Uma Guia para Estudantes em Escolas Profissionais
Philip E. Agre
Departamento de Estudos de Informação
Universidade da California, Los Angeles
http://polaris.gseis.ucla.edu/pagre/
Versão de 7 de Outubro de 2005
Trduzido com permisão do autor
Uma profissão é mais que um emprego – é uma comunidade e uma cultura. As profissões servem à sociedade juntando conhecimento entre os seus membros e criando estímulos para sintetizar o novo conhecimento. Elas também ajudam os seus membros a construírem redes, encontrarem empregos, colaboradores, recrutarem pessoal, e se organizarem em volta das questões que os afetam. Em um mundo sem transformação ou inovação, as profissões não seriam tão necessárias. Mas em um mundo onde a transformação e a inovação estão cada vez mais intensas, cada ocupação precisa mais das instituições e a cultura de profissões tradicionais como direito, medicina, engenharia, educação, biblioteconomia, administração pública, administração, e arquitetura.
Toda profissão tem líderes. Em um sentido formal, os eleitos de uma sociedade profissional são os líderes daquela profissão. Pois uma profissão é fundamentalmente sobre o conhecimento, contudo, os verdadeiros líderes de uma profissão são os líderes de pensamento: os indivíduos que sintetizam o pensamento dos membros da profissão e articulam direções para o futuro. Às vezes, uma profissão elegerá os seus líderes de pensamento a posições oficiais. Mas muitas vezes os líderes de pensamento preferem conduzir de forma escrita e verbal projetos de vanguarda, organização de conferências, e conversações. A liderança significa tanto fala como a escuta, tanto visão como consenso. Um líder constrói uma rede de relações dentro da profissão e articula os temas que estão emergindo para o pensamento em conjunto sobre a profissão.
Em um mundo de conhecimento intenso e de incessante inovação e modificação, afirmo, cada profissional deve ser líder. Isto não é uma idéia universalmente popular. Algumas pessoas dizem, “a liderança é boa para os outros, eu somente quero um emprego”. Quero argumentar que isso não funciona dessa forma. As habilidades que o líder exercita na construção de uma massa crítica de opinião relacionada a questões emergentes são as mesmas habilidades que todo profissional precisa para se manter empregado indefinidamente. Antigamente a aversão à liderança podia se ocultar em trabalhos burocráticos. Mas como as instituições estão sendo viradas pelo avesso pela tecnologia, globalização, público crescente e expectativas de clientes de todo tipo, os refúgios estão desaparecendo. O emprego de cada profissional é agora está na linha de frente, e as habilidades de liderança devem tornar-se centrais ao para o entendimento de cada um como profissional.
Mas como? É bem conhecido que uma pessoa simplesmente declarando-se lider, não fará que ninguém o siga. O processo de tornar-se um líder não acontece durante a noite, mas é perfeitamente metódico. Aqui está uma receita de seis passos. As coisas não são rigidas desta forma na prática, mas você não terá problemas para adptar a receita assim que a dominar.
[1] Pegue uma questão. Você precisa de uma questão na qual a profissão não esteja realmente pensando, mas que deverá ser o centro das atenções em cinco anos. A questão pode ser técnica, estratégica, administrativa, relacionada com política, ou todos aspectos acima mencionados. Ela pode ser um problema ou uma oportunidade ou ambos. Ela pode ser um novo método ou uma nova área de atuação.
Ser regularmente específica e focada diretamente no trabalho cotidiano das pessoas em algum segmento da profissão. A palavra “tecnologia”, por exemplo, é demasiadamente grande para ser uma questão trabalhável. Você pode encontrar uma questão de vários modos:
(a) Fale com profissionais dinâmicos e converse com seus parceiros sobre o que eles estão dizendo.
