Uma biblioteca para sempre

Posted October 22nd, 2009 in Ferramentas e Recursos by ExtraLibris

por Sergey Brin, co-fundador e o presidente de tecnologia do Google. sergey

Tradução colaborativa de Sibele Fausto, Isadora Garrido, Moreno Barros, Fabíola Pinudo, Jacqueline Cunha e Ana Patricia Guimarães.

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“As razões fundamentais pelas quais o carro elétrico não tenha atingido a popularidade que merece são (1) O fracasso dos fabricantes em educar de maneira adequada o público em geral a respeito da maravilhosa utilidade do carro elétrico;  (2) O fracasso das [empresas de energia] em tornar mais fácil para manter e operar o carro elétrico por meio de uma distribuição adequada de postos de recarga e abastecimento. A velocidade, alcance e utilidade limitados dos primeiros carros elétricos produziram impressões populares que ainda permanecem. ”

Essa citação dificilmente surpreenderia qualquer pessoa que entende de veículos elétricos. Mas pode ser surpreendente saber que no ano em que foi escrita milhares de carros elétricos foram produzidos e esse ano foi há quase um século atrás. Isso apareceu numa edição de 1916 da revista Electrical World (Mundo Elétrico), que encontrei no Google Books, nosso repositório de busca de milhões de livros. Pode parecer estranho voltar o olhar cem anos atrás num assunto que é tão contemporâneo, embora eu ainda ache que o passado tenha lições valiosas para o futuro. Nesse caso, eu tive sorte – veículos elétricos foram estudados e têm uma literatura extensa no início do século XX, e existem vários livros sobre o assunto para se escolher. Como os livros publicados antes de 1923 estão em domínio público, eu posso vê-los facilmente.

Mas a grande maioria dos livros produzidos não é acessível a ninguém, exceto os pesquisadores mais tenazes nas grandes bibliotecas acadêmicas. Os livros escritos depois de 1923 desaparecem rapidamente em um buraco negro literário. Com raras exceções, é possível comprá-los apenas por um pequeno período de anos enquanto estão sendo impressos. Depois disso, eles são encontrados somente em um número ínfimo de bibliotecas e sebos. Com o passar dos anos, os contratos se perdem ou são esquecidos, autores e editoras desaparecem, os detentores dos direitos se tornam impossíveis de rastrear.

Inevitavelmente, as poucas cópias remanescentes de livros são deixadas à lenta deterioração ou perdem-se em queimadas, enchentes e outros desastres. Enquanto eu estava em Stanford em 1998, enchentes prejudicaram ou destruíram dezenas de milhares de livros. Infelizmente, tais eventos não são incomuns – uma enchente similar aconteceu em Stanford há 20 anos atrás. Você poderia ler sobre isso no Relatório da Inundação da Biblioteca Stanford-Lockheed Meyer (The Stanford-Lockheed Meyer Library Flood Report), publicado em 1980, mas esse livro não está mais disponível.

Em razão dos livros serem uma parte tão importante do conhecimento coletivo do mundo e do patrimônio cultural, Larry Page, co-fundador do Google, propôs pela primeira vez  uma década atrás que todos os livros fossem digitalizados, quando ainda éramos principiantes. Na época o projeto foi visto como muito ambicioso e desafiador, o que tornou impossível atrair gente para trabalhar nele. Mas cinco anos depois, em 2004, o Google Books (então chamado de Google Print) nasceu, permitindo aos usuários pesquisar centenas de milhares de livros. Hoje, eles contam com mais de 10 milhões de títulos.

No ano seguinte, fomos processados pela Associação de Autores e a Associação de Editores Americanos por causa do projeto. Embora tenhamos tido divergências, temos um objetivo comum – liberar o conhecimento preso a um enorme número de livros que não são mais impressos (esgotados), enquanto compensamos de forma justa os detentores dos direitos. Como resultado, fomos capazes de trabalhar juntos para desenvolver um acordo que atendesse nossa visão compartilhada. Embora este acordo seja uma vitória para autores, editores e Google, os verdadeiros vencedores são os leitores que agora terão acesso a um mundo muito maior de livros.

