Com o objetivo de avaliar a situação atual do jornalismo científico na América Latina, cerca de 40 pesquisadores e profissionais de 13 países da região se reuniram na cidade Boliviana de Santa Cruz de la Sierra, no evento Jornadas Ibero-americanas sobre a Ciência e os Meios de Comunicação de Massa.
O estudo foi realizado por;
- Agencia Española de Cooperación Internacional (AECI)
- Programa de Ciencia y Tecnología para el Desarrollo (Cyted), Área 6 “Ciencia y Sociedad”
- Red de Indicadores de Ciencia y Tecnología (RICYT/ CYTED)
“Na década de 1930, William Laurence, jornalista científico do New York Times traçava um auto-retrato heróico de sua profissão: “Autênticos descendentes de Prometeu” – dizia – “os escritores de ciência pegam o fogo do Olimpo científico (os laboratórios e as universidades) e o trazem lá em baixo, para o povo”.
“Esta imagem heróica, e reduzida, do jornalista científico (ou do divulgador) como um simplificador e transmissor da luz do conhecimento científico predominou provavelmente até a década de 1980, tanto entre jornalistas e divulgadores, quanto entre os cientistas. É uma imagem estritamente ligada a um modelo para a comunicação pública da ciência, que alguns chamaram de “modelo de déficit” , em que:
a) a ciência é pensada (conscientemente ou não) como em certa medida autônoma em relação ao resto da sociedade, e “impermeável”;
b) o público é visto como massa homogênea e passiva de pessoas caracterizadas por déficits, falhas, buracos cognitivos e informativos que devem ser preenchidos por uma espécie de transmissão de tipo “inoculador”;
c) o processo comunicativo é tratado como substancialmente unidirecional, linear, top-down”
[artigo "Para além da tradução:o jornalismo científico crítico na teoria e na prática" por Yurij Castelfranchi1,do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) & Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas (SP), ver no estudo citado]
Os resultados acabam de ser publicado na Internet e podem ser lidos gratuitamente. O livro Os desafios e avaliação do jornalismo científico iberoamericano, com 136 páginas, pode ser lido ou baixado em
http://www.scidev.net/uploads/File/pdffiles/jornalismo-cientifico.pdf [link da lista]
Nota :
O estudo em questão mostra algumas diferenças da ciência da informação e da comunicação dos meios de massa no trato com os documentos e a informação de ciência e tecnologia:
Na comunicação o gerador da informação é na maioria das vezes uma instituição ou um grupo e o receptor é um grande aglomerado de gente, uma “massa”, o público, um todo que se quer homogêneo, não diferenciado. Existe uma relação de impessoalidade entre os atores do início e do fim da cadeia de eventos da distribuição da informação. A mensagem é contaminada pelo canal usado e quando colocada em uma ponta fatalmente vai sair na outra para ser interiorizada ou não pelo receptor.
A ciência da Informação caracteriza o seu gerador da informação, nomeia o seu autor; estuda as necessidades do receptor e faz o seu perfil; o seu usuário é geralmente um indivíduo ou um grupo de pessoas com coesão de interesses informacionais específicos. A ciência da informação estuda o forma de transferência mais adequado, para melhor entregar a informação, tendo por base a natureza dos seus enunciados o os seus destinatários.
A comunicação divulga mensagens para atingir um maior público comum e tem a intenção de propagar idéias, moldar e influenciar a opinião do “publico”; ou entreter as massas. Na ciência da informação, ao contrário, é o valor contido na narrativa que domina a transferência e todas as ações subseqüentes que determinam o processo de união entre o gerador e o receptor.
Aldo Barreto

Publicado em 08|06|2008 por ExtraLibris
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