(b) Fale com as pessoas no seu curso. Um propósito de um curso com orientação profissional é ser o sistema de alerta antecipado da profissão – o centro de vigilância onde as questões emergentes são articuladas, investigadas, e ensinadas. Muitas questões que você dá por certo como tópicos de leitura e de artigos nas suas classes de fato representam o horizonte mais distante daquele que a maior parte dos seus colegas de profissão estão preocupados. Com quem falar? Com as pessoas que estão motivadas. Elas estão motivadas porque identificaram uma oportunidade de atuação de alta qualidade, para fazer o que é preciso da melhor forma possível.
(c) Fale com pessoas de outras profissões para encontrar questões que possam vir a ser importantes para a sua profissão. Isto pode significar simplesmente perguntá-los que questões são importantes em suas áreas agora, ou pode significar explicar-lhes a situação na sua profissão detalhadamente e pedi-los para instruí-lo. Por exemplo, as primeiras pessoas que aplicaram idéias da estatística às Ciências da Computação tornaram-se líderes, assim como as pessoas que primeiro aplicaram a análise econômica à lei. Alternativamente, identifique recursos intelectuais distintivos que você já traz com você, ou que você está altamente motivado para aprender, e que as pessoas realmente não estão aplicando na sua profissão ainda. Esquadrinhe o seu campo para identificar questões que você pode transformar pensando nelas deste modo.
(d) Escolha um tópico dentro da sua profissão em que você realmente espera trabalhar um dia, e leia livros e artigos sobre esse tópico de várias outras áreas, profissionais e amadores, mesmo se eles usarem uma linguagem diferente. Sinta-se estranho em relação aos sistemas e procedimentos diferentes e de como cada área o utiliza. Solte-se das camadas ortodoxas de pressuposições e suposições que a sua profissão acumulou em relação a este tópico. Então estabeleça uma agenda para reinventar esse tópico usando uma linguagem que as pessoas da sua profissão poderão entender.
(e) Redescreva uma das funções existentes na sua profissão de um modo resumido, e logo identifique várias outras atividades às quais a mesma abstração pode ser aplicada – inclusive atividades que são atualmente executadas por outras profissões. Por exemplo, os catalogadores de biblioteca são realmente especialistas “em serviços de metadados”, e muitas outras profissões (p.ex. editoração) estão fazendo um trabalho ruim nesta área porque eles necessitam de uma compreensão profissional séria sobre metadados.
(f) Fale com as pessoas que utilizam os produtos e serviços da sua profissão. E converse especialmente com aqueles que são líderes no seu próprio campo, para que a sua situação o ajude a predizer o futuro daquele campo em geral. Como as suas necessidades estão se modificando? Que novas necessidades eles terão em cinco anos? Quais são os seus valores e objetivos de longo prazo? O que gostaria da sua profissão para ser dramaticamente mais útil para eles? A sua profissão realmente está engajada para manter e estender a sua relevância? Agora fale com eles novamente. Desta vez, aponte-lhes alguns novos caminhos surpreendentes pelas quais a sua profissão poderia ser capaz de ajudá-los no futuro, e convidá-los a pensar com você em como os seus próprios campos poderiam ser melhorados com isso.
(g) Aprenda os argumentos que os atuais líderes da sua área empregam no momento do orçamento. Então invente alguns novos argumentos que as pessoas com dinheiro entenderão. Use esses argumentos para iniciar conversas com colegas informados sobre quais argumentos as pessoas relevantes podem entender de fato. Tente idenficar os elementos do pensamento deles que você não conhecia anteriormente. Então converta o que é válido nessse pensamento em questões para sua área. Uma vez que você deixa de pensar nas pessoas que lidam com finanças como autoridades opacas, você notará mais prontamente oportunidades de ampliar a sua profissão.
(h) Reúna um grupo de dez outros estudantes dispostos à mudanças na sua área e passe duas horas de brainstorm (tempestade de idéias) com pelo menos cem novas formas com as quais a sua profissão pode prover as pessoas de produtos e serviços úteis. Visualize a tecnologia após dez anos a partir de agora. Todas as suas idéias devem ter partido claramente da prática passada. Fazer isso em um grupo é útil porque as idéias surpreendentes de todas as pessoas podem ajudar todos os outros a pensar em alternativas originais. Então reduza gradualmente a sua lista aos poucos com as idéias que são tanto radicais como plausíveis.
