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Gametecas

Posted September 27th, 2005 in Ensaio by ExtraLibris

GAMETECAS: propostas para utilização dos jogos eletrônicos como material de informação.

por Gustavo Henn

1. Are you ready? Press start.

Talvez quando foram criados, ainda na década de 60, os jogos eletrônicos fossem encarados apenas como um passatempo moderno, uma diversão efêmera para crianças e desocupados. Entretanto, quatro décadas depois, os games se transformaram em uma das indústrias mais lucrativas do mundo, superando, para surpresa de muitos, a de Hollywood e a dos Brinquedos. E não pára de conquistar adeptos. Justo o contrário, não os perde, pois mantém os antigos jogadores criando novos jogos, num típico caso de economia da informação: cada jogo difere um pouco da versão anterior, um personagem a mais, um tesouro novo escondido, um nível a mais de dificuldade.

Claro, o mercado de games passou por altos e baixos nesse tempo, viu empresas gigantes surgirem, caírem e se reerguerem (quem diria, ein, Super Mario?!). Em alguns momentos faltou imaginação, como os anos que antecederam o NES e o Master System. Mas a verdade é que cresce a cada instante, movimentando bilhões de dólares ao redor do globo, gerando emprego e lucro.

O que mais chama a atenção, é a dita “magia” do jogos eletrônicos. No fundo, são todos simuladores. Por uns instantes, o jogador é o herói dos quadrinhos ou do cinema, é o astro das quadras ou das máquinas. Quem nunca quis fazer uma cesta como Jordan ou encarnar o Homem-aranha?

Não é só isso. Alguns jogos simulam guerras passadas, personagens históricos. Outros vêm com sua própria história montada, para envolver os jogadores(como a clássica série de RPG, Final Fantasy, que virou até filme). Há os que exigem raciocínio, paciência, agilidade, esperteza, sorte e tudo isso junto mais força, destreza, reflexos apurados. Tem para todos os gostos, e todas as idades. Os jogos modernos prezam pela verossimilhança. O game Senhor dos Anéis, por exemplo, interpõe partes do filme durante o jogo. Para jogos de RPG, orquestras inteiras são contratadas para executarem a trilha sonora, de autoria de um compositor renomado. Os melhores jogos(e, hoje em dia, não se admitem games apenas bons) exigem a consultoria de pesquisadores, historiadores, arqueólogos, continuístas…

No entanto, apesar disso tudo, o potencial informativo e educativo dos jogos eletrônicos não é devidamente aproveitado. Em parte devido ao preconceito de que é coisa pra criança, o que, como articulado acima, não é mesmo.

Os bibliotecários como gestores de unidades de informação, logo, têm a obrigação de despertar para esse material, da mesma forma que já foi feito com os gibis e com os brinquedos. É preciso colocá-los nas bibliotecas, fornecê-los aos usuários de forma democrática. Do mesmo jeito que os livros são caros, os games também são.

Esse texto propõe como selecionar esse material de acordo com o público e com a instituição, dando, sempre que couber, dicas de títulos de jogos.

2. Round two. Fight!

Assim como a informação, existem vários suportes para os jogos eletrônicos. Desde os tradicionais consoles conectados a uma TV, até celulares de última geração, passando por Arcades, portáteis e , claro, computadores, consequentemente, jogos que só existem na internet. No entanto, o foco deste trabalho é a biblioteca, unidade de informação fixa em um ambiente. Cabe, então, excluir Arcades, por serem grandes, ocupando muito espaço na biblioteca e por, em geral, comportarem apenas 1 jogo. E a seleção aqui é de games, e não de videogames. Celulares, como suporte, também estão de fora, já que se prestam a outras funções e são, em geral, caros. Ficam, basicamente, dois tipos: os consoles, que devem ser conectados a uma TV, e os computadores.

Uma breve comparação entre PCs e consoles, permite descobrir que os computadores são um pouco mais lentos, pois têm uma certa capacidade de sua memória ocupada com outras operações, enquanto que nos videogames a memória é toda para o jogo. Uma vantagem para os PCs é poder, através de emuladores, rodar qualquer jogo de qualquer videogame. Mas o principal atrativo dos games em PCs é o jogo em rede e em tempo real, algo em que os consoles estão engatinhando.

A configuração mínima para um computador rodar Battlefield 1942, por exemplo, é 800Mhz de processador, windows 98 ou superior, 512 de RAM, e placa de vídeo de 64 e de som compatíveis com o Direct X, além de 1,6 GB de espaço no HD, mais alguns megas livres. Em termos financeiros, entre R$ 2500 e R$ 3000. Sem contar os acessórios como manches, joysticks, microfones, óculos, pistolas, etc., que tornam o jogo mais real e mais divertido.

Entre os consoles, os mais vendidos atualmente são:

Playstation 2: é o que faz mais sucesso atualmente, da SONY, veio substituir o Playstation, plataforma mais vendida dos últimos anos. Utiliza cds, o que barateia o custo por jogo(e facilita a cópia ilegal), serve como DVD, para escutar Cds e para jogos em rede, embora este último recurso seja de difícil acesso.

GameCube: aposta da Nintendo, outrora a maior empresa do mundo dos videogames, para manter-se competitiva no mercado.

X-Box: Bill Gates não quis ficar de fora do mercado de games. A Microsoft entrou pesado e já promete um novo console para os próximos anos.

O preço médio desses consoles fica entre R$ 1000 e R$ 1500, e a tendência é baixar quanto mais perto chega do lançamento de um novo.

