Edson Nery da Fonseca
Tudo isso é o resultado de uma formação profissional defeituosa, caracterizada pela hipertrofia da técnica, com prejuízo da filosofia biblioteconômica, da cultura que é ingrediente indispensável no treinamento de bibliotecários. Ensina-se um know-how deficiente e capenga, porque desligado do contexto natural da Biblioteconomia, que é a cultura. Ensina-se "como fazer", sem explicar "porque" e "para que" fazer, de tudo resultando bibliotecários que fazem fichas como o pobre do Carlitos manipulava as chaves de parafuso: criando automatismos puramente animais.
Otto Maria Carpeaux
A Biblioteconomia é uma técnica; aprende-se em cursos teóricos – os atuais são perfeitamente suficientes – e em estágio prático numa biblioteca bem organizada. O curso universitário de Biblioteconomia não poderia dar mais, se não fosse mais teoria biblioteconômica; teoria de cujo valor prático muitos entendidos duvidam. Contudo, seria possível, numa Faculdade, melhorar [...]
Silvia Cortez
Apresenta Portugal como pioneiro em tornar sua censura literária modelo para a Europa. Enfoca a política desenvolvida para atingir este objetivo, através da prevenção, cooptação e repressão. Aborda a antecipação da nação lusa em criar mecanismos ao desenvolvimento intelectual antes da instalação da Inquisição e do Concílio de Trento.
Diana Gonçalves Vidal
"Nós tínhamos aula de biblioteca. Era obrigatório. Tínhamos aula de pesquisa de biblioteca, pelo menos uma hora por semana. Cada vez era uma matéria que nós tínhamos que fazer pesquisa. Ou então, íamos quando não tínhamos aula. Nós não ficávamos na sala de aula. Éramos encaminhadas para a biblioteca, porque senão D. Palmira [a inspetora] não agüentava. Depois, à medida que o número de alunos do Instituto de Educação foi aumentando, eles já começaram a não empurrar mais os alunos para a biblioteca como foi a primeira turma. Porque nós fomos praticamente uma turma de experiência do que eles chamavam da Escola Nova: preparo do professor para a Escola Nova."
Ao iniciarmos qualquer discussão sobre este tema, é impossível fugir a um problema básico: como falar a respeito de bibliotecas escolares em um país onde, na maioria das regiões, faltam as próprias escolas? E como pensar em pesquisa na biblioteca escolar, se leitura chega quase a ser um palavrão no repertório do brasileiro? Os temas biblioteca, escola, pesquisa, leitura, são verdadeiros oásis no deserto da Educação brasileira.
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
LEILA MERCADANTE
Professora de Biblioteconomia, bibliotecária-chefe da Unesp, Marília / SP.
Revista Palavra-chave, São Paulo, n.1, p.13-14, 1982.
A biblioteca universitária brasileira tem merecido, nos últimos anos, especial atenção de estudiosos, aqui e fora do Brasil. Enfocando aspectos importantes, discutindo suas funções, avaliando seu desempenho, propondo padrões para seu desenvolvimento, alguns trabalhos demonstram o grau de maturidade [...]
O que justificaria a demanda por bibliotecas públicas? Deixando de lado o objetivo da auto-educação, cujo valor, como mecanismo de mobilidade social é bastante discutível numa sociedade que somente valoriza o saber conferido pelo diploma, por que motivo, fora do campo educacional, alguém recorreria à biblioteca pública? Coloquemos a questão de outra forma: o que teria a biblioteca pública a oferecer à maioria da população para que esta se apropriasse efetivamente de uma instituição que, pelo adjetivo, aspira a ser sua? Não se trata de, ingenuamente, dar respostas com base em números, em estatísticas de freqüência e uso de materiais. Trata-se de conhecer, com base em critérios qualitativos, qual papel a biblioteca pública deve desempenhar.
Pois aí está: o bibliotecário e o país apresentam-se em fragmentos. A multiplicação das partes resultará no número de faces do bibliotecário necessário para o Brasil hoje. Traçar o perfil do usuário é uma saudável e crescente preocupação dos bibliotecários. Agora é preciso parar um pouco e descobrir o nosso perfil, descobrir a nossa cara e ver qual é a nossa função e o que representamos nessa tessitura social complexa. Talvez já tenham traçado o perfil do bibliotecário brasileiro, mas falta ainda um espelho permanente para podermos conferir. A causa desse perfil difuso e até mesmo distorcido talvez seja motivada pelo desconhecimento que existe do meio social: o público e as suas condições. O bibliotecário só irá se entender como profissional quando tiver um conhecimento amplo do meio onde atua.
Quem foi Paul Otlet? Otlet imaginava um dia em que os usuários distantes poderiam acessar a base de dados, através de um "telescópio elétrico" conectado a uma linha telefônica, recuperando uma imagem fac-símile para ser projetada em uma tela plana remota. A visão de Otlet sugere um cosmo intelectual iluminado tanto pela classificação objetiva, como pela influência direta dos leitores e escritores: um sistema simultaneamente ordenado e auto-organizado, e infinitamente re-configurável pelo leitor individual ou escritor.
April 19, 2009
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