Pensando na pós-graduação em ciência da informação no Brasil

Publicado em 31 . outubro . 2008 por Moreno Barros

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Cresce o número de Programs de ciência da informação apoiados e liberados pela Capes. Creio, que todos os atores da área podem e devem refletir sobre seu papel e importância e é o que faço agora.

Entendo a pós-graduação em ciência da informação como um processo de reflexão do papel da informação como direito social, um fenômeno de comunicação humana.

Pensar a informação no estágio anterior e posterior ao processo de geração de conhecimento é, no meu entender, a essência de uma reflexão correta para justificar a existência de uma pós-graduação neste campo de conhecimento.

Certamente, não creio que o relato sobre o somatório dos processos técnicos utilizados para a organização e o controle da informação, sozinhos, se justifiquem para uma reflexão em nível de um curso de doutorado.

O fim último da informação, núcleos de informação, redes de informação e sistemas de informação não é fornecer ao usuário a informação relevante e somente esta. Isto seria um serviço de Armazenamento e recuperação da Informação. O benefício maior da atividade de repasse da informação é produzir conhecimento inovador e modificador de consciência e estruturas em espaços sociais diferenciados. Este conhecimento, quando adequado, gera inovação e desenvolvimento continuo. Essa é uma reflexão digna para futuros mestres e doutores em informação.

Contudo, uma considerável parte do esforço dos nossos Prodgramas de pós-graduação se orientam para a análise das questões técnicas relacionadas com o reunir, processar, armazenar e recuperar a informação em estoques estáticos que não geram conhecimento. Seria um simples trabalho de almoxarifagem a ser resolvido em estudos  de especialização e extensão . Considero esta atividade importante do processo de geração do saber para a sociedade, mas é mecanismo inibidor, pela sua própria natureza, do pensar erudito da área.

Alguns tópicos relacionados a estruturação da pós graduação posição merecem ser posicionados, em minha opinião:

1. o equilibrio da estrutura curricular, entre as disciplinas técnicas de tratamento da informação e as disciplinas que visem a sua transferência adequada  para universos semânticos compatíveis com sua assimilação;

2. a necessidade de se evitar estruturas curriculares muito fechadas, com excesso de disciplinas obrigatórias. A flexibilidade curricular é que poderá permitir o intercâmbio de docentes e discentes em um programa cooperativo de ensino na pós-graduação;

3. deve-se  considerar os aspectos regionais relacionados com o problema temático e técnico de tratamento e de transferência da informação;

4. lembrar da necessidade de se transformar em ação  o discurso constante da interconexão crescente das áreas de conhecimento;

5. um programa de pós graduação em ciência da informação não deve estar , unicamente centrado na reflexão do lidar com documentos provincianos , aqueles onde a estrutura determina seu território. Nessa contemporaneidade existem novas estruturas de documentos cosmopolitas  intertextuais com diversidade cultural para onde está indo a industria de informação e nossos alunos potenciais;

As atividades de informação foram  fortemente afetadas pela revolução da tecnologias intensas e carecem de uma validação teórica desejável e adequada. O desejo de institucionalizar e de se estabelecer linhas de pesquisa rígidas e definitivas  para a área não funcionará;

Uma linha de pesquisa não se realiza a partir de sua explicitação em um documento formal necessário para atender às exigências das agências de fomento e controle.

Uma linha de pesquisa representa uma agregação possível, dentro das possibilidades reais de cada programama, de docentes e discentes com interesses e possibilidades comuns. Uma linha de pesquisa se forma quasi-espontaneamente, premida por demandas internas e externas ao Programa e só pode se viabilizar dentro de um contexto de competência possível dos seus componentes.  Não pode ser criada por necessidade de regimentos ou explicações necessárias para uma formalização de colegiados decisórios.

Aldo de A Barreto

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