Temos tido alguns debates sobre o acordo, e vários grupos mostraram suas opiniões, tanto a favor como contra. Eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para dispersar alguns mitos sobre o acordo e partilhar de por que de eu ter orgulho deste projeto. Esse acordo tem a finalidade de tornar disponíveis milhões de livros que não são mais produzidos, mas que ainda estão sob direitos autorais, seja por meio de um taxa, ou grátis em função da veiculação de anúncios, com a maioria da renda decorrente sendo revertida para os detentores dos direitos, sejam eles autores ou editores.

Alguns alegam que este acordo é uma forma de licença compulsória, pois,  como na maioria dos acordos em ações coletivas, a decisão se aplica a todos os membros que não optarem por uma determinada data. A realidade é que os titulares de direitos podem a qualquer momento definir preços e direitos de acesso para suas obras ou retirá-los do Google Books definitivamente.  Para os livros cujos detentores de direitos não tenham se posicionado, padrões razoáveis de preços e políticas de acesso serão definidos. Isso permite o acesso à muitas obras órfãs, cujos proprietários ainda não foram encontrados e acumulam receitas para os detentores de direitos, dando-lhes um incentivo para tomar partido.

Outros questionam o impacto do acordo sobre a concorrência, ou têm afirmado que ele limitaria a escolha do consumidor no que se refere aos livros esgotados. Na realidade, nada nesse acordo impede qualquer companhia ou organização de se empenhar em esforços semelhantes. O acordo limita a escolha do consumidor por livros esgotados tanto quanto limitaria sua escolha por unicórnios. Hoje, se você quer acessar um típico livro que não é mais publicado, você tem apenas uma escolha – voar para uma das poucas bibliotecas de ponta no país e esperar achá-lo entre as prateleiras.

Eu gostaria que existissem cem serviços com os quais eu pudesse facilmente olhar para tal livro; pouparia-me muito tempo, e pouparia ao Google uma tremenda quantidade de esforço. Mas apesar de um número de importantes esforços de digitalização hoje (o Google até mesmo ajudou a fundar outros, incluindo alguns da Library of Congress), nenhum esteve em uma escala comparável, simplesmente porque ninguém mais optou por investir os recursos necessários. Pelo menos um serviço como este terá que existir para que algum dia existam centenas deles.

Se o Google Books for bem sucedido, outros seguirão seu exemplo. E eles terão um caminho mais fácil: esse acordo cria um registro de direitos autorais que irá encorajar os detentores de direitos a aparecerem e irá prover uma forma conveniente para que outros projetos obtenham permissões. Apesar de novos projetos não obterem imediatamente os mesmos direitos a obras órfãs, o acordo será um sinal de compromisso em caso de um processo similar, e servirá como um precedente para a legislação de obras órfãs, a qual o Google sempre apoiou e continuará apoiando.

Por fim, houve objeções aos aspectos específicos do produto Google Books e o seu serviço futuro como previsto no acordo, incluindo questões sobre a qualidade da informação bibliográfica, nossa escolha pelo sistema de classificação e detalhes a respeito da nossa política de privacidade. Todos esses questionamentos são válidos, e sendo uma empresa obcecada ao extremo pela qualidade dos nossos produtos, estamos trabalhando bastante para respondê-los – melhorando a informação bibliográfica e a categorização e ainda, detalhando nossa política de privacidade. E se nós não nos sairmos bem com o nosso produto, outros conseguirão. Mas uma coisa certa é que impedir tal progresso é o mesmo que não se chegar a nenhum acordo.

Nos Anais de Seguros de 1880-1881, que eu achei no Google Books, Cornelius Walford registra a destruição de dezenas de bibliotecas e milhões de livros, na esperança que tal registro irá “deixar clara a necessidade de que algo precisa ser feito” para preservá-los. A famosa biblioteca de Alexandria foi destruída por incêndios três vezes em 48 A.C., 273 D.C 273 e 640 D.C., bem como a Library of Congress, onde um incêndio em 1851 destruiu dois terços da coleção.

