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10 tecnologias para bibliotecários em 2006

Posted February 5th, 2006 in Ensaio and tagged , by ExtraLibris

Por Michael Stephens

Planejamento centrado no usuário e percepções de usuários

“Tecnologia e bibliotecas no séc. XXI estão casadas, e esse casamento é duradouro. Uma biblioteca que reconhece como a tecnologia pode melhorar os serviços para a sua comunidade é destinada ao sucesso. Independente das tecnologias ou serviços que você escolher, lembre-se de planejar tendo os usuários em mente.”

Isso ainda permanece uma verdade em 2006, e agora ainda mais. Desde que eu escrevi esse parágrafo para o Library Journal no verão de 2004, o envolvimento dos usuários é ainda mais importante. Nós precisamos envolver os usuários de bibliotecas o quanto antes para a maioria das iniciativas e planejamento de novos serviços, novas construções, novos formatos.

Também, nós precisamos estar atentos sobre o que nossos usuários pensam sobre serviços de informação e bibliotecas. O relatório Percepções de Bibliotecas e Recursos informacionais da OCLC [Online Computer Library Center] é um marco em 2005 para mim e eu espero que seja lido e utilizada em 2006 por bibliotecas que desejam compreender como as pessoas procuram por informação e o que elas pensam sobre a biblioteca.

Extraia dados do relatório das Percepções quando você repensar, re-energizar e adaptar seus serviços. Por exemplo, 51% das pessoas usam programas de mensagem instantânea. Qual a porcentagem agora de bibliotecas que oferecem um serviço de referência através de mensagem instantânea? Eu sei que é muito mais do que quando eu e Aaron escrevemos sobre mensagem instantânea ano passado mas provavelmente não em qualquer lugar próximo a maioria das pessoas em sua comunidade, ou em seu campus, escola ou sua companhia ou organização.

Com as novas ferramentas a nossa disposição nós podemos mais facilmente envolver os usuários e encorajar sua participação. Que tal alguns exemplos concretos?

Blyberg pretende envolver os usuários com o desenvolvimento de plug ins para disponibilizar serviços da biblioteca em seus web sites.
E Jennifer Rice detalhou uma assustadora experiência NÃO centrada no usuário no simpósio da OCLC em Midwinter. Via Jenny:

Conveniência (eu quero o que eu quero, e eu quero AGORA); Jennifer não havia pisado em uma biblioteca desde a faculdade; história pessoal; tentou conseguir um cartão da biblioteca online mas não conseguiu, se perdeu indo pra biblioteca porque o endereço no website estava errado, então ela teve que esperar numa fila para preencher os formulários de inscrição, preencheu, e os bibliotecários não aceitaram porque ela não possuia um comprovante de residência; teria desistido na hora se não tivesse que palestrar aqui hoje; estava impressionada com as bases de dados que poderia usar – precisava estar mais atenta aos pequenos negócios; deveria estar mais preocupada com o NetFlix do que com o Google por causa do fator de conveniência – pagaria $20 por mês por ilimitados livros…

Como isso te faz sentir? Existem muitas barreiras no acesso das pessoas aos materiais? Pra mim, essa história fala alto: nós precisamos de melhores processos, acesso em série e marketing. E um bibliotecário esperto que conheço disse bem: essa história deveria fornecer um mapa para melhores serviços. Eu espero que sim.

Construir recursos e permissão para comentários

As bibliotecas estão utilizando os blogs para disseminar notícias, informações sobre programação, etc. Em 2005, nós vimos a nova onde de bibliotecários utilizando weblogs para interagir com seus usuários e comunidades. Permitindo comentários, deixando que os usuários criem suas contas, e entrando em discussão com eles, nós estamos levando a comunicação e a conversação a um nível mais alto.

Minha colega de trabalho Margaret Lincoln criou um blog para estudantes discutirem Noite [o livro] de Elie Wiesel, e Infomancy descreve a Biblioteca Escolar 2.0.

Veja os wikis nos últimos anos, com o pioneirismo de Meredith Farkas, e olhe para o Guia de Assuntos da SJCPL ou o wiki de Recursos de Referência de Butler. Os bibliotecários estão construindo recursos com essas ferramentas.

Esteja ciente então dos benefícios da utilização dessas ferramentas para construir sua presença na Web:
Múltiplos bibliotecários podem criar conteúdo tanto para blogs e wikis
Bibliotecários e usuários podem discutir, colaborar e criar

Existem benefícios para uso interno também!

