Saiu hoje mesmo, no Diário de Natal, uma boa matéria sobre a falta de acessibilidade das calçadas da linda cidade de Natal. O repórte fez algumas caminhadas por ruas e avenidas importantes da cidade e constatou esse caos.
“…Protegida na comodidade de seus carros com ar-condicionado, boa parte dos natalenses nem olha de lado para ver o cenário de descaso com o cidadão, que surge na paisagem urbana em forma de calçadas desniveladas, entradas de veículos inclinadas demais, varandas avançadas sobre o passeio público, paredões que impedem a circulação e obrigam as pessoas a disputar espaço com os carros. Esses são apenas alguns dos absurdos que se põem como obstáculos entre o pedestre natalense e sua cidadania.”
Isso é uma verdade. Quem anda de carro não têm o hábito de ficar observando as calçadas, e, mesmo quando essas pessoas estacionam seus carros para ir a um banco, por exemplo, já estão com a cabeça cheia de tantos outros assuntos do dia-a-dia, que não têm “tempo” para pensar nesse descaso do poder público - sobretudo.
Em meio a esta aventura, resolvo subir uma escada esculpida no paredão, de corrimãos mambembes, para conversar com moradores sobre a situação de acessibilidade na rua. Encontro Dona Marlene, uma aposentada de 70 anos que caminha com auxílio de uma bengala. Ela tem medo de cair da plataforma, mal consegue subir e descer as escadas que dão acesso a sua casa e sofre para caminhar na região. ‘‘Não posso andar tranquila, morro de medo de me acidentar. Meu irmão caiu dessa escada uma vez e teve de ir para o hospital’’.
Foram os netos de Dona Marlene que construíram o corrimão de ferro usado pela aposentada para subir as escadas. Sua vizinha, a comerciante Tânia Garcia, também mandou fazer um acesso, com corrimãos de madeira que estão com parafusos soltos e ameaçam cair. Ela também teme acidentes e ainda se sente prejudicada pela dificuldade de acesso dos clientes a seu ponto. ‘‘É inconveniente e perigoso sempre’’.
Isso é triste. Imagine você, leitor, se fosse sua mãe que estivesse nessa situação, seria no mínimo chato, não é verdade?! O mais complicado é o o seguinte, muitas pessoas acham que a acessibilidade é algo direcionado para pessoas com deficiência, nesse caso, os cadeirantes, mas, a realidade é que pessoas idosas têm mais problemas de locomoção, mulheres grávidas também, e isso, todo mundo está sujeito a isso, sem diferença de classes sociais, masss…
Quem tem condições pode comprar carros, cadeiras de rodas possantes etc…
Concordo com alguns que dizem que o poder público deve direcionar os atos para coisas mais básicas, como fome e saúde precária, mas uma coisa não elimina outras. Muitos governantes gastam rios e rios de dinheiro em outras tarefas do seu “órgão” com coisas que, simplesmente, possam atrair mais eleitores. Absurdo.
Esse tipo de problema não é apenas em Natal, acontece no Brasil todo.
Quero parabenizar Gabriel Trigueiro pela matéria e dizer que estou esperando pela série de reportagens que serão feitas, segundo a própria matéria.
“Nas próximas edições, publicaremos uma série de matérias sobre a precariedade das calçadas em vários trechos da cidade, com a opinião dos cidadãos afetados pelo problema, a visão de urbanistas e a posição do poder público.”