Espero que tal destruição nunca aconteça de novo, mas a história sugere o contrário. E mais importante, mesmo que a nossa herança cultural permaneça intacta nas melhores bibliotecas do mundo, ela é efetivamente perdido se ninguém pode acessá-la facilmente. Muitas empresas, bibliotecas e organizações desempenharão um papel em salvar e tornar disponíveis as obras do século XX. Juntos, autores, editores e o Google estão dando apenas um passo em direção a esse objetivo, mas é um passo importante. Não vamos perder essa oportunidade.

Artigo original: A Library to Last Forever, publicado como editorial no NYT

Bibliotecários e Softwares Sociais

Posted September 24th, 2009 in Ferramentas e Recursos by ExtraLibris

Por que os bibliotecários deveriam se importar com softwares sociais?

Software social é obviamente uma tendência importante, mas por que os bibliotecários deveriam se preocupar com isso? Primeiramente, e mais importante, nossos usuários estão utilizando estas ferramentas. Não importa o tipo de biblioteca em que você trabalha, seus usuários estarão usando algum tipo de software social, seja através de mensagem instantânea/MSN, blogs, ou escutando podcasts. É importante estar ciente das ferramentas que os usuários utilizam para ver se você pode fornecer serviços fazendo uso das mesmas ferramentas. Se a vasta maioria dos seus usuários utiliza MSN, pode fazer sentido oferecer serviços virtuais de referência através de MSN. Se seus usuários são leitores ávidos de blogs, sua biblioteca pode querer começar um blog para disseminar informação sobre programas, serviços ou recursos.

Da mesma maneira que os softwares sociais podem melhorar as maneiras em que as bibliotecas comunicam-se com os usuários, eles podem também melhorar a comunicação interna e o compartilhamento do conhecimento. Blogs, wikis e social bookmarking podem exercer um papel. Um wiki sobre a base de conhecimento da biblioteca pode diminuir a dependência de uma pessoa sobre seus colegas. Blogs são uma grande maneira de disseminar notícias sobre impressoras quebradas ou bases de dados novas. Bookmarking social ajuda colegas a compartilhar links úteis. As bibliotecas devem examinar não somente como o software social pode melhorar serviços a seus usuários, mas devem também considerar como estas ferramentas podem melhorar a comunicação e a colaboração interna.

Finalmente, os bibliotecários frequentemente falam sobre fornecer expansão a seus usuários. Isto geralmente significa sair da biblioteca e fornecer os serviços onde os usuários congregam. Mas e se seus usuários estão se congregando online? As bibliotecas devem estar cientes dos mundos sociais online dos seus usuários, quer que seja jogos online Multiplayer (MMOGs), sites de relacionamento [Orkut] ou outras comunidades online. O que quer que seja o ambiente de seu usuário, considere como você pode fornecer serviços lá. Os bibliotecários podem fazer pesquisa de mercado, construir presença, fornecer serviços da referência e desenvolver portais de recursos da biblioteca nestes mundos online. Se os usuários gastam mais tempo online do que na biblioteca, faz sentido que as bibliotecas forneçam uma extensão online. As bibliotecas precisam olhar os softwares de aplicações sociais como ferramentas valiosas para comunicar-se com e servir a seus usuários atuais, bem como atrair usuários novos para a biblioteca. O software social pode fornecer uma cara humana a biblioteca além de suas paredes. Pode oferecê-las diversas maneiras de comunicar-se, colaborar, educar e dirigir serviços a seus usuários e outros membros da comunidade. O software social pode também ajudar as bibliotecas a posicionar-se como o centro online de suas comunidades. A tecnologia pode tornar as bibliotecas mais relevantes às pessoas que pensam que podem encontrar toda sua informação na Web, e ao mesmo tempo atrair uma população inteiramente nova para a biblioteca.

Meredith Farkas

Ning: o futuro da rede social online?

Posted May 27th, 2009 in Ferramentas e Recursos by ExtraLibris

Texto de Stephanie Chen
Tradução livre de Moreno Barros

Não importa se você é do futebol, gamão, Harry Potter ou heavy metal. O Ning têm uma rede pra você.