(i) Trace a sua própria experiência, valores, e intelecto para articular uma questão sobre a qual ninguém mais está falando. Talvez você esteja simplmesmente anticipando assuntos que todo os outros irão descobrir de forma independente em alguns anos, ou talvez você esteja construindo algo novo que não teria acontecido sem você. Em qualquer caso, se a questão for se tornar importante para a sua profissão em cinco anos, você estará fazendo um serviço público por ter saído na frente.
(j) Cultive as suas habilidades de se interessar por coisas novas. Toda vez que você se interessar em algum tópico novo, faça três coisas: procure no Google sobre, procure-o nas bases de artigos da sua profissão ou no site de uma biblioteca e leia alguns artigos sobre, e logo tenha uma conversa com alguém que sabe sobre ele. Um bom modo de convocar tal conversa é, “eu gostaria pedir um conselho seu”. Faça isto durante um ano. Observe que você se interessa agora por várias coisas importantes que ninguém mais está pensando. Assuma que os outros da sua geração considerarão os tópicos interessantes uma vez que vocês os explica para eles.
(k) Olhando a sua profissão como ela está hoje, e possivelmente falando com alguns dos seus mais novos e mais iconoclastas membros, identifique um aspecto da prática atual que é arcaico. Pergunte que reforma seria ideal.
(l) Escreva todas as dificuldades que parecem ocorrer na sua experiência prática da sua profissão – algo, mesmo pequeno, que muitas vezes parece dar errado. Ou mesmo se torne um antropólogo durante um dia, e junte-se com algumas pessoas – estudantes, imigrantes, novos clientes, etc. – que estão lidando com a sua profissão pela primeira vez. Experimente a consternação das dificuldades em que eles experimentam. Reúna uma dúzia de dificuldades. Então comece a fazer teorias sobre o que causa estas dificuldades. As teorias grandes, pretensiosas são as melhores, especialmente se eles exageram sobre quão importantes as dificuldades que você enumerou realmente são. Elabore as suas teorias no seu caderno durante mais alguns meses até que elas sejam realmente grandiosas. Então use as teorias para começar a gerar idéias de inovação e transformação na sua profissão. Muitas das suas idéias terão vantagens além da fixação da dificuldade que as inspirou. Consulte-se com pessoas dinâmicas para determinar qual dessas idéias (não as teorias, obviamente, mas as idéias) poderiam ser plausíveis como questões para o futuro.
(m) Pergunte-se, “qual é a grande tendência na minha profissão agora ou na minha área específica?” As tendência normalmente editam a realidade, omitindo questões importantes que virão rugindo mais cedo ou mais tarde. Não seja reacionário tentando colocar para trás a tendência atual em troca de algo que veio antes. Em vez disso, identifique aqueles elementos da tendência atual que são valiosos, e articule uma agenda que remixe aqueles elementos com os elementos que estão sendo omitidos.
(n) Aprenda sobre uma nova família de tecnologias que implicam em grandes conseqüências na prática do seu campo, quando ficarem largamente disponíveis. Como uma “família” penso numa larga categoria de tecnologias como nanotecnologia ou redes de computação em volta das quais as novas instituições de pesquisa e aplicação estão se formando, e não uma invenção única que pode ou não pode construir uma massa crítica de aceitação. Em geral, construa para si um sistema de inteligência para aprender qual nova pesquisa está no topo da onda, para que você possa formular as questões que ficarão importantes uma vez que os novos métodos estejam acessíveis. Se você não se interessa por tecnologias, então tente as políticas governamentais em vez disso. As políticas governamentais tem um impacto imenso e geralmente não-óbvio na sociedade, criando assim oportunidades para as pessoas que são conscientes delas. Mantenha-se informado sobre os questões políticas que implicam em transformações dentro de seu campo de competência, inclusive questões aparentemente pequenas e obscuras cujo significado ninguém mais reconhece.
