Diz-se que os praticantes da crítica literária são os críticos de literatura; isso é, aqueles que revisam e criticam trabalhos de ficção. Mas onde estão, alguém pode perguntar, os críticos da funcionalidade e legitimidade dos sistemas de organização do conhecimento? Estes são, por exemplo, bibliografias, sistemas de classificação, tesauros, enciclopédias e máquinas de busca – todos os sistemas que de uma maneira ou outra são os mediadores da parte registrada da sociedade e da cultura. Tais sistemas de organização do conhecimento são também as ferramentas profissionais dos bibliotecários. Por essa razão, nós deveríamos imaginar que os bibliotecários possuem muito a dizer sobre o papel e utilidade desses sistemas na mediação da sociedade e cultura, mas é difícil dentro da arena pública encontrar e escutar as vozes críticas de bibliotecários argumentando sobre os sistemas de organização do conhecimento.
Edson Nery da Fonseca
Tudo isso é o resultado de uma formação profissional defeituosa, caracterizada pela hipertrofia da técnica, com prejuízo da filosofia biblioteconômica, da cultura que é ingrediente indispensável no treinamento de bibliotecários. Ensina-se um know-how deficiente e capenga, porque desligado do contexto natural da Biblioteconomia, que é a cultura. Ensina-se "como fazer", sem explicar "porque" e "para que" fazer, de tudo resultando bibliotecários que fazem fichas como o pobre do Carlitos manipulava as chaves de parafuso: criando automatismos puramente animais.
Otto Maria Carpeaux
A Biblioteconomia é uma técnica; aprende-se em cursos teóricos – os atuais são perfeitamente suficientes – e em estágio prático numa biblioteca bem organizada. O curso universitário de Biblioteconomia não poderia dar mais, se não fosse mais teoria biblioteconômica; teoria de cujo valor prático muitos entendidos duvidam. Contudo, seria possível, numa Faculdade, melhorar [...]
Alho, vodca e políticas de gênero:
anti-intelectualidade na Biblioteconomia americana
Michael Winter
O tópico pode surpreender, afinal os bibliotecários são tão obviamente intelectuais, ou pelo menos são amantes dos livros, ainda que tenham sido chamados, talvez injustamente, inimigos dos livros (Adams 1937). Eles são, para usar a agradável frase neutra de Seymour Martin Lipset, distribuidores de cultura (Lipset [...]
H. CURTIS WRIGHT
School of Library and Information Sciences – BYU, 1989.
Resumo
Esse trabalho sai da visão Kaplaniana de informação como estrutura formal das idéias, para a visão Meadiana de comunicação intersubjetiva e daí para a compreensão de realidade de Popper. Apresenta um modelo de Biblioteconomia, identifica seus componentes com os três mundos de Popper e conclui [...]
O reinado da biblioteca como fornecedora de informação está decadente. Por justiça ou não, as bibliotecas atuais estão cada vez mais sendo vistas como ultrapassadas, comparadas com serviços modernos baseados na internet, como Google e Amazon, desejosos por assumir o trono. Mesmo assim, em Talis [fornecedora de produtos e serviços para bibliotecas públicas e acadêmicas no Reino Unido e Irlanda] nós acreditamos que ainda existe muita vida na biblioteca. Entretanto, essa sobrevivência demanda mudanças. Inevitavelmente, com o mundo avançando, a biblioteca precisa evoluir e começar a disponibilizar seus serviços na maneira como os usuários modernos esperam. A Biblioteca 2.0 é o conceito de um serviço de biblioteca bem diferente que opera de acordo com as expectativas dos usuários das bibliotecas de hoje. Nessa visão, a biblioteca torna a informação disponível quando e onde quer que o usuário requisite. Em alguns momentos, essa visão será difícil de ser alcançada. Mas nós achamos que também trará euforia e preenchimento. No final, nós esperamos que seja uma prova de que a biblioteca continua importando.
April 29, 2009
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