H. CURTIS WRIGHT
School of Library and Information Sciences – BYU, 1989.
Resumo
Esse trabalho sai da visão Kaplaniana de informação como estrutura formal das idéias, para a visão Meadiana de comunicação intersubjetiva e daí para a compreensão de realidade de Popper. Apresenta um modelo de Biblioteconomia, identifica seus componentes com os três mundos de Popper e conclui que Biblioteconomia é uma tecnologia de ação intelectual, não uma tecnologia de ação.
“Quando….criticar a filosofia de uma época, não [direcione]… atenção para aquelas posições intelectuais na qual seus expoentes sentem a necessidade … de defendê-las … [Concentre-se nas] presunções fundamentais que aderentes de todos … os sistemas presentes na época inconscientemente pressupoem. Tais suposições parecem tão óbvias, que as pessoas [que as constroem] não sabem o que estão assumindo, porque jamais nenhuma outra maneira de colocar as coisas os ocorreu.” Alfred North Whitehead [1]
Introdução
Esse trabalho, advoga uma filosofia humanística da ciência em um tempo acostumado a quatro séculos de pensamento mecânico para as filosofias científicas do humanismo, é crítico dos pressupostos materialistas tanto em Biblioteconomia como na Ciência da Informação. Em consequência, elabora algumas introspecções às formas filosóficas de Abraham Kaplan, George Herbert Mead e Karl Popper, que representam, menos ou mais, uma oposição leal ao tópico-filosófico que é subjacente à perspectiva científica em comunicação. Nenhum desses filósofos é sensu stricto anti-científico. Todavia, por compartilharem uma perspectiva humanística na comunicação, eles (e outros como eles) oferecem uma real alternativa à teoria dos sistemas, que, não precisa dizer, domina a Biblioteconomia e a Ciência da Informação hoje. Foi Mead quem criou o interacionismo simbólico, que é a visão humanística da comunicação mediada por símbolos, que direta ou indiretamente informa virtualmente todas as teorias da comunicação humana.[2] Mas Mead foi educado na Alemanha e teve inclinações européias. Ele era essencialmente um filósofo da forma [form-philosopher] que se tranformou num intelectual pragmatista como C. S. Pierce (o fundador do pragmatismo) e C.I. Lewis, para os quais pragmatismo era essencialmente uma humanística teoria de significado, com grande relevância para todas as formas de comunicação intersubjetiva.[3] Ele não era um filófoso da matéria [matter-philosopher] que se tornou um pragmatista empírico como William James, por quem o pragmatismo foi transformado em uma científica teoria de ação, relevante apenas para o sistema de comunicação.[4] Kaplan, ao que parece, é também um pragmatista intelectual de classes, com mais afinidades à Mead do que James.[5] Enquanto discursava em uma conferência da American Library Association-ALA, em 1964, enfatizou (1) o papel central dos símbolos comunicativos em criar todas as concernências intelectuais, que estão implícitas no problema informacional moderno, e (2) absoluta familiaridade com a história das idéias,[6] como um modo de entendimento e tratamento, com essas concernências-qualquer coisa, que os bibliotecários e educadores da biblioteconomia nunca consideraram seriamente e outros especialista da informação estão apenas começando a reconhecer. Seu discurso permanece singular na literatura da biblioteconomia, não contendo nada, mesmo remotamente semelhante, à sua importância filosófica, tanto antes ou desde 1964. O pensamento de Popper é também estranhamente similar à Mead,[7] apesar de muitas diferenças: Mead por exemplo, é menos compreensivo e menos ainda prolífico que Popper, para quem o pensamento consiste em duas partes definidas – sua filosofia sistemática e um sumário tri-mundial de sua filosofia sistemática. Munz considera o anterior mais importante do que o último no entendimento do crescimento do conhecimento humano.[8] Mas esse trabalho pega precisamente a visão oposta: é a elaboração de Popper para a realidade de três mundos de Platão, não a filosofia sistemática de Popper, que têm o potencial de criação de uma compreensiva teoria da comunicação capaz de explicar todas as subjetivas e objetivadas formas de conhecimentos em termos de ambientes naturais e culturais e o uso humano de símbolos.[9] A filosofia de Popper de três mundos interativos têm sido explicada nas suas próprias extensivas palavras.;[10] mas a sua mais clara exposição, talvez, veio do mundialmente conhecido neurofisiologista, Sir John C. Eccles,[11] co-autor científico de Popper e a única pessoa autorizada por Popper a discutir sua filosofia publicamente.
Do caos à Kaplan[12]
A Biblioteconomia está sempre em condição crítica. Mas sua crise atual, de acordo com Abraham Kaplan, não resulta de demandas excessivas na execução de suas funções: ocorre porque “a profissão propriamente está insegura sobre quais exatamente suas funções são”, e porque seus educadores e praticantes estão “inseguros também em relação à realização de qualquer função a que são designados…ou que adotam”. [13] A ambivalência ocupacional de biblotecários e outros profissionais da informação, deriva da moderna explosão do conhecimento, que transformou o Século XX em uma era de símbolos, onde “enormes mudanças em qualquer nível de … sociedade podem ser associadas com o conceito de informação.” [14] Kaplan cita três razões para essa importante transformação. São, primeiramente “o volume íngreme de informação,” [15] o que torna virtualmente impossível para qualquer pessoa manter desenvolvimentos em qualquer área. “Têm havido também um fantástico crescimento tecnológico, [na maneira em que] a informação é produzida, processada e transmitida” no mundo físico. [16] Mas a causa básica dessas duas coisas, a razão tanto para o desgovernado volume de informação como para o crescimento imprecedente na tecnologia de informação, é o crescente envolvimento dos tempos modernos com o simbolismo. Em longas conversas telefônicas no começo da década de 1980, eu discutia com Jesse Shera esses elementos dos argumentos de Kaplan. Shera concordou que o “problema geral da informação possui três aspectos” e que nós “apresentamos apenas dois deles”, os quais, o genuíno dilúvio de informação descontrolada sobre nós e as nossas tentativas para lidar com isso através de alta tecnologia [17]. Não existia dúvida na cabeça de Shera que “símbolos … ocupam uma grande parte de nossas vidas hoje, mais do que nunca” e que “o tamanho dessa parte … está crescendo exponencialmente” [18]. A massiva porção de informação disponível para nós exerce um grande impacto na vida moderna. Mas “teorias sobre informação” onde Kaplan explicitamente diz “teorias sobre processos simbólicos”, continuaram a “exercer força similar” [19] e de fato constituem uma básica realidade cultural do séc. XX – onde a letra impressa e suas tecnologias são meramente expressões. “Do ponto de vista da teoria das idéias”, que é o ponto de vista definitivo de Kaplan, tudo sugere que “a nossa é a era dos símbolos” [20].