(o) Lance um olhar para a história da sua profissão, identifique uma força que esteve operando continuamente de forma a transformar o processo de trabalho da profissão, e imagine o que acontecerá à medida que esta força torne-se mais forte no futuro. Uma tendência que os médicos seniores observaram no decorrer das suas carreiras, por exemplo, normalmente reflete uma força que se pode esperar que se intensifique. Se a força for positiva, explique as suas conseqüências nos mínimos detalhes e monte uma agenda prática sobre suas implicações. Se é negativa, faça uma chamada às armas e defina uma alternativa viável. Se for complicado, comece a direrenciar o lado bom do ruim.
(p) Observe o caminho que os que trabalham na sua profissão estão desenvolvendo, e veja se uma nova “classe” está emergindo. Isto poderia acontecer, por exemplo, se uma nova divisão do trabalho estiver criando um grupo de funcionários que têm interesses comuns que se diferenciam dos interesses de pessoas que estão fazendo outras partes do trabalho. Se o novo grupo ainda não tiver desenvolvido uma identidade coletiva e instituições coletivas, então você pode ajudar articulando as questões que os afetam.
(q) Observe os tipos diferentes de pessoas que estão introduzindo contrastes na profissão há vinte anos. Que interesses, valores, e assuntos os distinguem de gerações mais antigas? Se você descobrir que os membros seniores e juniores da profissão consideram questões bastante diferentes como importantes, e se as questões dos profissionais juniores não tiverem sido propriamente estudadas, ajude a articular a agenda da geração emergente.
(r) Identificar uma questão que de forma independentemente surgiu em organizações diferentes ou países diferentes, mas onde os profissionais relevantes ainda não se organizaram em uma rede, muito menos um grupo de interesse. Mais geralmente, descubra dois ou mais grupos que deveriam saber um do outro mas não sabem, e identifique uma questão em volta da qual os grupos deveriam estar comparando informações.
(s) Identifique uma tendência intelectual ou política que você geralmente concorda na sociedade, e pergunte-se quais implicações aconteceriam na prática da sua profissão.
(t) Identifique algo que as pessoas da sua área atualmente fazem de um modo acidental, possivelmente porque é novo. Ponha um nome impressionante nele, para que as pessoas interpretem cada exemplo dele como a determinada espécie de algum gênero. Entreviste as pessoas que o estão fazendo, e faça uma lista de questões que ponha em conjunto tudo que eles estão pensando enquanto eles o fazem. O resultado será uma teoria que os ajudará a fazê-lo de um modo racional. Se a sua teoria pode ser resumida como uma nova idéia, melhor ainda.
(u) Trabalhe para um inovador dinâmico – isto é, não alguém que foi famoso por ter inovado há vinte anos atrás, mas alguém que está dinamicamente inovando neste momento. Aprenda como é feito. Então siga com seus próprios passos. As questões convenientes são realmente bastante abundantes, e novas aparecerão mais facilmente uma vez que você começa a perceber as coisas da forma que um inovador dinâmico.
(v) Reuna-se com pessoas na sua profissão que tenham idéias novas. Combine as idéias deles com as suas próprias de novas maneiras.
(w) Analise os processos pelos quais as pessoas na sua profissão aprendem novas coisas e utilize-os para fazer melhor o seu trabalho. Esses processos são racionais? Como seriam processos melhores?
(x) Identificar cinco tendências importantes no mundo em geral, p. ex., “a China está ficando integrada a outros países” ou “os computadores serão mil vezes mais poderosas dentro de vinte anos”. Que oportunidades e desafios essas tendências criam para a sua profissão?
(y) Perguntar-se, qual é o verdadeiro objetivo da minha profissão, ou a minha área particular? Qual seria um modo completamente diferente de realizar aquele objetivo? Pense numa lista de vinte maneiras por quais o trabalho na sua profissão pode ser modificado para conectá-lo mais diretamente com o seu verdadeiro objetivo.
