The Web Time Forgot

Posted June 20th, 2008 in Ensaio by ExtraLibris

By ALEX WRIGHT
Published: June 17, 2008
NYT

Em uma tarde de segunda-feira nublada, essa cidade medieval parece um local esquecido. Além da catedral gótica obrigatória, não há muito para ver aqui, exceto um pequeno museu de fachada de pedra chamado Mundaneum, escondido em uma rua estreita em um dos cantos da cidade. Parece uma casa apropriadamente antiga para o legado de um dos pioneiros perdidos da tecnologia: Paul Otlet.

Em 1934, Otlet fez planos para uma rede global de computadores (ou “telescópios elétricos”, como ele os chamava) que possibilitaria que pessoas buscassem por milhões de documentos interligados, imagens, áudios e arquivos de vídeo. Ele descreveu como as pessoas usariam os dispositivos para mandar mensagens, compartilhar arquivos e até formar redes sociais online. Ele chamou a coisa toda de “reseau”, que pode ser traduzido como rede ou web.

Historiadores normalmente traçam as origens da World Wide Web (w.w.w., ou internet) através de uma linhagem de inventores anglo-americanos como Vannevar Bush, Doug Engelbart and Ted Nelson. Entretanto, mais de meio século antes de Tim Berners-Lee lançar o primeiro navegador de internet em 1991, Otlet descreveu um mundo conectado onde “qualquer um em sua cadeira seria capaz de contemplar toda criação.”

Embora a protoweb de Otlet se baseassem em uma junção de tecnologias analógicas, como cartões de indexação e máquinas de telegrafia, ela antecipou, de qualquer forma, a estrutura “hiperlinkada” da web de hoje.

“Essa foi uma versão Steampunk do hipertexto”, disse Kevin Kelly, ex editor da Wired, que está escrevendo um livro sobre o futuro da tecnologia.

A versão de Otlet dependia da idéia de uma máquina que juntasse os documentos usando links simbólicos. Embora essa noção pareça óbvia hoje em dia, em 1934 ela marcou um grande avanço conceitual. “O hiperlink é uma das invenções menos valorizadas do século passado”, disse Kelly. “Ela vai se juntar ao rádio, no panteão das grandes invenções.”

Hoje em dia, Otlet e seu trabalho foram largamente esquecidos, até mesmo em sua terra nativa, a Bélgica. Embora Otlet tenha tido fama considerável durante sua vida, seu legado caiu vítima de uma série de acontecimentos históricos – entre os quais, a invasão nazista ao país, que destruiu boa parte do trabalho de sua vida.

Mas em anos recentes, um pequeno grupo de pesquisadores começou a recuperar a reputação de Otlet, republicando parte de seus escritos e angariando fundos para estabelecer o museu e arquivo em Mons.

Os curadores do museu Mundaneum, que celebra seu décimo aniversário na quinta-feira, 19, planejam publicar parte da coleção original na web moderna. Essa comemoração não vai ser só uma reivindicação póstuma por Otlet, mas também vai providenciar uma oportunidade de fazer uma reavaliação de seu lugar na história da web. Foi o Mundaneum apenas uma curiosidade histórica – um caminho tecnológico não seguido – ou sua visão pode fornecer esclarecimentos sobre a web como a conhecemos?

Em 1895, Otley conheceu um futuro ganhador do Nobel com quem tinha muito em comum: Henri La Fontaine, que se juntou a ele no plano de criar uma grande bibliografia de todo o conhecimento publicado no mundo.

Para 1895, tal projeto marcou um ato de arrogância intelectual colossal. Os dois homens começaram a coletar dados de todos os livros já publicados, juntamente com uma vasta coleção de revistas e artigos de jornal, fotografias, pôsteres e todo tipo de texto perecível – como panfletos – que as bibliotecas normalmente ignoram. Usando cartões de índice de 7 por 12 centímetros (o que havia de mais avançado na tecnologia de armazenamento), eles criaram um vasto banco de dados com mais de 12 milhões de entradas individuais.

Otlet e LaFontaine procuraram apoio para seu projeto com o governo belga, propondo a construção de uma “cidade do conhecimento”, que aumentaria as chances do país se tornar sede da Liga das Nações. O governo forneceu espaço em um prédio público para o projeto, onde Otlet expandiu a operação. Ele contratou mais gente e estabeleceu um serviço de pesquisa pago que permitia que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, mandasse uma busca por correio ou telégrafo – algo como um mecanismo de busca atual. Pedidos chegaram de todo o mundo, mais de 1.500 por ano, sobre diversos tópicos, de bumerangues às finanças da Bulgária.