Criado há dois anos atrás, um website que vêm crescendo rapidamente, o Ning permite que seus membros construam suas próprias plataformas de redes sociais baseadas em suas paixões e passatempos.

Assim como o Facebook e o MySpace conectam pessoas aos seus amigos e famílias, o Ning agrega usuários em torno de interesses comuns. O site hospeda redes de amantes do hip-hop, viciados em video-games e vegetarianos.

O Ning recebeu 4,7 milhões de visitas únicas em janeiro e ultrapassou a marca de 1 milhão de redes sociais – cerca de 1/5 de todas elas é considerada ativa – no último mês.

O Ning também modificou seu site em março, incluindo novos recursos como o feed de atividade em tempo real, para que os usuários possam receber atualizações instantâneas – não muito diferente dos tweets do Twitter – sobre o que as outras pessoas estão fazendo.

CNN conversou recentemente com a CEO do Ning, Gina Bianchini, uma nativa do Silicon Valley e ex-analista da Goldman Sachs, sobre a empresa e o futuro das redes sociais.

CNN: De onde surgiu a idéia do Ning?
Bianchini: Nós iniciamos com uma premissa muito simples. O que aconteceria se você desse oportunidade às pessoas para que criassem suas próprias experiências sociais, para as suas próprias paixões/tópicos/interesses? Nós começamos do zero para construir isso, de maneira que pudesse ser customizada e programada e fosse inteiramente singular para cada indivíduo. Eu acredito que as idéias mais poderosas são as mais simples.

CNN: Qual é a missão do Ning?
Bianchini: É um meio de deixar as pessoas se organizarem e encontrar outras pessoas em torno de suas paixões.

CNN: Algum site ou empresa específica inspirou você a criar o Ning?
Bianchini: Nós ficamos bastante inspirados pela primeira onda de empresas de Internet verdadeiramente fiéis à Web, como o Craigslist e o eBay. Eles realmente se importavam com pessoas se conectando com outras pessoas. Eles realmente se importavam em utilizar a internet para fazer com que as pessoas se conectassem. Isso é completamente único da Internet – você não consegue fazer isso através da televisão ou dos jornais.

CNN: Você esperava que a idéia de conectar pessoas em torno de interesses comuns fosse se tornar tão bem sucedida?
Bianchini: O comportamento social é exatamente o que as pessoas querem fazer online. Ficou claro para a rápida adoção das redes sociais que esse era especialmente o caso.

CNN: Quais são algumas das redes sociais interessentas no Ning?
Bianchini: Existem 200 mil redes sociais ativas neste exato momento, e elas variam entre mais de 10 mil paixões distintas. Existe uma rede chamada “This is 50″. É sobre celebridades do hip hop. Outra é a “Pickens’ Plan”. É um meio de organização de mais de 200 mil pessoas sobre as políticas de energia eólica. Existe outra sobre cricket, especialmente o cricket indiano, que adicionais meio milhão de pessoas nas últimas duas semanas e meia. Existe uma outra sobre a saga Twilight para adolescentes. Então varia de 50 Cent à jovens conversando sobre Twilight, até adultos buscando uma maneira de mudar as políticas governamentais. Esse é o poder da Internet e o poder de conectar pessoas.

CNN: A que você atribui o crescimento do Ning?
Bianchini: O que é fundamental na adoção do Ning é que as pessoas são únicas, diferentes. Elas possuem interesses e paixões distintas e elas gostam de manter contato em função dessa experiência e de sua identidade.

CNN: O que faz o Ning ser diferente de outros sites de relacionamento?
Bianchini: Ele é focado em fornecer [os meios para as] pessoas para criar novas redes sociais em torno de seus interesses e paixões e conectar novas pessoas em torno dessas paixões. Nós acreditamos que esse seja um elemento crítico de organização. O fenômeno do Facebook conecta você às pessoas que você já conhece e o Twitter é incrível para notícias e eventos em tempo real. O que nós vemos com as pessoas que ingressam no Ning é que elas encontram novas pessoas com interesses similares.

CNN: Como o Ning pode ser útil para organizações e corporações?
Bianchini: Quando você consegue envolver as pessoas em torno de uma causa comum, existe um potencial incrível para arrecadar fundos e organizar voluntários.