(z) Tendo feito muitos dos exercícios enumerados em cima, tente caracterizar o seu estilo de pensamento pessoal – ou, mais precisamente, o seu estilo de identificação de problemas. Por exemplo, você pode descobrir/trabalhar melhor quando imerso em uma multidão de pessoas competentes, ou pesquisando em um grande montantes da informação, ou desenhando diagramas. Então invente alguns métodos que realmente amplificam aquilo que funciona para você.
Você vai provavelmente querer aplicar vários desses métodos, trabalhando-os continuamente até que você tenha um quadro claro das questões que estão emergindo. Sempre que você puder articular uma questão candidata, pergunte às pessoas que contra-argumentos um público resistente levantaria, então use-os produtivamente para tornar a sua questão ainda melhor. Uma vez que você finalmente define uma questão, encarregue-se de promover a consciência da sua profissão sobre ela. Se achar que essa atitude pode fazer você parecer arrogante, é somente porque você não está acostumado. Concentre-se na questão e você será perfeito.
[2] Tendo escolhido a sua questão, comece um projeto para estudá-la. Você poderia fazer isto no contexto de um artigo ou um estudo independente, ou você poderia organizá-la pelo setor estudantil de uma associação profissional. Ou você poderia fazê-lo simplesmente no seu próprio tempo. O trabalho é difícil, sim, mas é um investimento. Veja se um professor [membro da faculdade] se dispõe como um orientador do projeto, e se você pode usar o nome dele para contactar pessoas.
[2] Encontre pessoas relevantes e fale com elas. Primeiro faça sua pesquisa para identificar algum problema convencional que está por aí. Então fale com alguns profissionais que estão enfrentando o problema, especialmente se eles tiverem falado publicamente de um aspecto sobre ele. Você pode encontrar essas pessoas perguntando aos professores universitários do seu curso; o trabalho deles é conhecer todo mundo. Se os professores forem reservados no início para disponibilizar seus contatos, então trabalhe os seus próprios contatos, por exemplo os seus colegas estudantes ou a sociedade profissional. Você também pode encontrar pessoas relevantes lendo publicações profissionais, assistindo a conferências, e procurando Web sites. Diga às pessoas que você procura que o seu projeto está agregando a experiência da profissão com a questão, e pergunte se você pode entrevistá-los. Tenha uma conversação boa, focada, tome notas sérias, pergunte se eles querem compartilhar algo confidencial, dê seu cartão, e prometa permanecer em contato. Por que eles estariam dispostos a falar com você? Porque você está trabalhando em uma questão importante, e porque você está associado a uma escola profissional, que é um centro de pensamento e ligação em rede para o campo. Use o poder simbólico da universidade enquanto você ainda está associado a ela.
[4] Junte o que você ouviu. Ninguém está esperando que você resolva os problemas. Os verdadeiros profissionais realmente têm de resolver problemas, naturalmente, mas agora a ênfase está mais em perguntas do que respostas. Você contribuirá simplesmente definindo o escopo dos problemas que as pessoas estão enfrentando. Crie uma taxonomia e dê exemplos. Fale sobre o que as pessoas estão fazendo para enfrentar os problemas. Concentre-se na prática: as decisões reais que os profissionais da área terão que formular, e a variedade das considerações que eles terão que levar em conta. A maior parte dessas considerações parecerão óbvias quando isoladas, mas muitas pessoas agradecerão por ter uma lista completa à sua frente. Lembre-se de que os profissionais, não importa quão criativo e intuitivo eles são, têm de justificar as suas decisões de um modo racional, dando razões por que eles fizeram uma escolha e não outra. Você fará um serviço somente expondo as escolhas e razões. Fale sobre as conseqüências que as pessoas vêem para o futuro. Apenas imponha alguma ordem. Os professores universitári no seu curso podem provavelmente ajudá-lo com isto. Escreva claramente e concisamente, e procure alguém que escreva bem para editar o seu trabalho.