A profissão da Biblioteconomia nunca investigou o uso humano dos símbolos, que gerou todos os seus problemas intelectuais. Esses problemas entretanto, não podem mais ser evitados, porque o século XX testemunhou uma mudança profunda na natureza do esforço humano. Essa mudança constitui a mais básica transição cultural da era moderna, que certamente fugiu pra longe do intenso trabalho mental de talentosos amoladores ambulantes e inspirou mecânicos[Mecânica] em direção ao intenso trabalho intelecutal de teoristas e filósofos.
A primazia do conhecimento teórico … [constitui] … o eixo principal [da cultura moderna] … A sociedade industrial é a coordenação de máquinas e homens para a produção de bens. [Mas] a sociedade pós industrial é organizada pelo conhecimento, [que é utilizado] em razão de …. direcionar … inovação e mudança … O que é distintivo sobre o [Século XX] … é a mudança no caráter do conhecimento propriamente … O que se tornou decisivo … é a centralidade do conhecimento teórico – A primazia da teoria sobre o empirismo e a codificação do conhecimento em abstratos sistemas de símbolos que podem ser utilizados para a iluminar muitas … [se não todas] áreas da experiência [21].
Como evidência desse fundamental desvio na essência do trabalho, que conta para o nosso eterno envolvimento profundo com símbolos, Kaplan aponta para as “muitas disciplinas intelectuais” que recentemente “aparecem envolvidas em processos de simbolização ou começam a focar … [em] linguagem e simbolismo.”[22] Mas essa observação sobre as disciplinas intelectuais, que explora o ambiente simbólico do pensamento humano, pode ser apenas entendida em contraste com as disciplinas empíricas, que estudam o ambiente não-simbólico da matéria e da energia. As disciplinas empíricas produzem conhecimento das realidades físicas que podem ser observadas através dos sentidos, enquanto as disciplinas intelectuais criam conhecimento das realidades formais que não podem ser observadas através dos sentidos, apesar de poderem ser pensadas e comunicadas como pensamentos. O matematicamente declarado conteúdo de sensação, assim dito, constitui a única referência temática da ciência empírica; [23] mas a mentalização, que precisa ser estudada filosoficamente ou não estudada em outras hipóteses, pode ser declarada apenas verbalmente (em linguagem natural) ou através de imagens indescritíveis (na linguagem de objetos de arte). Aí está uma distinção crucial que a Biblioteconomia tem negligenciado. Confundiu conhecimento de ordem primária sobre os fenômenos, ou o conhecimento intelectual de realidades físicas requisitadas pela ciência, com conhecimento de ordem secundária sobre o conhecimento ou o conhecimento de realidades intelectuais requisitadas por bibliotecários. Assim, bibliotecários e educadores da Biblioteconomia precisam de alguma maneira se livrar do vício pela empírica matéria-filosófica da ciência e passar a valorizar a intelectual forma-filosófica do humanismo crítico. “A base humanística [da Biblioteconomia] está lá”, diz Kaplan, e “irá e precisa permanecer como base”. [24] Por isso que a necessidade que os bibliotecários tem de saber sobre os usos reais que as pessoas fazem do conhecimento “precisa sempre permanecer fundamental” para a Biblioteconomia. Mas essa necessidade não pode ser saciada através de conhecimento científico sobre a natureza física. Clama por conhecimento da natureza humana, e isso, diz Kaplan, “não é nada mais do que conhecimento das pessoas”, ou mais especificamente, conhecimento “sobre as variadas maneiras … [que as pessoas] geram, transmitem e interpretam idéias ou informação”.[25] Kaplan certamente não está falando em termos de engenharia sobre a informação como dado físico na forma de caracteres visuais, sons pronunciados audíveis ou impulsos elétricos. Ele está pensando na informação como idéias e luta para entender (1) como as pessoas trazem idéias para a existência, (2) como elas comunicam as idéias que trazem à existência e (3) como utilizam as idéias que trazem à existência e se comunicam.
De Abraham Kaplan à George Herbert Mead
Da “filosofia da educação bibliteconômica” de Kaplan, diz Jesse Shera, “precisam ser derivadas os objetivos da educação em Biblioteconomia”. [26] Esse estranho endosso das visões simbólicas de Kaplan, é intimamente relacionado à última recomendação feita por Shera para a profissão da Biblioteconomia.”Eu submeto”, ele diz, “que bibliotecários precisam enxergar o “interacionismo simbólico” para a fundação apropriada de uma teoria da Biblioteconomia. [27] Interacionismo simbólico foi criado pro George Herbert Mead, que rejeitou os estudos dos fenômenos sociais por métodos mecanicistas legados para o estudo científico dos fenômenos e trouxe ciências sociais da física. A ordem natural é uma unidade monística que inclui tudo físico e nada mais; mas a ordem social é um dualismo ontológico constituído por uma ordem social empírica , que consiste nas pessoas como treinados que executam coisas, e uma ordem social ideativa, que consiste nas pessoas como pensadores que conhecem coisas. Humanistas consideram instrumental a ordem social empírica, porque constitui seu único instrumento de acesso para a ordem social ideativa; mas os cientistas tratam a ordem social ideativa como não-existente e consideram a ordem social empírica com uma sub-classe da ordem natural. Dessa maneira, a ciência estuda o comportamento humano sem referência aos seus pensamentos; mas o humanismo estuda seu comportamento como único meio de acesso para os pensamentos. A natureza dual do fenômeno social consequentemente direciona para os seguintes assuntos típicos do interacionismo simbólico.
1. O intelecto humano é vigorosamente ativo. Locke estava completamente errado: a mente não é ambientalmente controlada como uma tábua de escrita que passivamente recebe idéias vindas de fora: é o gerador ativo de suas próprias idéias; e utiliza estímulos humanos como símbolos que permitem à mente comunicar suas idéias com outras mentes e controlar todos os tipos de atividades racionais. Assim, a mente humana está constantemente observando, pensando, tomando decisões e agindo ao mesmo tempo – como um ciclista ou um piloto de avião.
2. As realidades formais da mente não podem ser conhecidas empiricamente porque elas não podem ser observadas: podem ser apenas pensadas, comunicadas como pensamento e reconhecida como pensamento considerando símbolos observáveis.
3. Homens são sujeitos inteligentes vivendo em dois ambientes. Esses são o ambiente físico, que inclui toda a matéria e energia do cosmo; e o ambiente cultural , que inclui todas as idéias disponíveis para estudo fora da consciência subjetiva dos indivíduos. Desse modo, as pessoas vivem na paisagem física de um universo objetivo; mas elas também vivem no “clima” cultural de seus parceiros humanos.
