Inteligências que se retiram

Publicado em 29|06|2008 por ExtraLibris

0


Setecentos dos 2.200 funcionários do BNDES têm aposentadoria prevista para até 2012. Isso representa 31% de todo o quadro da empresa. Em Furnas Centrais Elètncas, são quase 25%, 1.600 do quadro de 6.435. Na CEG, 10%. Para reduzir a perda desse know-how, as empresas estão investindo num programa de aposentadoria de médio e longo prazos, com dois objetivos:

a)mostrar aos mais novos que aquele é um bom lugar para trabalhar e b) conseguir que os mais velhos ajudem a repassar o saber interiorizado para quem fica.

Essa nova política de RH  começa a ganhar força nas empresas em geral, por causa do envelhecimento da população. A disputa por profissionais qualificados está cada vez mais acirrada e vale tudo para reduzir a rotatividade de (bom) pessoal, É preciso  assegurar que o capital Intelectual fique na organização. (O Globo, Boa Chance, 29 06 08)

Nas Universidades e Instituições de pesquisa do governo o problema é mais grave pois devido a infraestrutura burocrática de reposição de pessoal há alguns anos não se repõe cientistas e tecnológos nas estações de ensino de pósgraduado e pesquisa. Alguns programas de  ensino pósgraduado irão acabar ou modificar sensivelmente seu perfil pela aposentadoria do saber acumulado em pessoas que passaram 30 a 40 anos atualizadas e dedicados a instituição.

O mesmo acontece com a  pesquisa nestas unidades. Aí com maior gravidade, pois a pesquisa se condiciona por fatores de densidade cumulativa e quando, ela para , por falta de pessoal que se retira, nunca re inicia do lugar onde parou. Há que começar tudo outra vez.

E a ciência da Informação já está velha? A ciência da informação a partir do final dos anos 90 entrou em um processo de longo e contínuo decaimento por perda de inteligência.  A competência do campo perdeu sua densidade e complexidade intelectual com a saída de pesquisadores, docente e profissionais de difícil reposição. Até o final de 2010 grande parte dos antigos profissionais que construiram a área estarão aposentados compulsoriamente. Alguns cursos vão acabar  e alguns campos da área deixarão de ser ensinados por falta de pessoal capacitado.

A ciência da informação, nova em relação a outras áreas, não mantem, contudo,  uma abertura desejável para inovações  e continua refletindo e operando no seu núcleo fundador de 50 anos atrás.  A  área é escrava da tecnologia e todos os seus atores e usuários esperam que ela e suas aplicações mudem no moto da técnica de ponta.  A validade , a fonte e o próprio conhecimento da área se modificam continuamente ao capricho da técnica mais nova.

O banco de reserva intelectual da ciência da informação não se assenhoreou destas tecnologias que poderiam modificar o perfil e a importância da área, As aplicações com técnicas saudáveis ainda não são visíveis nos núcleos de pesquisa existentes ou nos encontros nacionais de pesquisadores. As técnicas dominantes, mas envelhecidas, ainda,  sobrevivem em um campo em que é fraca a contestação da comunidade por receio de se expor ou de  se comprometer.

Aldo Barreto

Tags: