Ítalo Calvino
A leitura de um clássico deve oferecere-nos alguma surpresa em relação à imagem que dele tínhamos. Por isso, nunca será demais recomendar a leitura direta dos textos originais, evitando o mais possível bibliografia crítica, comentários, interpretações. A escola e a universidade deveriam servir para fazer entender que nenhum livro que fala de outro livro diz mais sobre o livro em questão; mas fazem de tudo para que se acredite no contrário. Existe uma inversão de valores muito difundida segundo a qual a introdução, o instrumental crítico, a bibliografia são usados como cortina de fumaça para esconder aquilo que o texto tem a dizer e que só pode dizer se o deixarmos falar sem intermediários que pretendam saber mais do que ele.
Henry L. Roedinger, III
Muitas das habilidades críticas necessárias para tornar-se um acadêmico de sucesso não são em geral ensinadas nas escolas de graduação, pelo menos não de modo formal. Uma destas é como revisar artigos acadêmicos. Poucos estudantes oriundos das escolas de graduação têm alguma experiência em revisar artigos e, ao menos para aqueles que continuarão em atividades de pesquisa, a revisão é uma habilidade que se mostrará cada vez mais necessária durante o desenvolvimento de suas carreiras. De fato, ser um bom revisor pode ser de grande ajuda na carreira. Se um jovem acadêmico torna-se um revisor de destaque ele pode vir a ser indicado para editor, daí para editor-associado e daí, talvez, para editor-chefe de um periódico.
Patrick S. J. Carmack
Por que um movimento de livros? Porque ler é bom para a mente: requer do indivíduo adquirir habilidades intelectuais básicas; a arte da leitura; a arte de falar sobre o que é lido; a arte de pensar sobre o que é lido e discutido. Além disso, a leitura de livros aumenta a oportunidade para a mente ganhar introspecção, discernimento e sabedoria. Ler e discutir sobre o que é lido fornece condições propícias para a aquisição dessas qualidades mentais favoráveis. E por que grandes livros? Porque grandeza significa excelência - os maiores e melhores materiais que a mente humana pode explorar para que obtenha introspecção, discernimento e sabedoria.
Daniel Pennac
O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque se sabe mortal. Ele vive em grupo porque é gregário, mas lê porque se sabe só. Esta leitura é para ele uma companhia que não ocupa o lugar de qualquer outra, mas nenhuma outra companhia saberia substituir. Ela não lhe oferece qualquer explicação definitiva sobre seu destino, mas tece uma trama cerrada de conivência entre a vida e ele. Ínfimas e secretas conivências que falam da paradoxal felicidade de viver, enquanto elas mesmas deixam claro o trágico absurdo da vida. De tal forma que nossas razões para ler são tão estranhas quanto nossas razões para viver. E a ninguém é dado o poder para pedir contas dessa intimidade.
Arthur Schopenhauer
É por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Esta arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público, o tempo todo, como panfletos políticos ou literários, romances, poemas, etc., que fazem tanto barulho durante algum tempo, atingindo mesmo várias edições no seu primeiro e último ano de vida: deve-se pensar, ao contrário, que quem escreve para palhaços sempre encontra um grande público e consagre-se o tempo sempre muito reduzido de leitura unicamente às obras dos grandes espíritos de todos os tempos e de todos os países, que se destacam do resto da humanidade e que a voz da fama identifica. Só eles educam e ensinam realmente. Os ruins nunca lemos de menos e os bons nunca relemos demais. Os livros ruins são veneno intelectual: eles estragam o espírito. Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos.
Blanca Calvo
As bibliotecas garantem, ainda, o principal direito dos autores: o direito a serem lidos. A única coisa que transforma alguém em escritor é haver outra pessoa a ler o que ela escreva, e nada mais. Ser lido é requisito imprescindível e suficiente. A prova, para mim, é a estante de inéditos da biblioteca de Guadalajara: uma coleção surgida pela demanda de escritores que não viam publicadas suas obras e ainda assim nutriam a necessidade imperiosa de dá-las a conhecer. A biblioteca as imprime em um formato padrão, as encaderna e disponibiliza para empréstimo, e seus autores dão-se por satisfeitos ao vê-las nas estantes, à espera dos leitores que lhes dêem vida. Que perguntem a essas pessoas se as bibliotecas defendem os direitos de autor.