4. Tópicos inteligentes ativamente selecionam, interpretam e modificam seus ambientes através da seleção de direções e motivos para o comportamento racional e do controle da sua construção. Essa proposta constitui “um importante dogma da maioira das visões humanísticas da conduta [racional]”, que assume que os “Homens são … participantes na criação de seus próprios destinos”. [28]
5. Acesso ao ambiente cultural humano só é fornecido apenas por símbolos “O Homem tem uma distintiva capacidade para a comunicação simbólica” [29] o que lhe permite pensar abstratamente e codificar idéis subjetivas em informações objetivas que vão ao mundo para outros contemplarem. A objetificação do pensamento é então uma consumação do uso humano dos símbolos. Já que “pensar é estritamente um processo simbólico” [30] e o símbolo físico é o único significado objetivo da comunicação racional, a loja cultural do conhecimento objetificado é acessível apenas através de símbolos.
6. Todos aspectos de específico comportamento racional são simbólicos. Interação humana consigo mesmo e com outros é sempre carregada na razão de símbolos e suas interpretações. Comportamento racional não pode ser explicado, consequentemente, a não ser que pensamento e linguagem sejam considerados, porque humanos inserem significados aos estímulos simbólicos e agem em razão desses significados, que “são socialmente derivados através da interação com outros e não na inerência dos estímulos propriamente”. [31]
7. O significado subjetivo dos símbolos podem ser aprendidos pelos humanos apenas através da comunicação de abstrações. Conduta racional, que é “especificamente aprendida na comunicação simbólica” [32], por um indivíduo ativo, pode ser observada. Mas os significados adquiridos por um indivíduo são abstrações que não podem ser observadas: eles precisam ser comunicados à outros ou permanecer pra sempre com o indivíduo. A comunicação de abstrações, que categoriza a comunicação de todos os significados, é então essencial para a exploração de questões subjetivas.
8. Línguas naturais pode referir para as realidades subjetivas da mente; mas a subjetividade humana não pode ser descrita pela matemática aplicada nem explorada pela matemática pura. Em outras palavras, as linguagens naturais são essenciais, enquanto a matemática é descritiva. Isso significa que as linguagens naturais podem encaminhar a mente para idéias sobre qualquer coisa; mas a matemática é seguramente atada ao universo material; somente pode descrever atualidades físicas ou explorar possibilidades físicas. Matemática é então “um instrumento para aplicação à problemas físicos”. [33] Foi inventada para compreender os objetos físicos e processo da matéria e energia, o que não pode adequadamente ser descrito em palavras. “Os axiomas da aritmética e geometria são baseadas nos processos físicos da contabilização de objetos e medidas de distâncias”; [34] e o cálculo diferencial “é uma tentativa direta de colocar noções físicas de velocidade e aceleração em termos precisos”. [35] Matemática é então a tecnologia intelectual do materialismo, uma linguagem artificial cujas “máximas abstrações são as verdadeiras armas que controlam nosso pensamento do fato concreto” [36] – que explica porque a matemática não pode controlar nosso pensamento sobre a forma abstrata. Linguagem natural, por outro lado, “é o mecanismo primário que conduz à mente e natureza do indivíduo”; [37] e suas abstrações verbais consequentemente constituem nossa melhor compreensão de comunicação intersubjetiva.
De George Herbert Mead à Karl Popper
Fazendo a distinção entre os componentes subjetivos e objetivos do universo formal, Karl Popper classifica o todo da realidade em três mundos separados, que ele chama Mundo 1, 2 e 3. [38]
![[el] wright - 3 mundos de popper.jpg](http://academica.extralibris.info/%5Bel%5D%20wright%20-%203%20mundos%20de%20popper.jpg)
Os três mundos de Popper
Assim, Mundo 1 inclui tudo que é físico: contêm todas as realidades naturais e sociais – tudo que é feito de matéria e energia, que inclui (1) todos os objetos físicos, processos, força e campos de força; (2) todas as configurações orgânicas e inorgânicas de matéria e energia (incluindo cérebro humano); e (3) todos os artefatos criados por humanos. Tudo não-físico, por outro lado, é encontrado nos mundos 2 e 3, que contêm todas as formas noetic [tradutor-?]. Mundo 2 inclui tudo não-físico e subjetivo: contêm todas as realidades filosóficas – todos os processos subjetivos do pensamento no mundo privado da individual mente humana; é o mundo pessoal da sua própria inteligência, “o mundo da sua vida espiritual íntima, o mundo que você conhece e vive em todos os momentos que você está consciente, do momento que você acorda, até a hora de dormir. Esse é o Mundo 2,” [39] o mundo da mente humana; é um vigoroso mundo ativo que inclui tudo o que você pode pensar, sentir, criar, lembrar e imaginar; e pode ser “conhecido nos outros apenas através de inferências de comunicações simbólicas.”[40] Mundo 3 inclui tudo não-físico e objetivo: contêm todas as realidades culturais; todos os produtos objetivos do pensamento, que inclui todas as idéias de todos os tipos, que são disponíveis para estudo fora da consciência individual; engloba tudo que é humano a nossa volta e tudo que é criado e objetificado por mentes humanas, incluindo todas as úteis e belas artes. “Nós vivemos no ambiente cultural do Mundo 3”, que é tanto quanto objetivo e “cada pedaço tão real como o ambiente físico do Mundo 1”. [41] Você exibe o comportamento Mundo 3 sempre que comunica qualquer coisa através da línguagem, ou em qualquer outro meio, porque o Mundo 3 é o conjunto da cultura civilizada.