[5] Faça circular o resultado. Envie cópias às pessoas que o ajudaram. Chame-o de relatório preliminar ou provisório se você quiser. Dê crédito às pessoas cujas idéias você descreveu. Então siga em frente. Procure novos comentários. E escreva algumas colunas curtas para publicações profissionais. Descreva o seu projeto e resuma a questão. Explique por que a questão está se tornando importante. Concisamente apresente os perigos e oportunidades da profissão. A sua missão é a de liderar: apresentar à profissão uma questão válida que requer ação. Novamente, você não precisa especificar qual seria a ação correta. Você só tem de dar forma à questão. Assegure-se que as suas colunas publicadas tenham um endereço de e-mail permanente onde as pessoas podem contacta-lo, e melhor ainda, o URL de uma Página da Web onde você reuniu materiais relacionados à questão.
[6] Explore o seu trabalho. Seja convidado para falar em reuniões. Corresponda-se com as pessoas que contactaram você depois de ler seu trabalho. Encontre mais pessoas que apreciam o significado da questão. Se você ouvir sobre alguém que está trabalhando em uma questão semelhante, faça amizade. Mostre-lhes que você leu o seu trabalho, lhes dá o crédito devido, e exponha como os seus projetos completam um ao outro. Estenda a sua rede para incluir clientes da sua profissão e pares. Como você cria perspectivas em muitas pessoas, deixe a sua compreensão da questão crescer e desenvolver-se. Apresente formas honestas de explicar a questão e respostas claras às perguntas padrão que perguntam-lhe. Não tente converter as pessoas que não compreendem. Você pode ser uma voz na selva durante algum tempo, mas continue construindo redes e sintetizando idéias. A sua aproximação enérgica e responsável o transformará em um imã de gente inteligente. Com o interesse na questão acelerando, construa instituições em volta dela. Veja se as pessoas na sua rede querem começar uma lista de discussão moderada. Organize um painel de discussão sobre ela em um encontro de estudantes ou profissional. E assim por diante. Continue indo até a questão amadurecer ou desaparecer. Então encontre outra questão e comece novamente.
Esse é o procedimento. Você sempre deve ter pelo menos uma questão que está desenvolvendo desta forma. Fazendo assim, você está ajudando a profissão a pensar em voz alta nos seus problemas e potenciais, e você também está ajudando a melhorar a profissão em conjunto estabelecendo conexões entre as pessoas que estão pensando em questões no horizonte. Você também está se transformando em um candidato de emprego forte. Você está construindo o conhecimento e você está construindo redes. Um objetivo de um curso com foco profissional é construir tais redes, e ajudando-o o curso você ajuda-se.
Se você tem passado a sua vida inteira frequentando cursos e se fatigando em empregos normais, então você pode achar a perspectiva da liderança intimidante. A maior parte dos cursos e empregos temem você, então eles estimulam uma atitude dependente em que você deve esperar que outras pessoas lhe provenham coisas. Naturalmente que eles não são bem sucedidos; nenhuma instituição pode extinguir completamente a motivação humana. Mesmo assim, poucos cursos ou empregos, treinam ativamente os seus habitantes a tomar iniciativa organizando as pessoas em volta de questões emergentes. As pessoas prósperas em todas a história registrada exerceram liderança desta maneira. Também não dão larga publicidade aos métodos de liderança que descreví, e muitos cursos que supostamente deveriam ensinar as habilidades de liderança as omitem inteiramente. Mas os lideres estão lá fora, agitando com força total, e você pode aprender apenas observando as pessoas prósperas em ação. Estou esperando que apenas lendo este texto você possa aprender isso um pouco mais rápido.
Conforme você avança na sua profissão, vocês estará gerenciando pessoas de forma mais sofisticada, e envolvido em questões mais sofisticadas. De qualquer forma, será importante para cultivar a sua vida intelectual. A liderança é uma habilidade tão rara que não importa se você é gênio em sua área de domínio. A liderança é um processo, e o ponto principal é que você não responderá a todas as perguntas por sí só.
