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Prostituição acadêmica: publicando o que os pares querem

Posted August 26th, 2009 in Ensaio by ExtraLibris

O sistema de publicação científica que existe em nosso campo no tempo atual virtualmente força os acadêmicos a tornarem-se prostitutas: vendem-se por dinheiro (e uma boa vida). Ao contrário das prostitutas que vendem seus corpos por dinheiro (Edlund e Korn, 2002), os acadêmicos vendem sua alma para se conformar à vontade de outros, os editores, a fim ganhar uma vantagem, a publicação.

O processo de ir de humilde graduando ao professor onisciente segue mais ou menos este caminho:

1.Graduando: Escrever uma monografia (para obter boas recomendações da escola de graduação)
2.Pós-graduando: Publicar pelo menos 1 artigo todos os anos nos principais periódicos (conferências, se for de engenharias) em seu campo. Passar pelas avaliações
3.Professor assistente: Publicar diversos artigos (incluindo aqueles que você “co-autora” com seus alunos); comece a receber financiamentos (bolsas). Repita por 6 anos
4.Professor adjunto: Você venceu, é isso. Receba os créditos…

Obviamente, ser publicado é o fator mais importante de uma carreira acadêmica. Entretanto, para entrar nos grandes periódicos da sua área seu trabalho tem que ser aprovado pelos editores. Se o editor aceitar seu artigo na primeira tentativa, diversos conselheiros revisam-no e oferecem sugestões para melhorias. Possuem também o poder do veto e seu artigo pode ser rejeitado por qualquer membro do conselho editorial. Somente quando você fêz todas as mudanças “sugeridas” (e esta pode passar por diversas revisões), você terá uma possibilidade da aceitação para a publicação.

Fazer as revisões força-o a publicar algo diferente de seu trabalho original sob as demandas de uma pessoa anônima. Custa também tempo precioso, e o tempo está sempre voando em sua carreira acadêmica.

Isto apresenta uma dissonância no sistema porque os editores têm o poder de ditar mudanças a um artigo, mas nenhum direito de propriedade nos periódicos. Podem parecer agir no interesse do periódico, mas não lhes há nenhum benefício econômico para fazer dessa maneira.

Para opôr isto, Frey propõe um sistema de publicação modificado onde os editores de periódicos fazem a aceitação/decisão da rejeição no momento do recebimento dos artigos, e os revisores propõem as sugestões que caberá  ao autor livremente executar ou ignorar. Este sistema trata os acadêmicos como artistas, reduzindo a prostituição intelectual e promovendo a criatividade em artigos publicados.

É improvável que o processo acadêmico de publicação mude em curto prazo, mas escrever livros e colocar artigos na web dentro de um repositório de artigos (tal como SSRN ou arXiv) são alternativas potenciais para alguns acadêmicos.

Frey, B. S. (2003). Publishing as prostitution? – Choosing between one’s own ideas and academic success. Public Choice, 116, 205-223.

via Tasty Research

One Response so far.

  1. Henrique says:

    A “prostituição” é um fato triste no meio acadêmico, principalmente em áreas como a Biblio, onde temos sempre os mesmos, falando basicamente sobre as mesmas coisas e, da mesma forma… tal prática não só desestimula aos intrépidos aspirantes, quanto evita que outros sequer pensem na possibilidade de produzir algo além do que é “orientado” (por ser obrigatório) nas monografias/TCCs. Com isso, não só publicar, bem como a própria carreira acadêmica, se mantem como uma realidade distante, quase um sonho para aqueles que não se encaixam nos padrões de pensamento e produção induzida – ou seja, 98% dos mortais.

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