Mundo 3 é o mundo do [conhecimento objetificado, ou] conhecimento no senso objetivo… ele inclui… [todas] idéias … preservadas em formas codificadas… em todos os registros da cultura humana. Na sua composição material de papel e tinta, os livros situam-se no Mundo 1, mas o conhecimento codificado na impressão [de livros] está inserido no Mundo 3, [e a situação é similar]… para imagens e todos os outros artefatos… Mundo 3 inclui os registros dos esforços intelectuais de toda humanidade ao longo dos anos … [é] a herança cultural [da raça humana].[42]
De acordo com Popper, seres humanos podem interagir diretamente com o seu ambiente físico e indiretamente com o seu ambiente cultural (utilizando dados de seu ambiente físico como símbolos comunicativos); mas estes ambientes podem interagir um com o outro “apenas por meio da intervenção humana”. [43] Ele rejeita paralelismo psico-físico, a visão monística do materialismo científico, porque isola as ordens natural e formal, os considera como diferentes aspectos da mesma coisa e os previne de influenciar um ao outro de maneiras significativas; e ele aceita interacionismo psicofísico, também conhecido como interacionismo dual, ou “o senso comum de que as pessoas são constituídas de duas separadas e distintas entidades”. [44] Assim, “a entidade não-material do Mundo 2, o mundo do espírito, é a mente auto-consciente – a alma ou psique que constituem o ser;” e “a entidade material do Mundo 1, o mundo das realidades físicas, é a mente humana e o corpo, que ele controla.” [45] Isso amarra o problema da filosofia corpo-mente à “ligação cérebro-mente” Popperiana, [46] a fronteira de interação entre a mente e seu cérebro, que permite à mente manipular seu ambiente físico controlando o cérebro que controla seu corpo: isso explica como a mente pode criar conhecimento subjetivamente no Mundo 2, expressar as evidentes manifestações de conhecimento no Mundo 1 (codificando-o nos símbolos físicos de relatórios subjetivos), e armazena seus referenciais ideativos objetivamente no Mundo 3; e o processo é reversível – você pode observar os símbolos físicos do conhecimento objetivo no Mundo 1, reconhecer seus referenciais ideativos no Mundo 3, e reconstruí-los como seu próprio conhecimento subjetivo no Mundo 2. Desse modo nós vemos como os imperceptíveis significados, conceitos, memórias, imagens, sentimentos e crenças que constituem nossa experiência pessoal podem ser expressadas para outros comtemplarem, como nós podemos comtemplar as expressões de outras pessoas, “e assim como novos complexos de pensamentos e entendimentos podem ser criados;” [47] e nós também podemos ver como a Biblioteconomia é derivada da habilidade humana de criar e manipular idéias na razão de símbolos.
O palco teatral da Biblioteconomia – todas as funções profissionais do bibliotecário estão implícitas na interface mente-documento, que cria sete elementos e duas visões da Biblioteconomia. [48]
![[el] wright - interface mente-documento.jpg](http://academica.extralibris.info/%5Bel%5D%20wright%20-%20interface%20mente-documento.jpg)
Os sete elementos incluem três indispensáveis componentes (usuários, conhecimento objetivos e bibliotecários), três interfaces necessárias (as interações entre usuário-conhecimento, bibliotecários-conhecimento e usuários-bibliotecários) e um resultado integrado (o sistema que emerge dos componentes essenciais e interfaces da Biblioteconomia). Tudo começa com o Homem como um animal informacional: o ambiente cultural, que faz ascender a Biblioteconomia, é criada somente porque as pessoas são pensadores que precisam saber todos os tipos de coisas para que vivam de acordo com o que sabem e controlar suas ações por meio do conhecimento; contêm os produtos objetivos do conhecimento nascidas de inúmeras mentes humanas de todas as áreas e períodos; e existe apenas porque “todas as civilizações humanas dependem de um tipo de ‘livro’ cultural, isto é, na capacidade de colocar informação em armazenamento para que se possa reutilizá-la”. [49] A função dos bibliotecários é mediar essa interface entre o Homem e a informação codificada no livro cultural, ou em outras palavras, maximizar a interação humana com conhecimento cultural através de símbolos. Essa função não pode ser executada corretamente até que bibliotecários compreendam as duas pontas da interface mente-documento e a natureza simbólica da interação humana.
Então, eles precisam entender as (1) pessoas como mentes comprometidas no pensamento, (2) a necessidade humana de conhecimento objetivo (que sempre trasncede a mente que o estudam), e (3) o uso humano de símbolos, como meio de as pessoas se comunicarem uma com as outras e com seus ambientes culturais. A importância dessa interface mente-documento não pode ser superenfatizada. Ela fornece os três primeiros elementos da Biblioteconomia; os bibliotecários constituem o quarto elemento; o quinto e sexto elementos constituem de tudo envolvido nas interações entre bibliotecários com conhecimento objetivo e com usuários; o sétimo elemento é a própria Biblioteconomia – o sistema, bom ou mal, que os bibliotecários criaram integrando os cinco elementos na sua disposição. Essa interface básica também revela duas visões, dois modos de indagação e nove áreas-problema da Biblioteconomia. [50] As duas visões são a visão teorética dos educadores da Biblioteconomia, [library educators] que precisam entender a totalidade da Biblioteconomia e e explicá-la como campo de estudo e a visão pragmática dos praticantes da Biblioteconomia [profissionais liberais], para os quais a Biblioteconomia é uma atividade ocupacional. Os dois modos de indagação são pesquisa básica, que constrói conhecimento conceitual da Biblioteconomia como um conjunto integrado com relação à todas suas partes e funções e investigação ad hoc [específica], que objetiva resolver os problemas de serviço dos profissionais liberais. E as nove áreas-problema, que indicam os tipos de problema que surgem dos sete elementos e duas visões da Biblioteconomia, sugerem a visão de Shera de que alta tecnologia pode não somente forçar bibliotecários “a examinar as implicações filosóficas da Biblioteconomia mas também condicioná-los à acomodar “áreas de indagação que não foram previamente … relacionadas com seu trabalho.”[51]
Se bibliotecários…estão dispostos a tomar vantagem das novas tecnologias eles precisam primeiro extender os limites de seu pensamento…e aceitar no corpo de seu conhecimento profissional idéias que a princípio podem parecer estranhas, senão hostís [para a Biblioteconomia]. A profissão precisa estar particularmente alerta às suas margens e ser sensível e responsável para mudar [de maneira] a assegurar uma comunicação clara e aberta com todas as fontes relevantes de inovação.[52]
Essas áreas-problema, que virtualmente geram todos os problemas da Biblioteconomia, podem fatalmente requerer soluções desenvolvidas por todos os campos da ciência e do conhecimento. Os problemas específicos dos bibliotecários, consequentemente, são melhores resolvidos por meio de indagações sistemáticas sobre a natureza de nove problemas, que são listados a seguir.
1. O Homem como uma mente pensante que constantemente cria, usa, armazena, resgata e reutiliza idéias porque requer um contínuo suprimento de conhecimento para que se viva de acordo com o que sabe (ou acredita que sabe). Engloba todos os problemas de conhecimento pessoal, ou os processos subjetivos de conhecer qual deles ocorrem dentro das mentes dos indivíduos.
2. O ambiente cultural humano, que inclui todas idéias criadas e objetificadas como objetos formais pelas mentes humanas. Engloba todos os problemas do conhecimento público, ou os produtos subjetivos de conhecer quais estão disponíveis para estudo como idéias existentes fora da mente que os estuda.
