Por várias vezes, em diferentes lugares do Brasil e do exterior, afirmei que uma revolução qualitativa da leitura brasileira tem de contemplar, necessariamente, questões relacionadas com a existência de uma rede articulada de bibliotecas e pela ampliação pedagógica do trabalho dos bibliotecários.
Neste texto, retomo, reitero e amplifico esse posicionamento mesmo porque os governos continuamente cometem verdadeiros crimes para escamotear as necessidades de trabalho científico, tecnológico e técnico no âmbito da organização e disponibilização de acervos de leitura para as múltiplas comunidades existentes nas regiões brasileiras.
Esta declaração dos termos de serviço do Livro é derivada dos princípios da esfera pública, cobertos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Declaração da Independência Americana, a Magna Carta, a regra de Ouro, o Bhagavad Gita, bem como as obras de Virginia Woolf, Friedrich Nietzsche, Booker T. Washington, Emily Dickinson, Karl Marx, Thomas Carlyle, Ralph Waldo Emerson, Thomas Paine, Mary Shelley, John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Voltaire, Marquês de Sade, John Milton, Michel de Montaigne, Erasmus, Francis Bacon, Martinho Lutero, Tomás de Aquino, Maimonides, Hypatia, Agostinho, Aristóteles e Platão, entre outros documentos, não exclusivos de outros atos e acordos passados, presentes e futuros. Ao utilizar O Livro, quer pela criação de trabalhos em forma de Livro (escrito) ou para derivação de informação e /ou prazer de outras obras na forma falada (leitura), você não precisa, necessariamente, subscrever aos princípios previsto nestes referidos documentos. Mas eles protegem os seus direitos e sugerem suas responsabilidades.
A idéia de uma Terra esférica provavelmente cresceu independentemente em muitas culturas, mas o que nós sabemos é que os influentes gregos filósofos como Platão e Aristóteles quem estabeleceram essa idéia no pensamento ocidental. Com a força da lógica convincente de Aristóteles, os gregos aceitaram a esfericidade da Terra como um fato, mas eles não tinham resposta para a próxima pergunta: qual é o tamanho dessa esfera? A primeira medição conhecida da Terra não aconteceu antes que, no terceiro século antes de Cristo, um bibliotecário chamado Eratóstenes teve uma inspiração.
Diz-se que os praticantes da crítica literária são os críticos de literatura; isso é, aqueles que revisam e criticam trabalhos de ficção. Mas onde estão, alguém pode perguntar, os críticos da funcionalidade e legitimidade dos sistemas de organização do conhecimento? Estes são, por exemplo, bibliografias, sistemas de classificação, tesauros, enciclopédias e máquinas de busca – todos os sistemas que de uma maneira ou outra são os mediadores da parte registrada da sociedade e da cultura. Tais sistemas de organização do conhecimento são também as ferramentas profissionais dos bibliotecários. Por essa razão, nós deveríamos imaginar que os bibliotecários possuem muito a dizer sobre o papel e utilidade desses sistemas na mediação da sociedade e cultura, mas é difícil dentro da arena pública encontrar e escutar as vozes críticas de bibliotecários argumentando sobre os sistemas de organização do conhecimento.
Edson Nery da Fonseca
Tudo isso é o resultado de uma formação profissional defeituosa, caracterizada pela hipertrofia da técnica, com prejuízo da filosofia biblioteconômica, da cultura que é ingrediente indispensável no treinamento de bibliotecários. Ensina-se um know-how deficiente e capenga, porque desligado do contexto natural da Biblioteconomia, que é a cultura. Ensina-se "como fazer", sem explicar "porque" e "para que" fazer, de tudo resultando bibliotecários que fazem fichas como o pobre do Carlitos manipulava as chaves de parafuso: criando automatismos puramente animais.
Otto Maria Carpeaux
A Biblioteconomia é uma técnica; aprende-se em cursos teóricos – os atuais são perfeitamente suficientes – e em estágio prático numa biblioteca bem organizada. O curso universitário de Biblioteconomia não poderia dar mais, se não fosse mais teoria biblioteconômica; teoria de cujo valor prático muitos entendidos duvidam. Contudo, seria possível, numa Faculdade, melhorar [...]
Alho, vodca e políticas de gênero:
anti-intelectualidade na Biblioteconomia americana
Michael Winter
O tópico pode surpreender, afinal os bibliotecários são tão obviamente intelectuais, ou pelo menos são amantes dos livros, ainda que tenham sido chamados, talvez injustamente, inimigos dos livros (Adams 1937). Eles são, para usar a agradável frase neutra de Seymour Martin Lipset, distribuidores de cultura (Lipset [...]
