecto-chave para a competitividade Para sobreviver no mercado é necessário fazer um esforço grande de promover a inovação, Mas a Inovação não é uma receita de bolo ensinável em uma condição de aprendizado em uma aula..

A tecnologia esta’ referenciada sempre a um conjunto de informações , indo dos princípios científicos aos  intuitivos, criando   processos  processos e produtos  novos para aplicação  a um determinado ramo de atividade.

A Inovação difere basicamente da invenção tecnológica;  a tecnologia é uma sucessão de eventos sistemáticos de técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos relacionados a  uma ação de transformação operacional.

A inovação é a aceitação e a difusão e a  engenhariação destes eventos pela pluralidade dos elementos de um determinado espaço social; quando convencido que isto trará um bem comum. Só existe uma inovação quando esta é aceita no espaço social em convivência. Relaciona-se a uma introdução dinâmica de um  conhecimento  que é assimilado e representa  um conjunto de atos voluntários pelo qual os indivíduos , em conjunto, reelaboram  o seu mundo.

A  inovação, não é a simples transferência da técnica,  é uma ação de aceitação de um  conhecimento proveniente de uma técnica; a inovação  representa   atos voluntários, sujeitos a barreiras contextuais e operacionais, daí não pode ser treinada  e nem tem nada a ver com a criatividade de um grupo que almeja introduzí-la em uma  realidade.
É uma decisão em de um conjunto, dentro de limitações existentes,  procurando um novo  nivel de bem estar social.

A inovação  é parte de um processo maior de adoção ou rejeição.  É o “momento  de decisão ” em um processo de avaliação realizada pela pluralidade de uma comunidade ou pela sociedade.

O processo de inovação tecnológica relaciona, para sua efetivação, variadas  competências. O fator de maior importância é a vontade de mudar,  de modificar estruturas, correndo riscos e motivando pessoas para trazer uma idéia nova, mais produtiva e mais coerente ao funcionamento de um sistema comum. É um processo político que so’ acontece na pluralidade dos habitantes de um espaço social.  Não é uma ação de estratégia da empresa, de criatividade ou de gestão do “conhecimento”. Não se ensina sua realização em uma sala de aula de uma pós-graduação

O espetáculo da novidade é  a única atividade da condição humana que só pode ser exercida em conjunto com outros  homens. Corresponde a condição humana da pluralidade. A inovação é uma condição da vida política do homem na terra. Nela o homem exerce a sua condição de inteligência para introduzir o  conhecimento no seu espaço de convivência.

A “gestão do conhecimento” é um conceito coxo. Quando falamos dos estoques de informação, do acervo, do quantum de informação armazenada dizemos que, estes são elementos responsáveis pela  posse e a distribuição de informação.Estoques estáticos de informação não geram conhecimento em qualquer regime de informação.

Existem como uma possibilidade, como potência da condição de gerar conhecimento. Quando se fala em gestão de conhecimento esta se falando em gestão da informação com uma introdução apelativa para um marketing na empresa.

O destino final do  fenômeno da informação é criar conhecimento modificador e inovador no indivíduo e  no seu mundo.  O conhecimento  sendo uma passagem, um fluxo de sensações que são apropriados pela consciência do receptor.  Este é um processo que se realiza no mais oculto espaço da privacidade de sua subjetividade. É um caminho pessoal e acontece, de maneira  diferente em cada indivíduo. Impossivel de ser administrado e é uma extravagância para ser ensinado em um curso formal de pós-graduação.

Os modos de observar o mundo têm variado ao longo do tempo. Com a Internet  foi prestigiada a idéia de que, na busca da interiorização do conhecimento, o pensamento e o espaço coletivo predominam  sobre a individualidade.  Contudo, haverá  sempre o espaço do agregar político e o momento da solidão intensa da apropriação do novo.

O espaço público expandiu seu limites desde as “escolas invisíveis” mas o espaço do conhecimento,  ainda  se refugia em agregados individuais de inteligência privada que é inadimistravel e escapa  dos prestidigitadores que pretendem a gerência do conteúdo de consciência individuais.

Aldo Barreto