3. A interface mente-documento que inclui todos os problemas derivados da comunicação intrasubjetiva dos humanos com os objetos formais do conhecimento cultural. Preocupa-se com todas as maneiras que uma mente humana pode interagir com objetos formais criados por outras mentes humanas e manisfestadas na ordem social como expressões físicas do conhecimento, expressões consistindo tanto em processos temporais (como discursos e música) como em estados permanentes (pinturas e palavra impressa). A palavra “documento” se refere a qualquer meio natural ou artificial de consulta de idéias objetificadas, colocando-as em espera, para que se possa reutilizá-las quando necessário.[53] Os tipos de conhecimento objetificado que podem ser comunicados por meio de documentos escritos, possuem significado especial para as formas literatas da Biblioteconomia.
4. O bibliotecário como um profissional da informação, que tem por função mediar a interface mente-documento, colocando mentes e documentos juntos e maximizando interações úteis entre eles.
5. A interface bibliotecário-usuário, ou todos os problema derivados da comunicação intersubjetiva de bibliotecários com seus usuários. Incluem todos os serviços diretos à leitores, como recomendações de referência e leitura, e obriga bibliotecários a determinar as necessidades informacionais específicas dos usuários para que os referencie à itens relevantes do conhecimento no ambiente cultural.
6. A interface bibliotecário-documento, ou todos os problemas derivados da comunicação intrasubjetiva de bibliotecários com as idéias que constituem os objetos formais do conhecimento cultural. Incluem todos os serviços indiretos aos leitores, ou operações de coleção, como aquisição e catalogação, e obriga bibliotecários a entender a estrutura intelectual do conhecimento objetificado para que se oriente usuários à objetos formais no ambiente cultural.
7. O sistema integrado da Biblioteconomia criado por bibliotecários baseado nos cinco elementos comuns a performance de suas funções em todas as operações da biblioteca.
8. A visão teorética da Biblioteconomia (visão de cima) Defendida pela maioria dos educadores em Biblioteconomia, cuja função é reduzir os primeiros princípios da Biblioteconomia à um sistema de regras teoréticas que governa todas as suas explicações e aplicações e pode ser aprendida em um programa de instrução prática. Essa visão é sustentada pela faculdade intelectual do entendimento, que criando conhecimento básico da Biblioteconomia como um campo de estudo, fornece a fundação para a prática da Biblioteconomia como uma atividade profissional.
9. A visão pragmática da Biblioteconomia (visão de baixo). Defendida pela maioria dos profissionais liberais e administradores da Biblioteconomia, que precisam lidar com as urgências imediatas das operações específicas da biblioteca. Requer o exercício constante do julgamento prático pelos bibliotecários, porque, aplicando as regras gerais da Biblioteconomia em situações concretas, eles precisam saber o que fazer em situações específicas e como investigá-las para que se resolva os milhares de problemas e serviço que ocorrem em todas as operações de biblioteca.
Uma perspectiva adicional para a Biblioteconomia, que pode ser chamada “visão bem de cima”ou “visão de fora”, é a visão idealizada daqueles consumados bibliotecários e educadores em Biblioteconomia que, na sua onisciência e onipotência, podem integrar todas as realidades abstratas e concretas da sua profissão em uma única metafísica compreensiva fundada na mente humana e no ambiente cultural que cria.[54] É a visão filosófica que dá vida aos primeiros princípios da Biblioteconomia, que em retorno cria o conhecimento teorético aplicado pelo exercício de bibliotecários em todos os tipos específicos de operações da biblioteca. Assim, a interface mente-documento constitui a preocupação central dos bibliotecários e seus educadores. Engloba tudo o que sabem e fazem: não existiria a Biblioteconomia se ela não fosse absolutamente real; e sua tremenda significância exige séria atenção e merece exploração intensiva.
Biblioteconomia e os três mundos de Karl Popper
As realidades físicas da matéria e da energia pertencem à primeira classe de todas as disciplinas empíricas. Em disciplinas intelectuais como a Biblioteconomia, entretanto, elas possuem status apenas de segunda classe como instrumentos simbólicos para que se comunique abstrações formais. A natureza intelectual da Biblioteconomia, pode ser revelada claramente, identificando seus elementos básicos com os três mundos de Karl Popper. Os usuários como animais caçadores de informação, como pensadores pesquisando por conhecimento fora deles mesmos, são sujeitos inteligentes conscientes pertencentes ao Mundo 2; o conhecimento objetivo buscado pelos usuários pertence ao ambiente cultural do Mundo 3; e os bibliotecários como profissionais da informação – especialistas que precisam entender tanto a busca do conhecimento subjetivo, como a busca pelo conhecimento objetivo pelos usuários – são também sujeitos conscientes inteligentes que pertencem ao Mundo 2. Isso levanta a mais reveladora questão. Onde está o Mundo 1?, o mundo físico de matéria e energia estudado pelos métodos empíricos da ciência? Mundo 1, lembre-se, contêm apenas as particulas [item de informação] concretas de matéria e energia, enquanto os Mundos 2 e 3, consistem somente das universais. Mundo 1, consequentemente, não pertence diretamente aos compenentes básicos da Biblioteconomia, porque suas partículas físicas não incluem os processos subjetivos nem os produtos objetivos do conhecimento. Assim, sua significância é completamente confinada às três interfaces da Biblioteconomia onde funciona instrumentalmente como maquinário comunicativo, já que os dados físicos que permitem humanos comunicarem-se entre si e com seus ambientes objetivos são todos derivados do Mundo 1; e o papel do Mundo 1 na Biblioteconomia desse modo, é reduzido a equipar pessoas com matéria-prima para a construção dos instrumentos simbólicos da comunicação humana. [55] Deve ser notado que, além disso, a função profissional dos bibliotecários, que é intimamente envolvida com o modo sujeito-sujeito de comunicação duas vias [two-way], e com o modo forma-à-sujeito de comunicação via única [oneway], tão familiar aos humanistas, virtualmente não possui envolvimento com o modo fato-à-sujeito de comunicação via única que é absolutamente indispensável ao cientista.[56] Você não pode explicar um barco furado ao oceano, em outras palavras, nem pode comunicar nada aos livros que leu ou ao fenômeno que estuda. E a razão para tudo isso é básica: a Biblioteconomia não se preocupa com as realidades; preocupa-se com os relatos humanos subjetivos sobre as realidades. Bibliotecários deveriam entender isso claramente, porque os relatos subjetivos humanos sobre realidades formais ou físicas precisam tanto ser comunicadas diretamente pelos próprios humanos ou indiretamente através de objetos formais criados por humanos. Não existem outros meios de se comunicar relatos humanos subjetivos.
