Entrevista com Marina Scardovelli

by Gutavo Henn on July 2, 2009

Entrevistei a bibliotecária Marina Scardovelli, formada na UNB, aprovada em alguns concursos, e recentemente primeiro lugar no TRT-MA.

Muito legal a experiência dela. Confiram.

Marina

Olá, Marina, tudo bom?

Oi, Gustavo, tudo bom. E com você?

O que é ser bibliotecária para você?

Ser bibliotecária é uma oportunidade pra mim. A Biblioteconomia permite que você trabalhe em inúmeras atividades diferentes e o mercado de Brasília, onde me formei, tem inúmeras ofertas, seja em estágios, em empresas privadas ou em órgãos públicos. A profissão de bibliotecária me permitiu obter independência financeira, pois logo que me formei, já estava empregada e, em seguida, concursada.

Como era a estudante Marina?

Eu entrei cedo na UnB (Universidade de Brasília), estava com 17 anos ainda. Não tinha a maturidade necessária, mas mesmo assim, eu me considero uma boa aluna, sim. Tinha muitas notas altas, sempre fazia os trabalhos, nunca reprovei, fui monitora, comprava os livros da área e procurava ajudar meus colegas sempre que podia. De pontos negativos, penso na questão da pontualidade e da falta de atenção em algumas aulas, pois ficava muito cansada com os 2 estágios que fazia.

Você falou que comprava livros. Quais os livros da área que você mais gostou de ler?

Eu gostei bastante dos seguintes livros:

SOUZA, Sebastião de. CDU: como entender e utilizar a edição-padrão internacional em língua portuguesa. 3. ed. rev. e atual. Brasília: Thesaurus, 2004. 108 p. ISBN: 8570624263
CAMPELLO, Bernadete. Introdução ao controle bibliográfico. 2.ed. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2006. 94 p. ISBN 8585637285
CAMPELLO, Bernadete; CALDEIRA, Paulo da Terra (Org.). Introdução às fontes de informação. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. 181 p. (Coleção ciência da informação, v. 1). ISBN: 8575261657
OLIVEIRA, Marlene de (Coord.). Ciência da informação e biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: UFMG, 2005. 143 p. ISBN: 8570414730
FEITOSA, Ailton. Organização da informação na web: das tags à web semântica. Brasília: Thesaurus, 2006. 131 p. (Estudos avançados em ciência da informação, v. 2). ISBN: 8570625685

Eles são livros curtos, de linguagem bem acessível e são voltados na maioria dos casos, aos contextos das bibliotecas brasileiras. O ruim é que, se não estou enganada, os do Prof. Sebastião e o do Ailton Feitosa, encontram-se esgotados na Thesaurus.

Com tantos estágios você ainda conseguia se dedicar aos estudos pra faculdade??

Era um pouco complicado estudar e trabalhar, mas encarava como alguém que estuda 4 horas por dia e trabalha 8 horas (2 estágios de 4 horas). Normalmente, não deixava o conteúdo acumular pra começar a estudar. Eu lia todos os textos nos finais de semana e feriados. Também agradeço aos chefes dos meus estágios, pois eles sabiam da minha dupla jornada e sempre que eu precisava tirar umas horas de estudo pra trabalhos ou provas, nunca tive problemas.


Como você decidiu cursar biblioteconomia?

Além do vestibular tradicional, a UnB oferece o PAS (Programa de Avaliação Seriada), em que o aluno faz uma etapa ao final de cada ano do ensino médio, totalizando 3 etapas. Na 3ª etapa, o aluno decide qual o curso quer fazer na UnB. Eu já sabia que com as minhas notas anteriores, da 1ª e 2ª etapas, eu podia escolher determinados cursos e outros não. Procurei informações sobre os cursos que conseguiria entrar, na Internet e no Almanaque Abril. Prefiri não arriscar, pois se não fosse aprovada, meus pais não teriam condições de pagar uma faculdade particular. Dentre os cursos, me interessei por Biblioteconomia e Arquivologia. A decisão veio porque o curso de Biblio. era ministrado pela manhã, então seria mais seguro, do que Arquivologia que só tem aulas pelo período noturno. Me formei em Biblio., fiz o vestibular, e agora sou estudante do curso de Arquivologia.

Por que Arquivologia?

Antes de ser bibliotecária, penso que quem se forma, lida com informação, independente do suporte, e que das informações que tiramos proveito, nós geramos novos conhecimentos. Hoje, o mercado cobra dos profissionais uma aprendizagem permanente que vai muito além de uma graduação. Eu entrei no curso de arquivo pra aprender mais, tentar ser uma profissional mais completa dentro da Ciência da Informação, na qual tanto Biblioteconomia, quanto Arquivologia fazem parte.