Qualquer biblioteca em qualquer nível de sustentação financeira pode criar um blog e utiliza-lo com sucesso; os wikis podem exigir um conhecimento técnico maior, mas existem recursos que auxiliam na criação. Abrir espaço para comentários nos permite ter conversas com nossos usuários e com a equipe. As pessoas esperam ser capazes de comentar! Esse é o legado dos message boards, revisões do Amazon, blogs, discussões de wiki e o Cluetrain!

Software open source e desenvolvimento compartilhado

Não é maravilhoso que os desenvolvedores estão fornecendo ferramentas open source para nós? Softwares como WordPress e MediaWiki estão mudando a maneira como as bibliotecas fazem negócios. Usando Drupal, o pessoal de Ann Arbor criou algo bem especial.

Eu verdadeiramente acredito que nós podemos dizer adeus aos dias que empresas de design chegavam e atiravam serviços de web site em troca de muito dinheiro. As bibliotecas devem ao invés contratar programadores e bibliotecários com experiência em desenvolvimento de recursos e no movimento open source.

Bibliotecas escolares: o que eu sugiro pra vocês é a criação de cursos voltados para ensinar as habilidades demonstradas pelos bibliotecários programadores e planejadores de sistema, e que tal um curso de softwares open source para bibliotecas? Eu tive um ano passado na University of North Texas [eu também tive nos últimos ENEBD e EREBD Norte/Nordeste, ver http://www.profinfo.ufma.br/biblivre].

Vendedores de sistemas de bibliotecas: o que eu diria pra vocês é olhar o movimento mais de perto e estarem preparados para interagir com nossos clientes quando eles perguntarem questões sobre desenvolvimento e características.

Pondere software open source para os seus computadores públicos em bibliotecas. Pondere soluções de software open source para aplicações de mensagem instantânea, browsers e mais. E olhe Evergreen e Koha de perto. [eu sugiro GNUteca e Emilda]

De um comentário para esse post por Solveig Haugland que eu acho que deveria estar no texto!

Eu estou feliz que você publicou isso, com referência aos software open source. Os softwares open source serão um grande e positivo efeito sobre as bibliotecas, bem como escolas, governo e muitas outras organizações. Você pode fornecer o pacote de programa OpenOffice.org, ao invés do Microsoft Office, grátis para os usuários da biblioteca. Sem limite no número de licensas; é grátis para quantos computadores você quiser instalar. Os próprios computadores serão mais baratos já que você pode instalar o Linux ao invés do Windows. Isso significa que você pode ter mais computadores, para os usuários e funcionários da biblioteca. Quando o software é grátis, muitas opções se abrem para que se gaste dinheiro em coisas mais importantes. Essa é a chave.

Palavra chave: GRÁTIS!

O futuro dos sistemas integrados de biblioteca

Esse é o grande lance. Na sua bibliografia sobre esse assunto deve constar o post de Casey Bisson sobre os argumentos sobe os softwares integrados de bibliotecas e a Ata dos Direitos de Blyberg. Leia os comentários, siga os trackbacks, guarde os links. Essa será uma importante discussão para os próximos anos.

Eu escrevi isso na conferência TechSource da ALA: “Nós precisamos abrir as discussões com os profissionais em nossos vendedores de sistemas de automação, fornecedores de bases de dados, serviços de assinatura e pergunta-los: ‘Você está fazendo o melhor produto que pode, que irá funcionar para todos os meus usuários independente de onde eles estiverem?’ Pergunte sobre RSS feeds embutidos, e espaços para os comentários de usuários. Os vendedores que oferecerem esses recursos já estão comunicando inovações futuras como estas”.

Karen percebeu no quente blog HOT Lita: “Não é mais suficiente dizer que o ‘sistema de automação de biblioteca é uma bosta’. É o ‘o sistema de automação da biblioteca é uma bosta e é isso que estamos fazendo em relação a isso’. Não é apenas dizer que nós precisamos fazer menos catalogação e mais tageamento, mas sim ir adiante junto com as transformações. É dizer que nós precisamos parar de tratar os serviços da biblioteca como uma operação de monopólio e agir como se nós tivéssemos competidores – e de fato nós temos, como muitas batalhas sobre financiamento nesse país [Estados Unidos] tem demonstrado. É resolver os problemas na prática, como está ocorrendo com a Biblioteca 2.0.”

Novidades

Você está pronto para emprestar 4 temporadas da série de televisão 24 horas em um Ipod vídeo? Você está pronto para responder uma questão de referência via SMS da mesma maneira que o Google faz? Você está pronto para os usuários de biblioteca com expectativas de que as suas coisas funcionem em conjunto com as coisas deles?