Conclusão
Biblioteconomia é o gerenciamento do conhecimento, não o gerenciamento da natureza.[57] É controlada pelas idéias, não pelos fenômenos, já que responde a necessidade objetiva das mentes no Mundo 2 para conhecimento objetivo no Mundo 3. Mas as abstrações formais de conhecimento subjetivo e objetivo não podem ser observadas: não podem ser vistas, ouvidas, sentidas, tocadas, ou de qualquer maneira detectadas pelos sentidos. Assim, conhecimento, que sempre transcende as realidades físicas do Mundo 1, precisa ser estudado filosoficamente: não pode ser estudado científicamente porque a mente humana, que constitui a fonte e a matéria subjetiva da Biblioteconomia, “é danosamente invisível e uma ciência com conteúdo invisível tende a se transformar em uma ciência invisível.”[58] Isso significa que as abstrações formais do conhecimento precisam ser comunicadas utilizando-se os recursos físicos do Mundo 1 como instrumentos simbólicos que referem a mente à ideías nos Mundos 2 e 3. A comunicação do conhecimento, dessa maneira, não pode ser confundida com os instrumentos físicos pelos quais o conhecimento é comunicado.
O uso humano de símbolos engloba todos os problemas com relação à informação do Século XX. Causou a explosão moderna do conhecimento, que esmaga todos com suas tsunamis de informação; e lançou um esforço sofisticado para trazer nossos profundos oceanos de símbolos sob o controle da tecnologia de eletrônicos. As preocupações informacionais que penetram todos os aspectos da sociedade recaem sobre o coração da Biblioteconomia; mas os bibliotecários e seus educadores tentaram lidar com elas através da Ciência da Informação, que super-enfatiza o aspecto mecânico da tecnologia das comunicações e ignora o aspecto específicamente humano da comunicação, reduzindo conhecimento à sinais físicos. O refinamento da tecnologia, certamente, é uma excelente maneira de gerenciar conhecimento; mas não é o gerenciamente do conhecimento. A construção de maiores e melhores intimidadores para que se empurre a difusão das manifestações físicas da comunicação ou descobrir o potencial comunicativo de raios laser e pacotes de fibra de vidro, pode ser um tremendo impulso para a comunicação; mas eles não são comunicação. É simples e completamente impossível gerenciar conhecimento a não ser que o complexo relacionamento de sinais comunicativos com seus significados subjetivos seja entendido e controlado; e entendido que relacionamento psicofísico clama por uma teoria dualística que é compreensiva o suficiente para explicar exatamente como símbolos físicos são interligados com seus referênciais metafísicos e os seres humanos. Esse tipo de teoria da comunicação compreensiva é precisamente o que está faltando à Biblioteconomia nos dias de hoje.
Antes de falecer em 1982, Shera reverteu seus pensamentos anteriores sobre Ciência da Informação nessas palavras.
Vinte anos atrás, eu pensei sobre o que é hoje chamada de Ciência da Informação como fornecedora das fundações intelectuais e teoréticas da Biblioteconomia, mas agora estou convencido de que estava errado… Eu questiono seriamente se existe uma real interdisciplinaridade entre a Biblioteconomia e a Ciência da Informação… Nós precisamos olhar para outras disciplinas para suas relações interdisciplinares e o núcleo da sua teoria. [59]
Shera posteriormente recomendou interacionismo simbólico para a profissão da Biblioteconomia porque ele sabia que monística “confusão entre dados e idéias,” que entende dados como idéias, “leva à confusão entre sistemas de dados e sistemas de idéias” que embriaga a comunidade da informação hoje. [60] “Essa confusão de idéias e dados,” ele diz “pode ser consertada apenas através da distinção entre sistemas de dados e sistemas de idéias” [61] – uma insustentável distinção que monistas cientistas não pretendem ou podem fazer. Assim, a insistência de Shera no começo dos anos de 1980 que o “problema geral da informação possui três aspectos e [que] nós apresentamos apenas dois deles” é essencialmente correto: a explosão informacional foi amplamente divulgada pela sua escola de Biblioteconomia em Western Reserve; e a profissão da Biblioteconomia finalmente aceitou a tecnologia como uma forma de lidar com isso.[63] Mas para tudo isso, os profissionais da informação, que são largamente comprometidos com o materialismo empírico da ciência, nunca enfrentaram as realidades intelectuais derivadas do uso humano de símbolos.
Os problemas fundamentais da Biblioteconomia não são tecnológicos, nem possuem soluções empíricas: eles são problemas intelectuais que requerem soluções filosóficas. A examinação crítica da comunicação mediada simbólicamente, além disso, oferece à bibliotecários e cientistas da informação a chance de aprender a lidar com os problemas. Mas o interacionismo simbólico também nos confronta com duas alternativas: nós podemos investigar as realidades intelectuais da comunicação simbólica e aprender a limpar a sujeira em que estamos, ou podemos apenas nos preparar para aprender a viver dentro da sujeira. O antigo é o melhor caminho – - não há dúvidas nisso; mas segui-lo será difícil, porque o novo é até agora a única coisa experimentada pelos profissionais da informação.
Notas
[1] Science and the Modern World (“Lowell’s Lectures,” 1925; New York: Macmillan, 1962), 71.
[2] Interacionismo simbólico se espreita no pano de fundo de virtualmente tudo exceto teoria de sistemas, por exemplo, nas duas edições de Stephen W. Littlejohn, Theories of Human Communication (1st ed., Columbus, Ohio: Charles E. Merrill, 1978; and 2d ed., Belmont, Calif.: Wadsworth Publishing Co., 1983). Esse trabalho é um maravilhoso índice para a literatua da teoria da comunicação, mas as vezes desaponta nas suas próprias discussões da comunicação.
[3] “Peirce introduziu o termo ‘pragmatismo’ em 1878 como o nome da teoria do significado,” William L. Reese, Dictionary of Philosophy and Religion: Eastern and Western Thought (Atlantic Highlands, N.J.: Humanities Press, 1980), 419. “Pragmatismo conceitual’ de Lewis, como ele chamou sua posição…inclui…intenções de criar uma filosofia crítica do conhecimento e comunicação,” H.S. Thayer, Meaning and Action: a study of American Pragmatism (New York, Bobbs-Merrill, 1973), 148. Lewis também insistiu que o elemento pragmático do conhecimento é o elemento a priori (o que a mente contribui para o conhecimento), não o elemento empírico (o que o mundo traz ao conhecimento), ibid., 154, 158, 163, 172.