Por que você decidiu estudar para concursos?

Como eu já disse, o mercado de Brasília oferece muitas vagas. Como fazia 2 estágios ao mesmo tempo, cheguei a fazer 8 estágios no total, durante o curso. Fiz tanto em órgãos públicos como em empresas privadas. As melhores experiências que tive, foram em órgãos públicos, devido a infra-estrutura, ambiente de trabalho, recursos humanos, organização, recursos orçamentários, recursos materiais, a valorização profissional, além da remuneração inicial e da questão da estabilidade etc., por isso decidi estudar até passar, pois sempre acreditei que era capaz de ficar bem colocada.

Você prestou muitos concursos?

Inúmeros, desde 2006. Tantos que já perdi as contas, independente de ser nível médio ou nível superior. A partir dos resultados que obtive, percebi que era melhor focar em Biblioteconomia. Assim no início de 2008, comecei a estudar pra concursos só para bibliotecário e obtive êxito rapidamente. Passei no número de vagas e fui nomeada em 2 concursos, na mesma época, o da Fundação Universidade de Brasília, 10º lugar de 14 vagas, e a Prefeitura de São Paulo, 54º de 180 vagas. Atualmente, estou pra ser nomeada no IBAMA, 6º lugar, enquanto aguardo o TRT-ES, 3º lugar, ou TRT-MA, 1º lugar.

Como foi a sua preparação para os concursos?

Quando me formei, final de 2007, eu tinha meus cadernos e anotações, mas achei que não estavam organizados devidamente, daí resolvi arrumar todo meu material de estudo por matérias cobradas nos editais. Depois, li e fiz resumo dos livros que já tinha em casa e passei a comprar os que ainda não tinha. Comecei a acompanhar bastante o seu blog, principalmente, quando você analisava as provas anteriores, tanto que quando sairam os e-books, muitas das coisas já tinha lido anteriormente. Comprei o livro de Direito Administrativo Descomplicado, do Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, muito bom, diga-se de passagem, que você até recomendou em um de seus posts. Vi algumas entrevistas suas com quem havia passado recentemente em concursos que me davam muito incentivo pra estudar ainda mais. Li muitos artigos online, principalmente das revistas: Ciência da Informação e Perspectivas em Ciência da Informação. Daí, baixei as provas de concursos anteriores, do site PCI Concursos, e comecei a estudar as questões das duas maiores instituições, o Cespe e a FCC. Separei as questões por áreas cobradas e por cada instituição organizadora e ao fazer isso, me deparei com várias questões “decorebas” e repetidas em ambas as bancas. Hoje, como já tenho bastante material, procuro ler as questões e colocar o autor, o título, a pg. em que se encontram as respostas para tais questões, além de transcrevê-las, segundo o autor da obra.

E agora, você parou e vai só esperar a nomeação?

Por enquanto, não. No meu ponto de vista, estudar nunca é demais. Como o TRT-MA e TRT-ES são cadastro reserva, mesmo estando em 1º lugar no MA e em 3º no ES, tenho que ser realista da possibilidade de nunca ser nomeada. Além disso, percebi que estudando pra concursos, procuro estar atualizada na área, não me acomodando, simplesmente pelo fato de já ser servidora pública ou estar classificada em alguns concursos. Como eu costumo brincar: “passar é fácil, ser nomeada é que é difícil”.

Como será a Marina Scardovelli em 2020?

Espero que seja uma boa profissional, determinada, estudiosa, dedicada e responsável, que trabalhe com o que goste de fazer, que seja um orgulho para seus parentes, enfim, que case, compre uma casa e fique rodeada de animais de estimação.

Uma curiosidade, de onde vem o nome Scardovelli?

É um sobrenome italiano, vem do meu avô materno.

Deixe uma mensagem para os nossos leitores, que estão trilhando o caminho dos concursos.

Não almeje apenas a aprovação num concurso, mas sim, em ser um bom profissional para a sua área. Resultados negativos acontecem e fazem parte do nosso aprendizado, nos tornando muito maiores. Vá atrás e corrija as provas, principalmente as questões que errou, pois estas serão as que você acertará em uma futura prova. Não se compare com outros concorrentes e nem se cobre por não ter obtido o mesmo resultado, pense apenas nos seus próprios resultados e em como melhorá-los. Não acredite em depoimentos de quem diz que não estudou e passou, pois mesmo quem estudou pouco, é porque em alguma época da vida estudou muito. Cada pessoa é um ser único e tem seu tempo próprio, seja nos estudos ou no trabalho, mas tenha a certeza que, se você realmente deseja ser aprovado, mais perto você está da aprovação. Por fim, estude por gosto, leia muito, invista em seu conhecimento, faça cursos, se necessário, e o mais importante, corra atrás dos seus objetivos de vida.