Você está pronto para refazer e remodelar o departamento audio visual?

Algumas aplicações e usuários podem oferecer resistência ou serem de alguma natureza questionável legal.

Esteja atento e não desconte em novidades convergentes, PDAs, telefones, armazenamento de mídia e a próxima grande novidade. Examine suas normas e procedimentos. Podem os usuários conectar nos PCs da biblioteca? Nós estamos prontos para o próximo grande advento tecnológico?

Gerenciamento de recursos eletrônicos e DRM

Ron Davies deu uma grande palestra no Internet Librarian International ano passado enfatizando que um dos nossos novos papéis profissionais é o de “bibliotecário de gerenciamento de recursos eletrônicos”. Qualquer biblioteca que possui um meio de aumentar a verba sobre a base de dados deveria considerar uma posição como essa. Ron também mostrou que em qualquer biblioteca, para gerenciar eficientemente os recursos eletrônicos, todos os profissionais seguintes devem estar ativamente envolvidos: bibliotecários de aquisição, sistemas, catalogação e referência.

Ele nos incentivou a realizar tais operações como uma “análise de justaposição” e gerenciar estatísticas de uso também. Você verificou recentemente se possui duplicata de segurança para alguns recursos? O atual programa de base de dados que você possui fornece algo comparável com o que você está pagando? Existe um cara base de dados em desuso?

E acreditem, nós ainda estamos lidando com DRM! Da Wired: “Esse ano pode ser o ano que fabricantes de tecnologia finalmente conquistem a sala de estar, substituindo DVD players, vídeo cassetes e gravadores de vídeo pessoais por um advento de mídia todos-em-um que serve para HDTV [High Definition TeleVision], filme pré-gravados e música digital. Se sim, provavelmente será também o ano em que as pessoas aprenderão o significado do DRM, um acrônimo que a indústria diz significar digital rights management [gerenciamento de direitos digitais], mas que os críticos dizem ser digital restrictions mongering [restrições digitais mercenárias].

Isso se aplica diretamente aos adventos e futuro da música.

Para planejadores e bibliotecários olhando adiante: pode ser uma boa idéia designar um “bibliotecário DRM” – nada muito formal, mas alguém dentro da equipe para manter atualizado sobre o que está acontecendo e ser o consultor em reuniões. Todos nós sob a luz, entretanto, devemos ter uma boa noção sobre o DRM. Verifique o Librarian in Black e sua anotação sobre o DRM.

Mash ups e playlists

Veja a entrada no Wikipedia:
Um mashup é um website ou uma aplicação da web que desalinhadamente combina conteúdo de mais de uma fonte em uma experiência integrada. O conteúdo utilizado em mashups é tipicamente oriundo de um terceiro através de uma interface pública ou API [application programming interface]. Outros métodos de geração de conteúdo para mashups incluem feeds da web (por exemplo, RSS e Atom) e inclui script Java. A etimologia desse termo quase certamente deriva de seu uso similar na música pop. Muitas pessoas estão experienciando os mashups através dos APIs do eBay, Amazon, Google e Yahoo.

Isso é algo importante a conhecer e compreender como modifica as experiências das pessoas com a Web. E o conceito pode se extender ao plano físico também. Como nós poderíamos combinar serviços e recursos nas bibliotecas?

E que tal uma mash up de biblitoeca que se transforma num playlist? Leia esse post de Will Richardson. Pense sobre ele. E esteja atento para mais mistura, combinações, remix e playlists aparecendo na biblioteca mais próxima da sua casa!

Conteúdo e experiência

Faça alguma coisa. Diga alguma coisa. Crie alguma coisa”. Slogan da Apple.

Reporte do PEW sobre conteúdo. Simples assim: as pessoas estão gerando mais e mais conteúdo. As ferramentas estão tornando mais simples para podcast, criar filmes, remixar e reformar informação e compartilhar a experiência. Veja essa análise no Generation C. As bibliotecas podem exercer papel fundamental sobre isso.

Os leitores aqui saber que eu estou dentro da idéia de estações de criação digital e a construção de um espaço para a criação de conteúdo dentro da biblioteca. Isso pode ser um papel chave que nós exercemos na promoção de acesso às ferramentas de criação, um espaço para exercício e treinamento.