[4] Sobre James como popularizador e pervertor do pragmatismo, veja ibid., 127. “O julgamento usual é que James compreendeu errado, aplicou errado e direcionou errado o pragmatismo de Pierce,” somando que “Pierce certamente tinha o direito de protestar contra o que James estava fazendo.” Nas vastas diferenças entre Pierce e James, veja ibid., 13, 21-22, 74, 76-78, 81-82, 86-88, 97-98, 105, 109 e n. 7, 216-128, etc. Peirce, lembre-se, recristinou pragmatismo em 1905 como “pragmaticismo,” um termo feio suficiente, ele cismou, para proteger dos sequestradores – como James e extendendo um pouco, como Dewey. Sobre as diferenças de James com o pragmatismo recente, veja ibid., 218: “Os recentes pragmatistas, especialmente Dewey, Mead e Lewis, encontraram séria imperfeições na maneira em que James enxergava a mais larga cena filosófica na qual o pragmatismo foi introduzida.” Dewey rejeitou o “anti-intelectualismo na filosofia em James, sua descrença de abstrações científicas e sua inabilidade de ver o significado do método científico como parte vital do questionamento filosófico e interpretações do comportamente,” ibid. Mead satirizou noções populares dos pragmatistas, indubitávelmente com James em mente, Hans Joas, G. H. Mead; a Contemporary re-examination of his Thought, tr. R. Meyer (Cambridge, Mass.: MIT Press, 1985), 36 , citando a The Philosophy of the Act, de Mead, ed. Charles W. Morris (Chicago: University of Chicago Press, 1959), 97. E o “pragmatismo percentual” de William James poderia ser constantemente tratado pelo “pragmatismo conceitual” de C. I. Lewis com sua ênfase sobre “pragmático apriori” e sua insistência de que a filosofia propriamente “é o estudo do a priori,” C. I. Lewis, Mind and the World Order: Outline of a Theory Knowledge (New York: Dover, 1956), 36 e passim.
[5] Estou certo de que Kaplan alguma vez se descreveu como ”positivista por treinamento, pragmatista por inclinação”, apesar de eu não saber onde. Suas afinidades com Mead, entretanto, estão aparentes em qualquer lugar ao longo de sua discussão sobre pragmatismo no The New World of Philosophy (New York: Random House, 1961), 13-52, esp. 18, 22, 25, 30, 50.
[6] O estudo moderno da história intelectual, ou a história das idéias, foi criada por Arthur O. Lovejoy na Johns Hopkins University. Lovejoy examinou, e descobriu querendo, uma revolta no primeiro quarto deste século [XX] contra os dualismos ontológicos e epistemológicos em que filósofos como Russel, Whitehead e todos os pragmatistas americanos estavam envolvidos. Isso explica em parte, talvez, porque pragmatistas intelectuais como Mead e Kaplan geralmente mostram inclinaçõs monísticas que parecem ser mais aparentes do que reais. Kaplan, por exemplo, não pode fazer seguir a história das idéias sem acreditar que as idéias existam. Porém, ele parece negar sua existência rejeitando as duas culturas, e afirmando sua existência argumentando que bibliotecários precisam se preocupar com substância e conteúdo ou com ordem, estrutura e forma. Mas Lovejoy lançou a história das idéias especificamente porque a revolta dos monistas espetacularmente não obteve sucesso, como afirmada na conclusão de seu The Revolt Against Dualism: na Inquiry Concerning the Existence of Ideas (2d ed. “The Paul Carus Lectures,” 2; La Salle, Ill.: Open Court, 1960) 328-29: “A revolta…contra dualimo, tanto psicofísica como epistemológica, falharam. A essência da nossa experiência atual não consiste completamente, e é improvado e improvável que qualquer parte consista, de titulações que, sobre qualquer teoria plausível da constituição do mundo físico, podem supor ser membras daquele mundo; consiste de partículas que..estão presentes apenas dentro dos campos privados de consciências individuais…são destituídas…das propriedades e relações essencias implícitas tanto pelo conceito histórico de físico ou pelo seu conceito fisicista contemporâneo e possui propriedades que coisas físicas não possuem. Eles são, reduzidamente, essencialmente da natureza das ‘idéias’… E é através dessas entidades ideativas que qualquer conhecimento o qual nós podemos nos prender…do mundo físico e de quaiquer outras realidades externas aos nosso diversos campos de consciência, precisam ser mediados”.
[7] Veja, por exemplo, Karl R. Popper e John C. Eccles, The Self and its Brain (New York: Springer International, 1978), 11 n.7: “Existem certas similaridades entre minhas idéias [sobre o caráter e as idéias]…do pragmatista americano G. H. Mead”. Tais similaridades são frequentes e bem pronunciadas entre esses dois filósofos.
[8] Peter Munz, Our Knowledge of the Growth of Knowledge: Popper or Wittgenstein? (Boston: Routledge & Kegan Paul, 1985), 225-26.
[9] Aqueles que discutiram que Popper é irrelevante e ultrapassado, consequentemente, precisam encarar o fato de que não há virtualmente nada em Popper que não aparece, pelo menos implicitado, em Platão, e que Platão definitivamente não é irrelevante também, nem nunca irá desaparecer da tradição intelectual ocidental. Todos estes argumentos, são argumento com Platão, não com individuais filósofos da forma [form-philosophers] como Popper, Kaplan ou Mead.
[10] Especialmente em Karl R. Popper, Objective Knowledge: an Evolutionary Approach (Oxford: Clarendon Press, 1972), que possui nove capítulos e um apêndice sobre o tema, e em Popper e Eccles, The Self and Its Brain.
[11] Em Popper e Eccles, The Self and Its Brains; em duas monografias por John C. Eccles, The Human Mistery (“Gifford Lectures,” 1977-78; New York: Springer International, 1979) e The Human Psyche (“Gifford Lectures,” 1978-79; New York: Springer International, 1980); em John C. Eccles e Daniel N. Robinson, The Wonder of Being Human; Our Brain and Our Mind (New York: Free Press, 1984); em um maravilhoso e sucinto sumário do livro acima entitulado “The Mistery of Personal Existence,”que eu pessoalmente editei para Scholar and Educator, vo. 7, n. 1 (Spring, 1983), 5-18, porque eu o considero o melhor resumo da filosofia dos 3 Mundos de Popper; e em muitas outras fontes.
[12] Essa seção é baseada em meu artigo “From Chaos to Kaplan; a Sga of Library Literature, Scholar and Educator, vol. 8, n. 1 (Spring, 1984), 11-31, que também está incluso em “The Symbol and its Referent; na Issue for Library Education,” Library Trends, vol. 34, n. 4 (Spring 1986), 729-76.
[13] Abraham Kaplan, “The Age of the Symbol—a Philosophy of Library Education,” em Don R. Swanson, ed., The Intellectual Foundations of Library Education … (Chicago: University of Chicago Press, 1965), 7.