Conseqüentemente, você terá de construir uma rede de confiança cerebral – com gente inteligente e informada que você pode recorrer quando precisar de avaliação especializada. E esta é uma boa razão para manter contatos do seu curso, com as pessoas inteligentes que passam por alí enquanto você está por lá. Outra boa forma de começar uma rede de confiança cerebral é organizando uma série de palestras. Para que intrepidamente possa avaliar as suas forças intelectuais e fraquezas, e logo faça amigos profissionais que possa complementá-lo. A sua contribuição é a de facilitar este movimento amplo dentro de sua profissão.
Quando você se torna um lider, também enfrentará questões éticas. A liderança tem uma má reputação; as pessoas geralmente a associam com desonestidade, manipulação, e “política”. É porque tantos “líderes” preferem pegar a onda de certas questões, extraindo a energia social em volta delas para seu próprio benefício, antes de ser uma força positiva e construtiva na comunidade. Uma vez que você construiu uma rede e desenvolveu um pouco de retórica, você pode sair dela de forma muito egoísta. As pessoas provavelmente até o louvarão por causa dela. Você pode pode aproveitar oportunidades profissionais participando de uma rede de ajuda mútua entre os seus colegas de profissão, mas depois nunca colaborar com a comunidade novamente oferecendo sugestões sérias. Mas isto não adianta. O seu trabalho deve modelar a liderança positiva. Você sem dúvida algum ouviou que a liderança verdadeira é “abnegada”. Não acentuei este problema por enquanto, pela simple razão de que é inútil exigir das pessoas que elas sejam lideres abnegados, até que eles compreendam o processo de seis passos que farão deles lideres de verdade. Agora que você realmente entende o processo, e uma vez que especialmente você acostuma a exercê-lo de fato, é tempo de põr alguma conteúdo nele. Use as suas conexões para ajudar as pessoas que merecem e precisam de ajuda. Promova todas as idéias valiosas que você encontra, e se elas reforçam os questionamentos ou não. Continue tentando compreender os questionamentos mais profundamente, e pergunte-se se a transformação no mundo está trazendo outros questionamentos mais importantes. Não seja um entusiasta do ego. E escreva sobre o que você vem aprendendo ao longo do caminho.
Por que argumento que o mundo moderno precisa que todos os profissionais se ocupem da liderança? Antes da Internet, os profissionais tinham que ser generalistas. Os problemas surgiram, e você tinha que de resolvê-los. Hoje, contudo, as instituições e as infraestruturas da sua profissão facilmente disponibilizam o conhecimento profissional para que você carregue onde quer que seja necessário. Para ter sucesso na sua carreira, você precisa mais do que as habilidades que você aprendeu na escola – você tem de ser o perito mundial em algo. O conhecimento é global, está crescendo exponencialmente, e ninguém pode assimilar todo do conhecimento necessário na sua cabeça. Assim de toda as pessoas estão buscando alguma forma de especialização. A especialização não significa estreiteza: ele significa estender a mão para focar em muitas direções, sse conectando com muitas espécies de pessoas, e tricotando em conjunto sobre os elementos que fazem a sua matéria importar. ” Liderança” foi utilizada para significar algo único: um exército teve um líder e todos os outros o seguiram. Hoje, contudo, o conhecimento está multiplicando-se tão rápido que precisamos de mais líderes do que possibelmente podemos produzir. Cada líder pode sentir-se importante, e genuinamente ser importante, e todo o mundo pode ser um líder, inclusive você.
Aqui estão alguns livros e artigos que poderiam ser úteis
Nota dos tradutores: as referências para as leituras sugeridas foram mantidas no idioma original. Caso a obra seja editada no país, colocamos a referência em português em seguida.
Networking on the Network. This is a much longer article that I wrote about professional networking for students in PhD programs. Although most of the detailed instructions are specific to the research world, the underlying philosophy will carry over into the professional world. On the Web at .