Muito obrigado pela entrevista. Sucesso.

Força nos estudos.

21 comentários

{ 21 comments… read them below or add one }

janaina July 2, 2009 at 3:38 pm

Parabéns, Marina.

Obrigada por sua plavras. São um incentivo.
Sucesso!

Catarina Felix July 3, 2009 at 9:00 am

Que orgulho!!!! Parabéns Marina!! Sempre muito dedicada aos seus sonhos!! E força nos estudos!!

Romélio Lemos July 3, 2009 at 9:11 am

Parabéns Marina, e seja bem vinda, pois seremos vizinhos! (Estou no Serviço Florestal Brasileiro, que fica distribuído nos blocos aqui do Ibama)

Marina Scardovelli July 3, 2009 at 10:33 am

Oi, gente,
Obrigada, Janaina, pelos elogios, mas é só você planejar o que quer, que logo se consegue. Cathy, o Gustavo bem que pode te entrevistar tbm, afinal vc é a 1ª do TRT-ES, e tem muito o que contar e contribuir para o sucesso de outros candidatos. Romélio, vc logo está aqui na FUB, né, daí vamos nos desencontrar de novo. Sucesso à todos e obrigada pelas palavras, inté, Marina

Carlos July 3, 2009 at 12:30 pm

Parabéns Marina pelas aprovações! E agradeço ao blog por essas entrevistas, estas sempre motivadoras. E como é bom ouvirmos as histórias de esforços e de dedicação aos concursos dos colegas e nos vermos nessas histórias. Obrigado por isso!!!

cibele July 13, 2009 at 9:08 am

Já temos muito orgulho de vc.!Mesmo antes do sucesso, pois admirável é sua determinação.
beijos.

Marlucy July 15, 2009 at 11:34 am

Adorei a entrevista! grande incentivo mesmo!
Sucesso!
beijos!

Almir Silva de Souza August 17, 2009 at 6:50 pm

Parabens filha, espero mais que todas as pessoas do mundo que voce consiga subir degraus e mais degraus, pois de alguma forma me sinto ao seu lado e te acompanhando a cada vitoria que voce consegue, mesmo as pequenas vitorias, como eu queria que meus pais pudessem estar te acompanhando tambem, quando nossos filhos tem algum sucesso nossa vida mostra sentido,

Parabens do mais orgulhoso dos pais …..

Fernando Barros September 28, 2009 at 12:30 pm

Marina, gostei muito da sua entrevista, gostaria que você contasse um pouco como é o curso de arquivologia na UNB!

Marina Scardovelli September 30, 2009 at 8:54 am

Olá, Fernando, eu estou gostando bastante do curso, apesar de estar no 2º semestre ainda. Gostei muito de Introdução à Arquivologia com a prof. Georgete; Reprografia com a prof. Celina, que atualmente é a coordenadora do curso de Museologia da UnB; e Conservação e Restauração de Documentos, com a Prof. Mirian. Estou torcendo pro departamento voltar a dar Paleografia tbm. Por enquanto, visitei os Arquivos do Senado, da Câmara e do Correio Braziliense, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer. Como eu fiz Biblio. 1º, muitas matérias já havia cursado, então de Arquivo. esse semestre só curso Corrente I, com o Prof. Otacílio, as demais são matérias de outros departamentos como Administração e História. O mercado tbm me parece muito bom, segundo dados da pg. do Ibict, temos, no Brasil todo, apenas 4 mil arquivistas em 11 cursos. Já Biblio., por ser um curso ministrado a mais tempo, temos 25 mil bibliotecários em 30 cursos. Na UnB, se não me engano, o curso de Arquivo. existe desde 1991, mas temos outros bem recentes, como na UFMG que iniciou a 1ª turma no início de 2009. Hj, eu tô no Ibama, estudando Arquivologia, pois a maior parte de funcionários arquivistas é de terceirizados e não concursados, logo qdo me formar, provavelmente, vou ficar responsável pelo Arquivo daqui, na área de GED/GDE. Espero ter ajudado. Abç.

