Diogo Mainardi
Minha experiência, ao contrário do que afirma o documento de Ottaviano Carlo De Fiore, é que o hábito da leitura constitui o maior obstáculo para a ascensão social e o poder pessoal no Brasil. Não é um acaso que aqueles que vivem de livros – os escritores – se encontrem no patamar mais baixo de nossa escala social. Muito mais baixo do que políticos, estrelas, sindicalistas, professores, religiosos ou jornalistas. De fato, basta entrar no Congresso, num estúdio de TV, numa universidade ou numa redação de jornal para ver que todos os presentes têm verdadeira aversão por livros. Eles sabem que livros não ajudam a conquistar poder, dinheiro, respeitabilidade. Livros só atrapalham.
Ítalo Calvino
A leitura de um clássico deve oferecere-nos alguma surpresa em relação à imagem que dele tínhamos. Por isso, nunca será demais recomendar a leitura direta dos textos originais, evitando o mais possível bibliografia crítica, comentários, interpretações. A escola e a universidade deveriam servir para fazer entender que nenhum livro que fala de outro livro diz mais sobre o livro em questão; mas fazem de tudo para que se acredite no contrário. Existe uma inversão de valores muito difundida segundo a qual a introdução, o instrumental crítico, a bibliografia são usados como cortina de fumaça para esconder aquilo que o texto tem a dizer e que só pode dizer se o deixarmos falar sem intermediários que pretendam saber mais do que ele.
Arthur Schopenhauer
É por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Esta arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público, o tempo todo, como panfletos políticos ou literários, romances, poemas, etc., que fazem tanto barulho durante algum tempo, atingindo mesmo várias edições no seu primeiro e último ano de vida: deve-se pensar, ao contrário, que quem escreve para palhaços sempre encontra um grande público e consagre-se o tempo sempre muito reduzido de leitura unicamente às obras dos grandes espíritos de todos os tempos e de todos os países, que se destacam do resto da humanidade e que a voz da fama identifica. Só eles educam e ensinam realmente. Os ruins nunca lemos de menos e os bons nunca relemos demais. Os livros ruins são veneno intelectual: eles estragam o espírito. Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos.

Concordo com o Calvino e o Schopenhauer. Ler os clássicos e literatura de nível é essencial. O Mainardi é um idiota……
Essa discussão já havia ocorrida na ExtraLibris, então só vou reproduzir aqui:
Mainardi fala sério. Mas há dois aspectos a diferenciar no seu texto: um, a crítica ao comportamento brasileiro; outro, as conclusões que aponta a partir daquela.
Onde fala sério é que o brasileiro médio não lê, nem nos estúdios de TV, nem nas universidades, nem no Congresso ou nas redações de jornais.
Onde é irônico é ao dizer que, já que as pessoas “mais importantes” do país não lêem, ler não serve para nada.
Claro que ler serve. É o comportamento do brasileiro médio e de suas elites que está sendo ironizado, não o hábito de ler. É o fato de se prestigiar alguém não por mérito, mas por laços pessoais, pelo sucesso na mídia, pela participação político-partidária.
Pede-se a estrelas de várias áreas que promovam a leitura quando se sabe que tais pessoas não lêem ou, quando lêem, lêem maus livros, ou quando lêem bons livros, não os entendem.
Saudações
Alex Lennine.
OK! Eu também entendi isso, mas o Mainardi tem mania de ser contundente demais. Frases de efeito, observações fechadas. Não gosto! Lembro dele falando mal do Guimarães Rosa ( que eu amo) dizendo que escritor brasileiro gosta de pobreza. Francamente…. nem perco mais tempo lendo a sua coluna.