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Revolta com os livros didáticos

Posted June 15th, 2009 in Ensaio and tagged , , by ExtraLibris

por Seth Godin

Eu passei os últimos meses analisando livros didáticos de marketing. Estou assumindo que eles são bastante representativos dos livros didáticos em geral, e já que este é um assunto que me interessa, me parece uma boa área para focar.

Até onde posso dizer, atribuir um livro didático para sua turma universitária é uma prática acadêmica ruim.

Eles são caros. $50 pelos mais baratos, $200 na média. Um autor de livros didáticos de Toronto ganhou com seu livro de cálculo dinheiro suficiente  para comprar uma casa de $20 milhões. Isso é completamente absurdo. Não há qualquer insight sério ou salto na pedagogia envolvendo a produção de um livro didático padrão. É isso que o torna padrão. É duro, mas não deveria torná-lo milionário.

Eles não promovem mudanças. Os livros didáticos possuem pouca narrativa. Eles não te levam de um lugar de ignorância para um lugar de insight. Em vez disso, mesmo os melhores livros didáticos sobre marketing lhe envolvem com uma série não-conectada de palavras, problemas simplificados e exemplos aleatórios.

Eles estão desatualizados e não acompanham o curso. A edição 2009-2010 do livro didático MKTG, que é o mais moderninho que eu consegui encontrar, não possui qualquer menção no índice para Google, Twitter até mesmo Permission Marketing.

Eles não vendem o assunto. Os livros didáticos hoje são muito mais coloridos e alegres do que costumavam ser, mas estão distantes de serem convidativos ou inspiradores. Ninguém termina um livro didático e diz, “sim, isso é o que eu quero fazer!”.

Eles não são práticos. Não apenas em termos das lições ensinadas, mas em termos de ser um livro de referência para os anos futuros.

No mundo da wikipedia, onde qualquer definição está a um clique de distância, é bobagem me oferecer definições para memorizar. Onde está o contexto? Quando eu quero ensinar marketing a alguém (e eu faço isso, o tempo todo) eu nunca apresento a informação da maneira como os livros didáticos fazem. Eu nunca vi um único post de blog que dizia, “espere até que eu explique o que eu aprendi com um livro didático!”.

A solução me parece simples. Professores deveriam investir seu tempo concebendo páginas ou trechos ou até mesmo capítulos inteiros sobre tópicos que interessam a eles, e então publicá-los online de graça (faz parte do trabalho deles, lembram?) Quando você tem uma turma para ensinar, selecione 100 dos melhores trechos, coloque-os em um pdf ou um kindle ou um website (ou até em um fichário) e pronto,  é só isso.  Sua turma de introdução ao marketing acabou de economizar $15.000. Todos os semestres. Qualquer professor de introdução ao marketing que está designando um livro didático básico é culpado por roubo ou preguiça.

Essa indústria merece morrer. Ela já extraiu muito tempo e muito dinheiro e desperdiçou muito potencial. Nós podemos fazer melhor. Muito melhor.

[update: recebi mais emails sobre esse post do que qualquer outro. As pessoas indicaram Flatworld and Quirk, e até agora, mais de 94% das mensagens concordam agressivamente comigo. A maioria das pessoas são tanto estudantes, pais de estudantes, ex-estudantes ou outros clientes descontentes que estão cansados de serem roubados por um sistema quebrado,  absurdo. Eu também ouvi de um punhado de pessoas que dizem que eu tenho ciúmes, que o sindicato não permitirá que o sistema mude, que os livros didáticos são muito bons, que os professores recebem salários baixos, que os professores são muito ocupados e (possivelmente) que eu estou delirando. E digo que uma dessas mensagens veio de um usuário de livros didáticos.]

Tradução livre de Moreno Barros

post original publicado no blog de Seth Godin

créditos da imagem: happydance | procrastination

2 Responses so far.

  1. Gustavo says:

    Concordo também agressivamente com ele.

  2. [...] Revolta com os livros didáticos – O maior mercado editorial nacional é o Mercado de Livros Didáticos. Neste artigo de Moreno Barros do ExtraLibris, ele levanta algumas questões contra este mercado. Um ponto de vista que muitas outras pessoas devem compartilhar e para a qual os editores deveriam prestar alguma atenção. Compartilhe! [...]

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