É comum ouvirmos hoje que bibliotecários devem ser educadores, marqueteiros, informáticos, administradores... Esta idéia apresenta, no mínimo, dois problemas graves. O primeiro é que evidencia de pronto que os bibliotecários ou não sabem ou não podem ou não querem ser o que se espera deles que sejam: bibliotecários. O segundo é que se nota que apesar de reconhecer a importância desses conhecimentos para uma melhor atuação, não se vê iniciativas correspondentes de formação nestas áreas – pouco se estuda de pedagogia, marketing, informática, administração... Biblioteconomia é uma especialidade. São necessários estudos apropriados para atuar como um seu profissional, isto porque é preciso ser iniciado em seu mundo particular de teorias, técnicas e tecnologias, como com todas as profissões e ciências – são limitadas, compartimentadas e reducionistas, necessariamente. Têm escopo. Portanto, não são panacéias, não dizem respeito a tudo.
Em qual extensão a transformação do lado tecnológico nas bibliotecas está relacionada com as mudanças na biblioteconomia? Em qual extensão os pesquisadores da geração do milênio vão eliminar a necessidade de um profissional bibliotecário, e em qual extensão eles desejarão servir a si mesmos, acessando a tecnologia da biblioteca diretamente?
As bibliotecas têm tomado duros golpes nos últimos meses, levantando questões sobre se e como irão sobreviver a uma superfície de informação em constante mudança. O anúncio de uma universidade americana sobre a digitalização da sua biblioteca – descartando os livros – recebeu grande atenção da mídia e foi usado pela imprensa para levar a imagem de uma “biblioteca vazia” a um novo nível. O que o futuro guarda para as bibliotecas?
Alex Sandre Lennine I. Mota
Em recente artigo, critiquei o Projeto de Lei nº 1120/2007 dizendo-o, em suma, limitado, retrógrado, fútil e de alguma suspeita. Procurei elucidar no artigo as razões desta opinião, mas não pareço ter sido claro o bastante, a julgar pelas tréplicas que se seguiram. Vejamo-las.
Helio Kuramoto, coordenador-geral do IBICT, já nos comentários [...]
Obrigatoriedade de repositórios digitais na academia: limitação, retrocesso, futilidade e algumas suspeitas. [*]
Alex Sandre Lennine I. Mota
A cultura brasileira baseia-se na autoridade. O ambiente acadêmico, que deveria promover o questionamento ao argumento de autoridade, é quem mais promove sua idolatria. E o ambiente sócio-político, que, justo o contrário, deveria promover o fortalecimento e a defesa [...]
Christopher Fahey
O PowerPoint da Microsoft é freqüentemente responsabilizado pela qualidade pobre de muitas apresentações e por um suposto estado desastroso da comunicação tanto nas esferas privada quanto pública. Palestrantes são ignorados por sua presença mumificada no palco, imobilizados por sua própria superconfiança em slides e projeções sem sentido. Acredito que responsabilizar o Powerpoint ou o Keynote reduz a tecnologia ao conceito de apresentação multimídia. Nenhuma destas duas críticas tem sucesso em desacreditar a idéia básica de que imagens podem ajudar a tornar uma apresentação falada muito melhor, ilustrando conceitos, resumindo fatos-chave ou fornecendo entretenimento.
Gustavo Henn
Apresenta conceitos e teorias a respeito do conto "A Biblioteca de Babel", do escritor, poeta e bibliotecário argentino Jorge Luís Borges(1893-1986), mestre do realismo fantástico. Os livros, os símbolos e os meios de comunicação colocados pelo autor. Propõe tal texto como precursor da Internet e da sociedade em rede. Faz comentários à luz de artigos publicados na web por pesquisadores de renome internacional, como John Sowa e Claudio Salpeter. Conclui que os bibliotecários precisam se familiarizar com as obras que contribuem e acrescentam para sua profissão.
Gustavo Henn
Estão penalizando uma bibliotecária por "comercializar" um software que substitui o trabalho de outro bibliotecário. Ora, fazer isso é admitir que nós bibliotecários podemos, sim, ser substituídos por um mero software, o que me me faz sentir obsoleto. Será que um médico, um engenheiro, um advogado, um jornalista, um pedreiro, um jogador de futebol ou de basquete, um eletricista, um torneiro mecânico, enfim, algum outro profissional pode ser substituído por um software? Seria esse software, livre? Se for, ótimo, facilita o trabalho para aqueles que quisererm trocar seu bibliotecário por algo mais moderno.
Gustavo Henn
Pouco se escreve orientado para estudantes e profissionais. Não se publica por não haver o que publicar ou não se produz por não haver onde publicar? Um pode ser o corolário do outro. No entanto, ao se fazer um levantamento nos periódicos da área percebe-se que há sim produção e publicação orientada a estudantes (ainda que de pós-graduação). O problema é que boa parte dos novos autores que escrevem para periódicos científicos estão em busca de mais pontos no currículo, ou de cumprirem uma tarefa de casa da pós-graduação. Enquanto que os mais experientes pretendem consolidar seu nome em algum tema, ou dar retorno de suas pesquisas aos financiadores.
Alex Lennine
É preciso, assim, distinguir as atividades do âmbito da normalidade daquelas da esfera da normatividade, quer dizer, o que seja desenvolver trabalhos segundo os conceitos comuns (por assim dizer "normais") daqueles mais elaborados, refinados, prescritivos (ditos 'normativos'). Em suma, é preciso diferenciar "normalização" de normatização.