Nicia Araujo March 25, 2010 at 1:48 pm

Sou formada em biblioteconomia desde 2000 na UFBA e tenho curso MBA em gestão da informação pela UNIFACs

Quero ser uma bibliotecária plena, o que devo fazer em termos de cursos, especializações, MBA ou até mesmo outras graduações.
Gostaria de obter informações de profissionais que já trilharam este caminho.
Nicia Araujo

Marina Scardovelli April 8, 2010 at 3:34 pm

Olá, Nicia. Penso que depende do que vc tem ideia de plenitude como bibliotecária. Não existe um curso, um livro, uma receita de bolo pra ser um bom profissional e nem sempre depende apenas de vc. Ex.: vc pode fazer cursos, especializações, mestrado ou doutorado, falar x idiomas, mas suas condições/ambiente de trabalho não são tão favoráveis. Quando me referi em tentar ser uma profissional completa na CI, é como eu disse, eu TENTO, mas tenho uma vida profissional inteira pra ser algum dia, quem sabe. Boa jornada a nós duas.

Felipe Belo April 27, 2010 at 6:09 pm

Parabéns Marina, vc é um exemplo pra nós bibliotecários e motivo de orgulho pra quem estudou contigo! Abraços

José de Alcântara May 20, 2010 at 2:14 pm

Parabéns por suas aprovações. Estudamos juntos há muito tempo e, embora não tenhamos mais contato, fico imensamente feliz por sua vida estar se realizando. Você provou ser uma vencedora e fico muito feliz por isso.

joubert June 10, 2010 at 11:32 am

Marina, meus parabéns antes de tudo. Você poderia me responder a minha curiosidade ?
1º Quantos porcento das provas que você alcançou nos TRT MA e ES?
2º Estes concursos tiveram prova discursivas?

atenciosamente.

Marina Scardovelli June 11, 2010 at 10:05 am

Oi, Joubert. Obrigada.
a) TRT/MA – FCC – 1º lugar:
Português: 14/20. Direito: 8/10. Biblio.: 16/20. Não teve redação.
b) TRT/ES – Cespe – 3º lugar:
Prova Objetiva: 55/120. Prova discursiva: 8.90.
c) TRE/AM – FCC – 1º lugar:
Português: 7/10. Informática: 2/5. Direito: 2/5. Biblio.: 32/40. Prova Discursiva 7,00.
d) TRE/BA – Cespe – 3º lugar:
Prova Objetiva: 6.62. Prova Discursiva: 8.20.
e) TRF4/PR – FCC – Subseção 6º lugar / Seção 4º lugar:
Português: 14/20. D. Adm.: 4/5. D, Const.: 2/5. Biblio.: 23/40. Não teve prova discursiva.
Abç.

joubert June 17, 2010 at 1:53 pm

Marina, muitíssimo obrigado, é uma resposta no qual eu aguardava de uma grande vencedora…rs… nos próximos quatro anos no máximo vc estará com o emprego novo. Meus parabéns de novo…nos meus próximos quatro anos, espero esta iniciando a minha maratona de concursos…rsrs…um abraço…

Marina Scardovelli June 17, 2010 at 2:00 pm

Obrigada, Joubert. Como eu digo sempre: “que os anjos te ouçam e digam amém”, rsrsrs. Mas se posso te dar algum conselho sobre concursos, não deixe pra formar pra estudar, não. Não sei qual semestre vc está, mas te digo que qto mais cedo começar a fazer as provas e se familiarizar, melhor. Pois os bons concursos, que tenho feito e acompanhado, enrolam tanto pra chamar, que se vc conseguir já passar em um bom tribunal, lá no 7º ou meados do 8º semestre, já sai muito bem empregado… Abç.

Gisele Karina July 7, 2010 at 4:31 pm

Marina;
Você poderia falar um pouco “como é” fazer uma prova discursiva.
O que conta mais: a parte gramatical ou o conhecimento sobre o assunto?

Marina Scardovelli July 9, 2010 at 8:54 am

Oi, Gisele. Sem dúvidas é conhecimento sobre o assunto. Nas redações, sempre busco falar de algum livro/artigo ou autor que trata daquilo e acho que vem dando certo. A única exceção foi a prova do BNDES, uma vez que a Cesgranrio dá a bibliografia no edital, dificilmente aceita que vc escreva algo sobre outros livros ou artigos que abordam o mesmo enfoque. Os aspectos gramaticais são importantes, mas não são suficientes pra manter uma nota mínima, mas depende do que a banca vai cobrar tbm. A FCC quando não aborda um tema de conhecimentos específicos, adora uns temas filósoficos, como foi a redação da ALSP 2010, daí o que vai contar mesmo é estrutura de texto, respeitar as margens, letra do candidato, rasura, vocabulário, ortografia, gramática, pontuação etc. Abç

Marina Scardovelli July 9, 2010 at 8:58 am

Ops!!! Correção na acentuação: filosóficos, rs. É a pressa na digitação, rsrsrs.

Leave a Comment