[14] Ibid. Itálico
[15] Ibid.
[16] Ibid., 8.
[17] Veja H. Curtis Wright , “Shera as a Bridge between Librarianship and Information Science,” Journal of Library History, vol. 20, no. 2 (Spring, 1985), 149.
[18] Kaplan, “The Age of the Symbol,” 7.
[19] Ibid., 8.
[20] Ibid. Itálico
[21] Daniel Bell, The Coming of Post-industrial Society: a Venture in Social Forecasting. (New York: Baic Books, 1973), 18-20. Itálico
[22] Kaplan, “The Age of the Symbol,” 8.
[23] Veja George Herbert Mead, “Herr Lasswitz on Energy and Epistemology,” Psychological Review, 1 (1894), 173.
[24] Kaplan, “The Age of the Symbol,” 12.
[25] Ibid.
[26] Jesse H. Shera, The Foundations of Education for Librarianship (New York: Becker and Hayes, 1972), 358.
[27] Jesse H. Shera, “Librarianship and Information Science,” em Fritz Machlup e Una Mansfield, eds., The Study of Information: Interdisciplinary Messages. (New York: Joh Wiley and Sons, 1983), 386. Para uma visão recente de interacionismo simbólico, veja Vernon W. Larsen e H. Curtis Wright, “Symbolic Interacionism Theory”, Scholar and Educator, vol. 11, n. 1 (Spring 1987), 49-71.
[28] Jerome G. Manis e Bernard N. Meltzer, eds., Symbolic Interaction: a Readir in Social Psychology (3d ed.; Boston: Allyn and Bacon, 1978), 8.
[29] Arnold M. Rose, “A Systematic Summary of Symbolic Interaction Theory,”em Arnold M. Rose, ed., Human Behavior and Social Processes: na Interactionist Approach. (Boston: Houghthon Mifflin, 1962), 6.
[30] Rose, “Systematic Summary,”12.
[31] Manis e Meltzer, eds., “Symbolic Interaction”, 6.
[32] Rose, “Systematic Summary,”9.
[33] Alfred North Whitehead, Science and the Modern World (New York: Macmillan, 1962), 81.
[34] P. T. Matthews, The Nuclear Apple: Recent Discoveries in Fundamental Physics (London: Chatto and Windus, 1971), 144.
[35] Ibid.
[36] Whitehead, Science and the Modern World , 48.
[37] Stephen W. Littlejohn, Theories of Human Communication (Columbus, Ohio: Charles E. Merrill, 1978), 76.
[38] Veja figura 1, onde a filosofia dos 3 Mundos de Popper está diagramada segundo informações presentes na fig. 7-2 de Eccles, The Human Psyche, 171, com informações auxiliares tiradas das figs. 1-2, 1-4, e 1-7 de ibid., 7, 8 ,19, e das figs. 10-1, 10-2 e 10-8 de Eccles, The Human Mistery, 211, 212, 223.
[39] John C. Eccles, “The Mistery of Personal Existence,” Scholar and Educator, 7 (Spring, 1983), 7.
[40] John C. Eccles, The Human Psyche (New York: Springer-Verlag, 1980), 168.
[41] Eccles, “The Mistery of Personal Existence”, 7.
[42] Eccles, The Human Psyche, 168.
[43] Popper e Eccles, The Self and its Brain, 47.
[44] Eccles, “The Mistery of Personal Existence”, 8.
[45] Ibid.
[46] Popper e Eccles, The Self and its Brain, 37.
[47] Eccles, “The Mistery of Personal Existence”, 10.
[48] A interface mente-documento está diagramada na Figura 2, e elaborada no sistema completo da Biblioteconomia na Figura 3. Essas figuras, que são modificas do diagrama de círculos em Conrad H. Rawski, ed., Toward a Theory of Librarianship: Papers in Honor of Jesse Hauk Shera (Metuchen, N.J.: Scarecrow Press, 1973), 128, deve ser consultado juntamente com a discussão que segue.
[49] Eric A. Havelock, Preface to Plato (Cambridge, Mass.: Belknap Press, 1963), vii.
[50] Um problema crescente em qualquer lugar na Biblioteconomia pode então ser considerado sob duas perspectivas, indicadas pelas sub linhas indicadas em pesquisa basic e investigação ad hoc aos problemas típicos da interface “c”. Outras sub linhas, que foram omitidas para que se simplificasse o diagrama, devem ser entendidas relacionando os dois modelos de indagação a todas as áreas-problemas em Biblioteconomia.
[51] Jesse H. Shera, “Librarians Against Machines,” Wilson Library Buletin, vol. 42, n. 1, (September, 1967), 71-72.
[52] Ibid., 72.
[53] Existem entretanto “documentos” orais e escritos. Exemplos são os poemas Homéricos, as sagas Islandesas, e a constituição oral de Sparta, que foi chamada de rethra (do grego reo, “flutuar”, como em rios, discurso, retórica, etc.)
[54] Essa é a visão endeusada do homo perfectus que pode ser um bem conhecido onipotente leitor flutuando distante sobre um diagrama por exemplo, enxergando-o objetivamente desligado através e fora do diagrama propriamente.
[55] Veja dois dos meus artigos sobre esse tema, “The Informational Function of the Physical Datum in Human Communication,” Scholar and Educator, Spring, 1979, 27-34; e “The Instrumentality of Data,” NLA Newsletter, 6 (May, 1981), 4-9.
[56] O modo fato-à-sujeito de comunicação intrapessoal é consequentemente confinada à função administrativa do bibliotecário, que é profundamente envolvida com os instrumentos comunicativos da Biblioteconomia.
[57] Veja Jesse H. Shera, Libraries and the Organization of Knowledge, ed. D.J. Foskett (Hamden, Conn.: Archon Books, 1965), 176.
[58] G. A. Miller, E. Galanter e K. H. Pribam, Plans and the Structure of Behavior (New York: Holt, 1960), 6.
[59] Shera, “Librarianship and Information Science,”383.
[60] Ibid., 384.
[61] Ibid., 386.
[62] Ibid., 135.
[63] O comércio de computadores [computer business] está vivo e florescendo na Biblioteconomia hoje, apesar da Biblioteconomia definitivamente não estar no comércio de computadores.
H. Curtis Wright
Tradução de Moreno Barros
______________________________
WRIGHT, Curtis H. Biblioteconomia e comunicação mediada por símbolos. ExtraLibris, 2005. Disponível em <http://academica.extralibris.info/teoria_da_biblio/comunicacao_mediada_por_simbol.html>. Acesso em: 11 out. 2005.

Publicado em 13|04|2009 por ExtraLibris