Wayne E. Baker, Networking Smart: How to Build Relationships for Personal and Organizational Success, New York: McGraw-Hill, 1994. A fairly comprehensive book on the networking process, with greater emphasis than most on strategy.
Peter Block, Flawless Consulting: A Guide to Getting Your Expertise Used, Austin: Learning Concepts, 1981. Though written for management consultants, this book has valuable things to say about the feelings that come up in any kind of professional work, and how to use them honestly for everyone’s benefit. [Peter Block, Consultoria: O desafio da liberdade, São Paulo: Makron 2001].
Thomas H. Davenport and Laurence Prusak, What’s the Big Idea? Creating and Capitalizing on the Best Management Thinking, Boston: Harvard Business School Press, 2003. This is a book about how to go shopping, so to speak, among the ideas that are available in the works of management professors and consultants — understanding the nature and dynamics of the ideas and choosing the ones that work best for your organization and career. [Thomas H. Davenport e Laurence Prusak, Vencendo com as melhores idéias. Como fazer as grandes idéias acontecerem na sua empresa. Rio de Janeiro: Campus, 2003].
Donna Fisher and Sandy Vilas, Power Networking, Austin: Mountain Harbour, 1992. This is the best all-around book on the subject of professional neworking. It abstracts a long list of guidelines that apply pretty widely across professions.
Roger Fisher and William Ury, Getting to Yes: Negotating Agreement Without Giving In, Boston: Houghton Mifflin, 1981. This is the classic book on negotiating. Its core message is that you should negotiate on the basis of interests and not on positions, so that negotiation becomes cooperative problem-solving. If you lead then you’ll need these skills. [Roger Fisher e William Ury, Como chegar ao sim: A negociação de acordos sem concessões. São Paulo, Imago: 2005].
Ford Harding, Rain Making: The Professional’s Guide to Attracting New Clients, Holbrook, MA: Bob Adams, 1994. The way to get ahead is to do something new and tell everyone about it. This is a pretty good introduction to the process, with a focus on publishing an article and developing professional networks.
Linda A. Hill, Becoming a Manager: Mastery of a New Identity, Boston: Harvard Business School, 1992. As a professional you’ll have probably a manager, and soon enough you’ll probably be a manager yourself. Your job is to deal with these relationships in a mutually beneficial way while also maximizing your own autonomy. This is a study of new managers getting used to their jobs, and it’s a good source of insight into these issues. [Linda A. Hill, Novos Gerentes: Assumindo uma nova identidade. São Paulo: Makron, 1993].
Robert Jackall, Moral Mazes: The World of Corporate Managers, New York: Oxford University Press, 1988. This is a terrific book about the ethical issues that will surround you in the organizational world. Once you understand these issues, you will see trouble coming much further off, while you can still make your own decisions about it.
Tom Jackson, Guerrilla Tactics in the New Job Market, second edition, New York: Bantam, 1991. This is an excellent book about finding a job; though it is out of print, you can probably find a used copy online. Sending dozens of resumes to personnel departments is one approach, but a much better approach is systematic networking and inside research.
W. Chan Kim and Renee Mauborgne, Blue Ocean Strategy: How to Create Uncontested Market Space and Make the Competition Irrelevant, Boston: Harvard Business School Press, 2005. This is a business book that describes several methods for inventing entirely new products and services. [W. Chan Kim and Renee Mauborgne, Estratégia do Oceano Azul: Como criar um espaço de mercado e tornar a competição irrelevante. Rio de Janeiro: Campus, 2005].
Michael Watkins, The First 90 Days: Critical Success Strategies for New Leaders at All Levels, Boston: Harvard Business School Press, 2003. This is a good basic outline of the first things to do when you have been promoted to any sort of managerial job, and most of it applies to any job at all. [Michael Watkins, Primeiros 90 dias: Estratégias criticas de sucesso para novos lideres em todos os níveis].
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