Ou seja, montar uma estrutura para games em uma biblioteca custa caro. É preciso, além dos consoles, televisores adequados, mesas e cadeiras ergonomicamente corretas, ambientação agradável, o que exige contratação de empresas e profissionais qualificados. O custo com manutenção é alto e arriscado, pois são poucas as assistências técnicas autorizadas desses videogames no Brasil. Os jogos são difíceis de encontrar, e caros, em versões originais.

Uma alternativa para baratear os custos, é buscar comprar consoles usados e fora de circulação. Embora os riscos com manutenção aumentem, nesse caso.

3. Now, loading…

Existem várias categorias de games. Algumas vieram dos filmes: ação, aventura, estratégia. Outras, dos esportes: corrida, futebol. Outras, dos jogos tradicionais conhecidos: shooters, puzzles, RPG. E a categoria original do videogame: simulação.

Definir cada uma é difícil, pois em alguns momentos se confundem, apresentando características em comum. De qualquer forma, as que mais se destacam são:

Ação/Aventura:normalmente inspirados em filmes, desenhos e gibis; em alguns casos, como Tomb Raider, ocorre o inverso. Baseia-se num controle em 3ª pessoa (o jogador vê o boneco de corpo inteiro, agindo) em que a pancadaria e os tiros reinam. Não há muito o que pensar nesse tipo de jogo, é atacar até o último inimigo. Bom para quem tem reflexos rápidos e gosta de se sentir pressionado. A dificuldade aumenta na medida em que as fases vão avançando. É comum encontrar um “mestre” ao final de cada estágio. Talvez o primeiro jogo desse tipo tenha sido Pit Fal, do atari, o Indiana Jones dos games. Entre os jogos mais conhecidos, Prince of Persia, Sonic, Super Mario, Megaman, GTA, além dos filmes que fazem sucesso, como Matrix e Senhor dos Anéis.

Estratégia: Podem ser confundidos com os de ação/aventura. A diferença é que exigem do jogador um pouco mais de paciência para solucionar o enredo do game. Podem vir em 3ª ou 1ª pessoa(o jogador tem a visão do ambiente direto na tela, não vê o personagem que controla). Existem, basicamente, dois tipos: o primeiro, mais parecido com ação/aventura, em que o jogador, para evoluir no jogo, deve estar sempre cumprindo as missões, algumas realmente complicadas, enquanto enfrenta inimigos com armas de fogo ou com as próprias mãos. O outro tipo de jogo de estratégia é o que envolve mapas e povos em guerra. Cabe aos jogadores criar a melhor estratégia para derrotar os adversários. Esse tipo de jogo exige uma certa noção de administração e disciplina, pois envolve atividades bélicas reais, como tempo para treinar soldados, matéria-prima para construir armas, alimentação, armaduras, equipamentos(como navios, aviões, etc.). E atacar sem estar bem preparado é um erro. Entre os mais conhecidos, do primeiro tipo: Metroid, Medal of Honour(que é também um shooter) e Diablo. Do segundo: Age of empires, Warcraft, Roma, Age of mythology.

Esportes: Em alguns documentos de seleção, de acordo com a instituição, deve ser melhor dividir esta categoria por esporte, posto que existe uma variedade muito grande de títulos para esportes populares, em especial Futebol, Corrida e Basquete. Os games de esportes prezam pelas regras, o que obriga o jogador a conhecê-las e respeitá-las. Os melhores trazem os atletas da atualidade, e os maiores da história, refletindo suas habilidades, como velocidade, força, técnica. A parceria de desenvolvedoras de games com clubes e entidades desportivas gera lucros para ambas e, mais ainda, para os gamemaníacos, que controlam seu clube preferido utilizando o padrão original, inclusive com os patrocinadores. Em jogos de corrida, existem dois tipos, os que prezam pelo esporte, aí incluídos os do circuito oficial de automobilismo e motovelocidade, e os que prezam pelo veículo. As empresas do ramo parecem investir pesado nesse tipo de game, fornecendo, além de suas marcas, as características de seus carros(ainda que nem sempre condizentes com a realidade). Em alguns jogos é possível o jogador ir montando seu veículo e adaptá-lo ao circuito e ao clima em que vai correr. Ou seja, colocar pneus de chuva, aumentar o freio, diminuir a suspensão, entre outros ajustes, dos mais simples aos mais complexos. Entre os jogos mais conhecidos, é impossível não falar da EA Sports, talvez a principal empresa de games esportivos, que tem acordos com as principais ligas e entidades esportivas do mundo, inclusive INDY CAR, FISA, NBA, NFL, NHL, FIFA e UEFA, tendo seus jogos com os nomes das ligas, utilizando clubes, jogadores e patrocinadores oficiais da temporada em vigor. Outro jogos conhecidos: Winning Eleven(Pro-Evolution soccer na versão de PC), da Konami, que rivaliza com FIFA soccer da EA pelo título de melhor game de futebol, NEED FOR SPEED, talvez a melhor série de games de corrida que existe. Destaque para a edição atual, NFS Underground II, em que os carros podem ser adulterados para ganhar mais potência e o circuito são as ruas. Inspirado no filme velozes e furiosos.

Luta/Combate: é um dos tipos de games mais praticados em Playtimes(casas de games que utilizam arcades). É um combatente contra outro. Dependendo do tipo de jogo, técnicas de artes marciais são utilizadas, como Kung Fu, Karatê e Capoeira. No entanto, a maioria dos jogos apelam para magias e armas. Até poucos anos atrás, eram jogos bastante populares também fora dos arcades, com títulos como “Street Fighters” e “Mortal Kombat”, este é digitalizado(atores são filmados

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