As bibliotecas sempre conectaram pontos. Nós conectamos as pessoas com informação, nós conectamos idéias às imaginações e nós conectamos indivíduos às comunidades. É por isso que o software social continua sendo um item bastante abordado em programas de conferências entre bibliotecários e nas publicações voltadas para o público dos profissionais das bibliotecas, tanto online como offline. Mesmo com as discussões sobre o movimento da Web 2.0, e a sua cria, Biblioteca 2.0, o software social – a conexão das pessoas entre pessoas utilizando softwares e a Internet - continua a ser um grande fator nas discussões sobre o que é agora e o que vai ser para os bibliotecários na vasta paisagem da informação.
Uma Guia para Estudantes em Escolas Profissionais
Philip E. Agre
Departamento de Estudos de Informação
Universidade da California, Los Angeles
http://polaris.gseis.ucla.edu/pagre/
Versão de 7 de Outubro de 2005
Trduzido com permisão do autor
Uma profissão é mais que um emprego – é uma comunidade e uma cultura. As profissões servem à sociedade juntando conhecimento entre os seus membros e criando estímulos para [...]
O movimento do open access [acesso aberto] para a literatura acadêmica e de pesquisa emergiu como uma resposta para o enorme e insustentável aumento nos preços dos periódicos e pacotes de periódicos para as bibliotecas acadêmicas. Entretanto, educadores que não são propriamente pesquisadores ou bibliotecários, não têm atuado ativamente no movimento de open access ou os debates que o envolvem. Claramente os editores estão preocupados com o impacto das e-reserves em seus royalties, da mesma maneira como se preocuparam sobre as apostilas fotocopiadas nos anos de 1990. O futuro dos livros didáticos open-access é obscuro, mas merece atenção.
A biblioteca escolar proporciona informação e ideias fundamentais para sermos bem sucedidos na sociedade actual, baseada na informação e no conhecimento. A biblioteca escolar desenvolve nos estudantes competências para a aprendizagem ao longo da vida e desenvolve a imaginação, permitindo-lhes tornarem-se cidadãos responsáveis.
Este Manifesto proclama a confiança que a UNESCO deposita na Biblioteca Pública, enquanto força viva para a educação, a cultura e a informação, e como agente essencial para a promoção da paz e do bem-estar espiritual nas mentes dos homens e das mulheres. Assim, a UNESCO encoraja as autoridades nacionais e locais a apoiar activamente e a comprometerem-se no desenvolvimento das bibliotecas públicas.
EZEQUIEL THEODORO DA SILVA
Da Faculdade de Educação, UNICAMP.
Revisa Palavra-Chave, São Paulo, n.3, p.13-15, 1983.
O título deste texto traz em si uma noção que acho fundamental para o homem: a noção de falta. Acredito que o ser humano estabelece objetivos de vida, busca o seu auto-aperfeiçoamento exatamente no momento em que a noção de falta desponta [...]
A BIBLIOTECA DE CADA UM
Depoimentos da APB n.1, 1982
Em que medida a biblioteca foi significativa para a sua formação? Qual a função que a biblioteca tem para você hoje? A partir destas questões, alguns brasileiros deram o seu depoimento, cada um fazendo uma breve reflexão sobre a sua experiência. [...]
Revista Palavra-chave, São Paulo, n.1, p.5-8, [...]
Por que um movimento de livros? Porque ler é bom para a mente: requer do indivíduo adquirir habilidades intelectuais básicas; a arte da leitura; a arte de falar sobre o que é lido; a arte de pensar sobre o que é lido e discutido. Além disso, a leitura de livros aumenta a oportunidade para a mente ganhar introspecção, discernimento e sabedoria. Ler e discutir sobre o que é lido, fornece condições propícias para a aquisição dessas qualidades mentais favoráveis. E por que grandes livros? Porque grandeza significa excelência - os maiores e melhores materiais que a mente humana pode explorar para que obtenha introspecção, discernimento e sabedoria.
April 10, 2009
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