Por Richard Akerman
O blog “It´s all good” da OCLC publicou um interessante post sobre o futuro da biblioteca
O espaço da biblioteca está se transformando:
“Aquisição-catalogação-circulação” se transforma em um novo modelo de “Integração-gerenciamento-análise” (obrigado Robin Murray da OCLC por esse excelente quadro conceitual – veja o post de Alane e ouça o podcast de Robin para maiores detalhes).
Superfície imperceptível – o conteúdo e os serviços da biblioteca irão/deverão aparecer em espaços além da biblioteca (ex. internet, aplicações administrativas [office], sistemas de aprendizagem de administração) para satisfazer as demandas dos usuários no seu ponto mais inicial [point of need].
Novos modelos (ex.FRBR – Functional Requirements for Bibliographic Records) para se construir, novas experiências de usuários para desenvolver e disponibilizar – modos mais leves, fáceis e relevantes de disponibilização/acesso D2D (discovery to delivery) irão surgir.
Espaços além da biblioteca vão informar os espaços de biblioteca e vice-versa muito mais no futuro do que já ocorreu no passado. Como exemplo, perceba como os editores, livrarias, catálogos de biblioteca estão começando a mostrar a convergência entre qualidades e conteúdo (ex. conteúdo enriquecido, capas protetoras, tabela de conteúdo) e uma qualidade comum crescente, normalmente expressa em forma e conteúdo.
Acho que um dos grandes desafios que me foram apresentados na discussão da biblioteca de pesquisa é que existem três áreas principais de potencial mudança (para o bem da discussão), e devemos estar esclarecidos sobre qual está sendo discutida:
1. Mudanças na tecnologia das bibliotecas
2. Mudanças na biblioteconomia – o que os bibliotecários vão fazer no futuro
3. Mudanças nos clientes de bibliotecas
Acho que eu provoquei muitas pessoas porque elas leram meu post anterior falando sobre número 2, biblioteconomia, quando na verdade estou muito mais interessado no número 1, tecnologia. Agora, as duas são direcionadas para uma extensão substancial do que você acredita que os clientes de biblioteca vão querer no futuro (número 3). A mensagem que eu recebi dos bibliotecários foi “as pessoas continuarão a pedir ajuda, e os bibliotecários vão continuar a ajudá-los”. Em um comentário sobre esses assuntos, Rachel Walden apresenta dessa maneira:
Os bibliotecários de pesquisa possuem um significante papel para exercer na maximização do tempo dos pesquisadores assistindo-os com buscas e filtragem para encontrar os melhores e mais relevantes estudos. [A discussão] também assume que os pesquisadores 1) preferem fazer suas próprias pesquisas; 2) possuem tempo para realizar suas próprias pesquisas; 3) são no mínimo tão capazes quanto os bibliotecários profissionais treinados para encontrar materiais relevantes. Não está evidente que qualquer um desses seja necessariamente o caso, particularmente considerando os sistemas terminológicos um tanto quanto contraintuitivos e confusas interfaces na web para adicionar ao problema de recuperação sem mencionar a questão do excesso de informação.
Então acho que existem alguns problemas expostos:
Em qual extensão a transformação do lado tecnológica nas bibliotecas está relacionada com as mudanças na biblioteconomia? Essa é uma questão que eu não estou capacitado a responder, eu sou uma pessoa da tecnologia, não um bibliotecário.
Em qual extensão os pesquisadores da geração do milênio [jovens nascidos ou que fazem parte do contexto social referente ao novo milênio]- vão eliminar a necessidade de um profissional bibliotecário, e em qual extensão eles desejarão servir a si mesmos, acessando a tecnologia da biblioteca diretamente?
Acho que existe uma grande desconexão, porque pelo lado da tecnologia, alguns de nós estão dizendo que “as mudanças na tecnologia (especificamente conteúdo digital e Internet) são uma ruptura transformadora das atividades das bibliotecas, particularmente considerando que os milenais estarão mais inclinados a interagir diretamente com serviços de tecnologia ao invés de usar intermediários” e o lado dos bibliotecários, que eu ouço dizer “a tecnologia pode adicionar algumas capacidades interessantes para nós em favor da interação com os usuários, mas fundamentalmente nossos trabalhos continuarão os mesmos”. Também acredito que existe um desafio em termos de horizontes de tempo. Estou tentando visualizar pelo menos 5 anos, porque estou interessado no plano estratégico para 2010. Isso é uma perspectiva muito diferente se comparada a uma projeção para o ano seguinte somente, um período de tempo em que normalmente as coisas parecem que vão continuar mas ou menos iguais.
Não tenho as respostas para essas perguntas, mas acho que é bastante útil expor e discuti-las.
Texto original, disponível em Science Library Pad
Copyright 2006 Richard Akerman.
Translated and reprinted with permission
Tradução de Moreno Barros

Publicado em 26|03|2009 por ExtraLibris