Trecho do livro A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb
O escritor Umberto Eco pertence a pequena classe de acadêmicos que são enciclopédicos, críticos e perspicazes. Ele é o dono de uma grande biblioteca pessoal (contendo trinta mil livros), e separa os visitantes em duas categorias: aqueles que reagem com “Uau! Signore professore dottore Eco, que grande biblioteca você tem! Quantos desses livros você já leu?” e os outros – uma minoria muito pequena – que entende que uma biblioteca pessoal não serve como uma inflamadora do ego, mas sim como uma ferramenta de pesquisa.
Livros lidos são muito menos valiosos que os não-lidos. A biblioteca deve conter tanto das coisas que você não sabe quanto seus recursos financeiros, taxas hipotecárias e o atualmente restrito mercado de imóveis lhe permitam colocar nela. Você acumulará mais conhecimento e mais livros à medida em que for envelhecendo, e o número crescente de livros não-lidos nas prateleiras olhará para você ameaçadoramente. Na verdade, quanto mais você souber, maiores serão as pilhas de livros não-lidos. Vamos chamar esta coleção de livros não-lidos de antibiblioteca.
Nós tendemos a tratar o conhecimento como uma propriedade pessoal que deve ser protegida e defendida. Ele é um ornamento que nos permite subir na hierarquia social. Assim, essa tendência a ofender a sensibilidade da biblioteca de Eco concentrando-se no conhecido é uma parcialidade humana que se estende às nossas operações mentais.

Antibiblioteca: http://extralibris.org/2009/06/antibiblioteca/
Entenda o que “antibiblioteca” no Extralibris: http://extralibris.org/2009/06/antibiblioteca/
RT @moreno: Antibiblioteca – http://tinyurl.com/r4n9wt