O conteúdo flui perfeitamente com a experiência. Veja o texto de Infomancy sobre a Biblioteca 2.0 e experiência: Experiência rica de usuário de biblioteca: como a Web 2.0, a Biblioteca 2.0 precisa permanecer focada em ir de encontro às necessidades dos usuários. A antiga piada era que o sistema estava funcionando bem até que um usuário apareceu. Uma experiência de Biblioteca 2.0 que atende nossas necessidades colocará as bibliotecas fora do negócio mais rápido do que qualquer uma das novas possibilidades. Note também que, como muitas das definições emergentes sobre a Biblioteca 2.0 que eu estou orgulhoso de ver, uma experiência “rica” deve envolver interações online e físicas.

Então leia o post de David King sobre a Biblioteca de Experiência.

A parte excitante desse conceito se refere às coisas entre cada uma dessas dimensões. É onde os quatro domínios da experiência aparecem – os de entretenimento, educação, escapismo e esteticismo.

David levará a idéia da Biblioteca de Experiência para o congresso Computers in Libraries em 2006. Tente não perder.

Jogos são uma nova experiência nas bibliotecas também. As bibliotecas que oferecem programas de jogos estão fornecendo uma experiência social para os jovens e adultos que certamente vai contra o estereótipo de serviço de biblioteca. Veja esse post de Chris Deweese sobre jogos e suas imagens. Isso que é grande marketing, com os banners na frente da biblioteca! Veja o blog Gaming Symposium e as fotos de Aaron!

E DDR [dance dance revolution] é ótimo pra você.

Web 2.0

Leia o incrível artigo de Stephen Abram!

Eu acredito que a Web 2.0 vai muita além disso, na verdade além de um foco em aplicações. É verdadeiramente sobre a Web “quente”. Eu estou falando aqui sobre “quente” no senso McLuanesco de quente e frio ou caloroso e sóbrio aspectos da tecnologia. O que torna a Web mais quente ou mais fria? Interatividade. Claro que a Web já é interativa em um modo sóbrio. Você pode clicar e obter resultados. Você pode enviar emails e receber respostas. Você pode entrar em web sites e navegar. A antiga World Wide Web era baseada no paradigma “Web 1.0” dos web sites, email, máquinas de busca e navegação. A Web 2.0 é sobre os aspectos mais humanos da interatividade. É sobre conversações, redes interpessoais, personalização, e individualismo.

Aprenda o que é AJAX. Leia sobre a Web 2.0. Veja como a Web 2.0 produziu outros memes carregando as designações 2.0. Analise se falhas nas ferramentas sociais estão começando a aparecer. E não perca uma das melhores vozes sobre a Web 2.0, Dion Hinchcliffe, e suas Dez considerações acerca da Web 2.0.

Bibliotecários e o coração (a parte emocional desse post)

Coloque os sentimentos sobre o que nós fazemos! Eu honestamente acredito que as melhores bibliotecas do futuro irão sensibilizar o coração e os bibliotecários colocarão humanidade dentro da presença virutal da biblioteca. Stephen Abram notou que as bibliotecas estão inovando, mas muitas ainda não estão movendo em uma nova direção: “Entretanto, muitas ainda não se moveram para as estratégias da nova geração. Muitas falham em reconhecer que a maior parte de seu uso geralmente ocorre virtualmente e elas não redirecionaram seus esforços de estratégia. Muitas não disponibilizaram os bibliotecários e serviços pessoais em seus ambientes virtuais”.

Pense nos seus blogs favoritos. Eles não possuem um pouco do elemento humano, emocional? Seus autores favoritos inspiram você com sentimentos, bem como um biblio-tesão? Isso vale para conferências. Quais apresentações realmente fizeram você ter vontade de comparecer somente para assisti-las? Havia um componente emocional? Pense nisso: “O som de um quarto que dorme”: palestrantes precisam apelar para o lado racional de sua audiência claro. Humanos são seres racionais afinal. Mas nossas evidências, provas e ‘fatos’ precisam também ser colocados em um contexto e necessidade de conectar e apelar para o emocional. Alguns discutem que a emoção não é necessariamente irracional, que a inteligência e a emoção andam de mãos dadas. E pode ser. Meu ponto é que os fatos sozinhos raramente representam uma condição suficiente para mudança ou impacto (apesar de serem uma condição necessária).

Bônus: Equilíbrio, respiração e atitude Zen

Claro, aqui está denovo. Nós não podemos esquecer de tomar conta de nós mesmos e de uns aos outros. Nenhum sistema de automação, RSS feed, blog, Ipod ou Treo vai tomar conta da sua condição física, emocional ou espiritual. Isso cabe a nós e aqueles que nós amamos. Não perca essa parte também.

Texto original disponível em Tame the Web

Tradução: Moreno Barros.

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