Diogo Mainardi
Minha experiência, ao contrário do que afirma o documento de Ottaviano Carlo De Fiore, é que o hábito da leitura constitui o maior obstáculo para a ascensão social e o poder pessoal no Brasil. Não é um acaso que aqueles que vivem de livros - os escritores - se encontrem no patamar mais baixo de nossa escala social. Muito mais baixo do que políticos, estrelas, sindicalistas, professores, religiosos ou jornalistas. De fato, basta entrar no Congresso, num estúdio de TV, numa universidade ou numa redação de jornal para ver que todos os presentes têm verdadeira aversão por livros. Eles sabem que livros não ajudam a conquistar poder, dinheiro, respeitabilidade. Livros só atrapalham.
Silvia Cortez
Apresenta Portugal como pioneiro em tornar sua censura literária modelo para a Europa. Enfoca a política desenvolvida para atingir este objetivo, através da prevenção, cooptação e repressão. Aborda a antecipação da nação lusa em criar mecanismos ao desenvolvimento intelectual antes da instalação da Inquisição e do Concílio de Trento.
BRIAN S. MATHEWS
Há um certo receio sobre o futuro de bibliotecas; o Google, o Amazon, Wikipedia, e MySpace se tornaram os principais destinos para interações informativas. Compreensivelmente, os bibliotecários estão preocupados. Que papel vamos assumir na paisagem dinâmica que está se deslocando para longe das nossas empreitadas tradicionais?
Sob minha ótica, temos uma grande oportunidade: as [...]
Quando David Foster Wallace, lendo a versão audiobook [livro gravado em áudio] de sua recém publicada coleção de ensaios “Consider the Lobster” (Time Warner Audiobook) chega a uma das muitas notas de rodapé, os ouvintes podem sentir necessidade de ajustar o volume – sua voz soa instantaneamente distante, como se ele tivesse caído em um poço. Então, terminada a nota de rodapé, sua voz retorna, também repentinamente, ao normal. Para Runnette, com experiência de 15 anos na gravação de audiobooks e ganhador de três prêmios Grammy, essa é a primeira vez que ele tem que refletir sobre como soa uma nota de rodapé. Mas a indústria incessantemente aplica uma dessas questões que exigem pensamento rápido. Como é o som de uma ilustração? Ou um gráfico? Um mapa? Uma foto? Uma página em branco?
Eis uma lista de 10 tecnologias que eu acredito que os bibliotecários devem estar atentos em 2006, correlatas com as discussões de Web 2.0, Biblioteca 2.0 e o futuros dos serviços de biblioteca. Algumas funcionarão para a maioria das bibliotecas, outras não. No planejamento estratégico, reuniões sobre planos a longo prazo da biblioteca e discussões em qualquer encarnação do comitê sobre tecnologias emergentes, eu gostaria que houvesse um bibliotecário "a par das novidades" na mesa, capaz de falar sobre todas essas coisas.
Alguém já experimentou escrever artigos? As revistas aceitam artigos mas suas idéias não podem aparecer ou se você tem algo a dizer só pode fazê-lo pela boca de outrem. O corpo do outro tem sempre um valor inquestionável. Seu corpo! Quem é você? Tem que sair correndo à cata de outro alguém; vivo ou morto não importa, melhor se for de bem longe daqui. As tais bibliografias... inseridas no texto, coladinhas. Se acontecer de você ter idéias que ainda outros corpos não tiveram, terá que esperar... dizem que a idéia da coisa está sempre no ar: pirâmides no Egito, pirâmides no Peru, mas sempre pirâmides... quando a idéia explode, alguém já pegou: seu trabalho de pesquisa é descobrir quem pegou primeiro. Cientificamente.
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
LEILA MERCADANTE
Professora de Biblioteconomia, bibliotecária-chefe da Unesp, Marília / SP.
Revista Palavra-chave, São Paulo, n.1, p.13-14, 1982.
A biblioteca universitária brasileira tem merecido, nos últimos anos, especial atenção de estudiosos, aqui e fora do Brasil. Enfocando aspectos importantes, discutindo suas funções, avaliando seu desempenho, propondo padrões para seu desenvolvimento, alguns trabalhos demonstram o grau de maturidade [...]
O que justificaria a demanda por bibliotecas públicas? Deixando de lado o objetivo da auto-educação, cujo valor, como mecanismo de mobilidade social é bastante discutível numa sociedade que somente valoriza o saber conferido pelo diploma, por que motivo, fora do campo educacional, alguém recorreria à biblioteca pública? Coloquemos a questão de outra forma: o que teria a biblioteca pública a oferecer à maioria da população para que esta se apropriasse efetivamente de uma instituição que, pelo adjetivo, aspira a ser sua? Não se trata de, ingenuamente, dar respostas com base em números, em estatísticas de freqüência e uso de materiais. Trata-se de conhecer, com base em critérios qualitativos, qual papel a biblioteca pública deve desempenhar.
January 9, 2010
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