Com a evolução do Mundaneum, ele começou a sobrecarregar o espaço com o enorme volume de papel. Otlet começou a buscar por idéias de novas tecnologias para o manejamento da sobrecarga de informação. Em um certo ponto, ele sugeriu uma espécie de computador de papel, manipulado com rodas e raios que moveriam os documentos na superfície de uma mesa. Eventualmente, entretanto, Otlet chegou à resposta final, que envolvia descartar todo papel.

Como não existia algo como armazenamento de dados eletrônicos em 1920, Otlet tinha que inventar a resposta. Ele começou a escrever diversos documentos sobre a possibilidade do armazenamento eletrônico, culminando com o livro de 1934, Monde, no qual ele expôs sua visão de um “cérebro mecânico coletivo” que abrigasse toda a informação do mundo, acessível instantaneamente em uma rede global de informação.

Tragicamente, bem quando a visão de Otlet começou a se cristalizar, o Mundaneum entrou em uma fase difícil. Em 1934, o governo belga perdeu o interesse no projeto, após a oferta de o país para ser sede da Liga das Nações ser recusada. Otlet teve que mover o arquivo para um local menor e, após dificuldades financeiras, teve que fechá-lo ao público.

Um bom número de funcionários continuou trabalhando no projeto, mas o sonho terminou quando o nazistas marcharam pela Bélgica em 1939. Os alemães esvaziaram o local original do Mundaneum para dar espaço para uma exibição de arte do Terceiro Reich, destruindo milhares de caixas cheias de cartões. Otlet morreu em 1944, falido e esquecido.

Depois da morte de Otlet, o que sobreviveu do Mundaneum original ficou para existir na obscuridade em um velho prédio da Universidade Livre em Parc Leopold até 1968, quando um jovem estudante da graduação chamado W. Boyd Rayward começou a seguir a trilha de papel.Tendo lido parte do trabalho de Otlet, ele viajou ao escritório abandonado de Bruxelas, onde descobriu um quarto, como um mausoléu, cheio de livros e papéis com teias de aranha.

Rayward ajudou, desde então, no ressurgimento do interesse no trabalho de Otlet, um movimento que por fim angariou atenção suficiente para conseguir desenvolver o museu em Mons.

Hoje em dia, o novo Mundaneum revela interessantes relances de como a web poderia ter sido. Longas filas de gavestas de catálogos contêm milhões dos cartões de índice de Otlet, apontando o caminho para o grande arquivo que contém todos os artefatos. Uma equipe de biblioteconomistas conseguiu catalogar apenas 10% da coleção até agora.

O arquivo revela tanto as limitações como o potencial da visão original de Otlet. Ele imaginou uma equipe de profissionais que analisassem cada peça de informação que chegasse, uma filosofia que vai contra a idéia básica da web.

“Eu penso que Otlet teria se sentido perdido com a internet”, disse seu biógrafo, Francoise Levie. Até com um pequeno exército de profissionais, o Mundaneum original jamais poderia acomodar o volume de informação produzida hoje na web.

Apesar dessas limitações, a versão do hipertexto de Otlet tinha algumas vantagens importantes com relação à web de hoje. Primeiro, ele viu um tipo mais inteligente de hiperlink. Enquanto links na web servem como um tipo de ligação muda entre dois documentos, Otlet vislumbrou links que carregavam significado anotando, por exemplo, se os documentos concordavam ou discordavam entre si.

Otlet também viu possibilidades de redes sociais, que deixassem os usuários “participarem, aplaudirem, criticarem.”

Enquanto ele provavelmente fosse ficar confuso com o ambiente do Facebook ou do MySpace, Otlet viu alguns dos aspectos mais produtivos das redes sociais – a habilidade de trocar mensagens, participar em discussões e trabalhar coletivamente para recollher e organizar documentos.

Os curadores do Mundaneum de hoje esperam que o museu não termine da mesma maneira que seu precursor. Embora o projeto sempre atraia financiamento, ele batalha para atrair visitantes.

“O problema é que ninguém conhece a história do Mundaneum”, disse sua arquivista, Stephanie Manfroid. “As pessoas não se interessam necessariamente por ver um arquivo. É como, você preferiria ver o último Star Wars ou ir a um catálogo gigante?”