CNN: Como o seu site ganha dinheiro?
Bianchini: Se você quiser adicionar a rede ao seu próprio domínio, por exemplo, você pode pagar a la carte pelas opções. No serviço grátis existem anúncios contextuais, relacionados ao que a rede é.

CNN: Quais são os seus pensamentos sobre o futuro das redes sociais?
Bianchini: Os sites de redes sociais de nicho são absolumento algo que as pessoas querem participar. Claramente as pessoas querem fazer isso… [e] quanto mais as pessoas se sentirem confortáveis com as redes sociais via Facebook, Twitter, elas vão olhar ao redor e dizer, “Eu quero uma rede social para esse grupo particular”.

CNN: Quais são alguns dos objetivos da sua empresa para o futuro?
Bianchini: Nós estamos muito focados em tornar nosso serviço perfeito para que as pessoas que chegam encontrem novas pessoas. Nós estamos crescendo bastante rápido e nós estamos vendo bastante interesse e novas pessoas entrando nas redes sociais.

* Entrevista originalmente publicada no CNN Technology
Ning: The future of online social networking?

Google revela o segredo do seu scanner de livros

Posted May 11th, 2009 in Ferramentas e Recursos by ExtraLibris

texto original de Maureen Clements
tradução livre de Moreno Barros

Outro dia, meu colega Kee Malesky me deixou surpreso com um artigo incrivelmente interessante publicado no site da New Scientist sobre o registro da patente 7508978. E você se pergunta, o que há de tão importante com a Patente 7508978 ? É a patente que explica como funciona a tecnologia proprietária do Google para scaneamento de livros.

google scanner patent

Antes do Google entrar em cena, o scaneamento de livros era um processo entediante que algumas vezes resultava na morte do livro. O software utilizado para scanear livros, chamado Optical Character Recognition ou simplesmente OCR, exigia que cada página do livro estivesse perfeitamente reta. Mas qualquer pessoa que já abriu um livro sabe que é quase impossível deixar um livro perfeitamente reto sem a ajuda de algum tipo de aparato. Uma solução para esse problema foi utilizar pranchas de vidro que achatavam cada página, mas esse método não era muito eficiente. A outra solução era desencadernar o livro, mas esse método destruía o livro. Como que alguém poderia scanear um livro de maneira rápida e eficiente sem destruí-lo? Era uma problema que irritou os scaneadores de livros, até que o Google apareceu com esta solução.

O Google criou uma interessante tecnologia de câmeras infravermelhas que detecta a forma tridimensional e o ângulo das páginas dos livros quando o livro é colocado sobre o scanner. Essa informação é transmitida ao software OCR, que ajusta as distorções e permite que o software de OCR leia o texto mais precisamente. Sem mais destruição das encadernações, sem mais pranchas de vidro ineficientes. O Google finalmente arranjou uma maneira de digitalizar livros em massa. Para todos aqueles que se perguntam “Como eles fariam isso?”, finalmente vocês tem suas respostas.

google_scanner

google_scanner_patente2

Patente 7508978

Texto original publicado no NPR, 30 de abril de 2009
http://www.npr.org/blogs/library/

Foto: scannin’

Descanse em paz, RSS

Posted May 10th, 2009 in Ferramentas e Recursos by ExtraLibris

Por Steve Gillmor, editor do TechCrunch
Tradução livre de Moreno Barros

Está na hora de se livrar completamente do RSS e migrar para o Twitter. RSS simplesmente não funciona mais. Não vale mais a pena nadar contra a maré.

Eu não visito o Google Reader há meses. O Google Reader é o leitor de RSS dominante. Eu fiz o cálculo: Twitter 365 Google Reader 0. Todos os meus feeds estão no Google Reader. Eu não vou mais lá. Já que todos os meus feeds estão no Google Reader e eu não vou mais lá, eu não uso mais RSS.

