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Descanse em paz, RSS

Posted May 10th, 2009 in Ferramentas e Recursos by ExtraLibris

Por Steve Gillmor, editor do TechCrunch
Tradução livre de Moreno Barros

Está na hora de se livrar completamente do RSS e migrar para o Twitter. RSS simplesmente não funciona mais. Não vale mais a pena nadar contra a maré.

Eu não visito o Google Reader há meses. O Google Reader é o leitor de RSS dominante. Eu fiz o cálculo: Twitter 365 Google Reader 0. Todos os meus feeds estão no Google Reader. Eu não vou mais lá. Já que todos os meus feeds estão no Google Reader e eu não vou mais lá, eu não uso mais RSS.

Claro, meus amigos usam RSS, ou costumavam usar. Praticamente todos os blogs fornecem um RSS feed, e agregadores como TechMeme rastreiam RSS feeds bem como as páginas originais dos sites. Eu compilei o TCIT, o feed do Gilmor Gang e o feed do minha conta no Youtube ao meu FriendFeed, mas isso é o FriendFeed usando RSS, não eu. Eu creio que o FriendFeed ofereça RSS, mas eu não uso.

O RSS modificou a maneira como nós processávamos informação, ao transformar as buscas em estímulo e conteúdo em pessoas. Antes do RSS, eu patrulhava a web por novidades. A informação não existia até que eu a encontrasse. O RSS me permitia identificar pessoas com propensão a escrever coisas interessantes, e rapidamente eu parei de procurar e passei a receber. Nesse mundo, feeds parciais eram irritantes, me tirando da minha redoma e me levando de volta à metodologia de caçar e atirar. Uma vez de volta ao site, o seu objetivo era me manter lá, ou linkar para sites parceiros.

Essa desconexão me distanciou dos feeds parciais e me levou em direção aos novos donos da blogosfera – o espaço profundo de informação daqueles feeds que respeitam o ambiente do leitor. Do NetNewsWire no Mac, ao Blogines e Google Reader, eu nadei nas águas agitadas do rio RSS, retornando à web clássica apenas a partir de links inseridos em posts ou newsletters no email. Os textos completos venceram, e no processo, plantaram a semente do declínio do RSS.

Enquanto o texto completo fatiava grande porcentagem do valor das notícias do dia, a navegação fora dos muros confortáveis do RSS exigia alguma proposição com valor adicional. Os comentários eram esse atrativo e particularmente os emaranhados [threads] ativos onde os leitores poderiam interagir com os autores. O resultado: a Statusfera. E em reação, a necessidade de gestão social desse ecosistema.

Twitter, Facebook, FriendFeed – desconsiderando a partir do que eles tenham surgido, se combinaram em um CMS em tempo real para a mídia emergente. Twitter, e não o RSS, se tornou o sistema primário para alerta de novo conteúdo. Facebook, e não o RSS, se tornou o rolodex social para eventos, introduções casuais ao sangue real do RSS, as pessoas por trás dos feeds. FriendFeed, e não o RSS, capturou a comentáriosfera. O RSS foi expulso de sua própria festa.

Hoje, o RSS é uma lembrança do seu antigo eu, casualmente reduzido à transporte para conteúdo como mais de 140 caracteres, ao stream social. Lá, os itens de RSS servem de alimento aos agregadores e recompactados para os seus sinais comportamentais, são empacotados como Tweets e vendidos por centavos no dólar whuffie [http://en.wikipedia.org/wiki/Whuffie]. A mídia mainstream, antes acorvadada pelos textos completos, agora se mascara como blogs e compete por URLs reduzidas juntamente com os blogueiros que eles ridicularizam sob sua respiração.

Eu achei que ia sentir falta do RSS quando o Twitter passou a dominar, lembrando o quanto foi poderosa a onda de inovação que ele conduziu. Certamente ainda está aqui, queimado nos circuitos da rede, os memes percorrendo suas veias. Mas na era de abundância que encorajou, o valor central se transpôs da inspiração para o inspirado, para as pessoas por trás das idéias.

A corrida pelo tempo real já está ganha. Como um grande trote nas corridas de cavalo, o tempo real vôou sobre o campo enquanto o resto estava sonambulando. O tempo real é tempo para os artistas, para a interpretação da difusão e para o envio de sinais com nuances de humor, música, respeito ao diálogo, mas nenhum para a conversinha dos debates falsos nos canais de tv aberta.

Esse é o mundo que o RSS criou. Agora ele precisa graciosamente retroceder, se incorporar ao cenário e encontrar uma nova casa nas ricas profundezas que nós estamos buscando em meio ao ruído. Depreciar o tumulto do tempo real é um erro tolo; é como reclamar que a vida é curta. Em vez disso, como Dylan disse:

May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young.

Texto original publicado no TechCrunch IT
Rest in Peace, RSS – Steve Gillmor – 5 de maio 2009
http://www.techcrunchit.com/2009/05/05/rest-in-peace-rss/

Foto: Weird Nightmare

3 Responses so far.

  1. abraão says:

    interessante essa visão.faz pouco tempo q acompanho a web de ‘maneira mais profunda’, e parte disso deve-se ao uso q eu fiz um dia do rss (através do bloglines) mas hj quase não o acesso, e a minha principal fonte de atualização é mesmo o twitter.

    não q eu tenha abandonado o primeiro, mas o deixo pro fim de semana… é preciso tempo pra digerir tanta informação, pra mastigar então, nem dá mais

  2. Marcia says:

    Achei o título forte e fiquei curiosa em ler, minha monografia foi sobre RSS e meu artigo também. Ainda não havia tido esse olhar para o twitter, como disseminador da informação. Mas ela pode ser seletiva também? o RSS divide a informação em canais, e o twitter, em pessoas que twittam?
    Boa questão para uma conversa…

  3. Héio says:

    Ridículo. Uso RSS, e pessoas do Twitter que tem site, dizem que existem milhares de seguidores em seus feeds. Bobagem dizer que ele morreu. Esse cara ou confundiu ou deturpou o sentido do twitter.

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