Batalhando para ampliar seu apelo, o museu abriga regularmente exposições de pôsteres, fotografias e arte contemporânea. E enquanto apenas um pequeno número dos turistas cheguem ao pequeno museu em Mons, a cidade ainda pode encontrar seu lugar no mapa histórico da tecnologia. Ainda este ano, uma corporação pretende abrir um centro de dados na cidade: Google.

Sociedade da informação: globalização, identidade cultural e conteúdos

Posted June 13th, 2008 in Artigos e Estudos by ExtraLibris

MIRANDA, Antonio. Sociedade da informação: globalização, identidade cultural e conteúdos. Ciência da Informação, May/Aug. 2000, vol.29, no.2, p.78-88. ISSN 0100-1965.

Os conteúdos informacionais nas redes eletrônicas são analisados na perspectiva de seu impacto social e da promoção da identidade cultural. Considera a penetrabilidade e capilaridade das tecnologias da informação um dos principais indicadores de desenvolvimento da sociedade da informação e defende a instalação de pontos de acesso à internet em bibliotecas públicas e escolares. Defende também o fomento à produção de conteúdos, seu registro e difusão nos âmbitos de governo, da sociedade pelos indivíduos, de forma a refletir as diversidades culturais e regionais, urbanas, periféricas e rurais, assim como o resgate da memória já registrada em língua portuguesa mas ainda não acessível. O documento foi elaborado com a participação de especialistas de todo o país e serviu de base para a redação do Capítulo 5 do Livro Verde do Programa Sociedade da Informação no Brasil – Socinfo.

Artigo na íntegra

O Manifesto da IFLA sobre a Internet

Posted December 3rd, 2006 in Políticas by ExtraLibris

O MANIFESTO DA IFLA SOBRE A INTERNET

O livre acesso à informação é essencial para a liberdade, a igualdade, o entendimento mundial e a paz. Portanto, a Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA) declara que:

* A liberdade intelectual é um direito de cada indivíduo, tanto no sentido de ter e manifestar suas opiniões, como de procurar e receber informação. É a base da democracia e está na essência do serviço bibliotecário.
* A liberdade de acesso à informação, independentemente de suporte e fronteiras, é uma responsabilidade primordial da biblioteca e dos profissionais da informação.
* O livre acesso à Internet, oferecido pelas bibliotecas e serviços de informação, contribui para que as comunidades e os indivíduos atinjam a liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento.
* As barreiras para a circulação da informação devem ser removidas, especialmente aquelas que favorecem a desigualdade, a pobreza e o desespero.

Liberdade de Acesso à Informação, à Internet, às Bibliotecas e aos Serviços de Informação

As bibliotecas e os serviços de informação são instituições atuantes, que conectam as pessoas aos recursos globais de informação e às idéias e obras de criação intelectual que elas procuram. As bibliotecas e os serviços de informação tornam disponíveis a riqueza da expressão humana e a diversidade cultural em todos os meios de comunicação.

A Internet permite às pessoas e às comunidades do mundo inteiro, desde as menores e mais remotas localidades até as grandes cidades, o igual acesso à informação. Esta pode ser utilizada para o desenvolvimento pessoal, a educação, o estímulo, o enriquecimento cultural, a atividade econômica ou a participação informada na democracia. Todos podem apresentar seus interesses, conhecimento e cultura [via Internet] e torná-los disponíveis para o mundo.

As bibliotecas e os serviços e informação proporcionam [aos usuários] os portais de entrada indispensáveis ao conteúdo da Internet. Em alguns casos, oferecem comodidade, aconselhamento e ajuda e, em outros, são os únicos pontos de acesso disponíveis. Fornecem mecanismos para superar os obstáculos criados pelas diferenças de recursos, tecnologia e formação.

Princípios de Liberdade de Acesso à Informação via Internet

O acesso à Internet e a todos os seus recursos deve ser compatível com a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, particularmente com o Artigo 19:

Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de ter opiniões, sem interferência, e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios de comunicação e independentemente de fronteiras.

A capacidade da Internet de interconectar o mundo inteiro possibilita a todos o direito de usufruir desse recurso. Portanto, o acesso não deve estar sujeito a qualquer forma de censura ideológica, política ou religiosa, nem a barreiras econômicas.

As bibliotecas e os serviços de informação também têm a responsabilidade de atender a todos os membros de suas comunidades, independentemente de idade, raça, nacionalidade, religião, cultura, afiliação política, incapacidade física ou de outra natureza, gênero ou orientação sexual, ou qualquer outra condição.