Claro, meus amigos usam RSS, ou costumavam usar. Praticamente todos os blogs fornecem um RSS feed, e agregadores como TechMeme rastreiam RSS feeds bem como as páginas originais dos sites. Eu compilei o TCIT, o feed do Gilmor Gang e o feed do minha conta no Youtube ao meu FriendFeed, mas isso é o FriendFeed usando RSS, não eu. Eu creio que o FriendFeed ofereça RSS, mas eu não uso.

O RSS modificou a maneira como nós processávamos informação, ao transformar as buscas em estímulo e conteúdo em pessoas. Antes do RSS, eu patrulhava a web por novidades. A informação não existia até que eu a encontrasse. O RSS me permitia identificar pessoas com propensão a escrever coisas interessantes, e rapidamente eu parei de procurar e passei a receber. Nesse mundo, feeds parciais eram irritantes, me tirando da minha redoma e me levando de volta à metodologia de caçar e atirar. Uma vez de volta ao site, o seu objetivo era me manter lá, ou linkar para sites parceiros.

Essa desconexão me distanciou dos feeds parciais e me levou em direção aos novos donos da blogosfera – o espaço profundo de informação daqueles feeds que respeitam o ambiente do leitor. Do NetNewsWire no Mac, ao Blogines e Google Reader, eu nadei nas águas agitadas do rio RSS, retornando à web clássica apenas a partir de links inseridos em posts ou newsletters no email. Os textos completos venceram, e no processo, plantaram a semente do declínio do RSS.

Enquanto o texto completo fatiava grande porcentagem do valor das notícias do dia, a navegação fora dos muros confortáveis do RSS exigia alguma proposição com valor adicional. Os comentários eram esse atrativo e particularmente os emaranhados [threads] ativos onde os leitores poderiam interagir com os autores. O resultado: a Statusfera. E em reação, a necessidade de gestão social desse ecosistema.

Twitter, Facebook, FriendFeed – desconsiderando a partir do que eles tenham surgido, se combinaram em um CMS em tempo real para a mídia emergente. Twitter, e não o RSS, se tornou o sistema primário para alerta de novo conteúdo. Facebook, e não o RSS, se tornou o rolodex social para eventos, introduções casuais ao sangue real do RSS, as pessoas por trás dos feeds. FriendFeed, e não o RSS, capturou a comentáriosfera. O RSS foi expulso de sua própria festa.

Hoje, o RSS é uma lembrança do seu antigo eu, casualmente reduzido à transporte para conteúdo como mais de 140 caracteres, ao stream social. Lá, os itens de RSS servem de alimento aos agregadores e recompactados para os seus sinais comportamentais, são empacotados como Tweets e vendidos por centavos no dólar whuffie [http://en.wikipedia.org/wiki/Whuffie]. A mídia mainstream, antes acorvadada pelos textos completos, agora se mascara como blogs e compete por URLs reduzidas juntamente com os blogueiros que eles ridicularizam sob sua respiração.

Eu achei que ia sentir falta do RSS quando o Twitter passou a dominar, lembrando o quanto foi poderosa a onda de inovação que ele conduziu. Certamente ainda está aqui, queimado nos circuitos da rede, os memes percorrendo suas veias. Mas na era de abundância que encorajou, o valor central se transpôs da inspiração para o inspirado, para as pessoas por trás das idéias.

A corrida pelo tempo real já está ganha. Como um grande trote nas corridas de cavalo, o tempo real vôou sobre o campo enquanto o resto estava sonambulando. O tempo real é tempo para os artistas, para a interpretação da difusão e para o envio de sinais com nuances de humor, música, respeito ao diálogo, mas nenhum para a conversinha dos debates falsos nos canais de tv aberta.

Esse é o mundo que o RSS criou. Agora ele precisa graciosamente retroceder, se incorporar ao cenário e encontrar uma nova casa nas ricas profundezas que nós estamos buscando em meio ao ruído. Depreciar o tumulto do tempo real é um erro tolo; é como reclamar que a vida é curta. Em vez disso, como Dylan disse:

May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young.

Texto original publicado no TechCrunch IT
Rest in Peace, RSS – Steve Gillmor – 5 de maio 2009
http://www.techcrunchit.com/2009/05/05/rest-in-peace-rss/

Foto: Weird Nightmare