As bibliotecas e os serviços de informação devem apoiar o direito dos usuários de buscar a informação que desejam.

As bibliotecas e os serviços de informação devem respeitar a privacidade de seus usuários e reconhecer a confidencialidade das informações por eles obtidas.

As bibliotecas e os serviços de informação têm a responsabilidade da facilitar e promover o acesso público à informação de qualidade e à sua comunicação. Aos usuários devem ser oferecidos a orientação necessária e o ambiente adequado para que eles possam usar, com liberdade e confiança, as fontes e os serviços de informação de sua escolha.

Além dos muitos recursos valiosos disponíveis na Internet, alguns outros são incorretos, enganadores e podem ser ofensivos. Os bibliotecários devem prover as informações e os recursos para que os usuários aprendam a utilizar a Internet e a informação eletrônica eficazmente. Eles devem atuar no sentido pró-ativo, para promover e facilitar o acesso responsável à informação de qualidade em rede a todos os seus usuários, inclusive as crianças e os jovens.

Assim como os outros serviços fundamentais, o acesso à Internet deve ser gratuito nas bibliotecas e nos serviços de informação.

Implantação do Manifesto

A IFLA incentiva a comunidade internacional a apoiar o desenvolvimento da acessibilidade à Internet no mundo inteiro e, em especial, nos países em desenvolvimento, para assim obter os benefícios globais da informação para todos, oferecidos pela Internet.

A IFLA incentiva os governos nacionais a desenvolverem uma infra-estrutura de informação nacional para fornecer o acesso à Internet a toda a população do país.

A IFLA incentiva todos os governos a promoverem o apoio à livre circulação da informação acessível pela Internet, por meio das bibliotecas e serviços de informação, e a fazerem oposição a quaisquer tentativas de censura ou inibição de acesso [a essa informação].

A IFLA conclama os membros da comunidade bibliotecária e os responsáveis pelas tomadas de decisão, em âmbito nacional e local, ao desenvolvimento de estratégias, políticas e planos para a implantação dos princípios expressos neste Manifesto.

Este Manifesto foi preparado por IFLA/FAIFE.

Aprovado pelo Conselho da IFLA, em 27 de março de 2002, em Haia, Países Baixos. Proclamado pela IFLA em 1º de maio de 2002. Aprovado por unanimidade, sem discordância ou abstenções, durante a reunião do Conselho da “68th IFLA General Conference and Council”, em 23 de agosto de 2002, em Glasgow, Escócia.

Tradução do original inglês The IFLA Internet Manifesto, realizada pela FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições.

Original disponível em: IFLA.

Aplicação das Leis de Ranganathan a Web

Posted September 26th, 2005 in Ensaio by ExtraLibris

Aplicação das Leis de Ranganathan a Web
AliReza Noruzi

Depto. de Ciência da Informação, Universidade Paul Cézanne, Marselha, França.

Tradução de Moreno Barros

Introdução

A World Wide Web é um sistema de Internet que distribui informação gráfica vinculada baseada no protocolo de transferência de hipertexto (HTTP – hypertext transfer protocol). A Web é o sistema global de hipertextos que disponibiliza acesso a documentos escritos em um script chamado Hypertext Markup Language (HTML), que permite que seu conteúdo seja interligado, local ou remotamente. A Web foi concebida em 1989 por Tim Berners-Lee, no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), em Genebra (Noruzi, 2004).

Vivemos tempos excitantes. A Web, cuja história remete a meros 12 anos, figurará certamente entre as mais importantes e influentes tecnologias deste novo século. A revolução da informação não apenas concede o combustível tecnológico que guia a Web, mas abastece uma demanda sem precedentes por armazenamento, organização, disseminação e acesso à informação. Se informação é o ativo do conhecimento econômico, a Web será o banco onde este ativo será investido. É um grande valor agregado da Rede que seus usuários possam acessar eletronicamente recursos online, que para qualquer pessoa não estão contidos nas tradicionais coleções em papel. A Web fornece materiais e os torna acessíveis online, para que possam ser utilizados. Essa é a real diferença entre a Web e as bibliotecas. Além do mais, webmasters constroem coleções eletrônicas não por vaidade, e sim para uso.

É de interesse da Web que seus cibercidadãos (usuários) utilizem seus recursos para diversas finalidades: educação, recreação criativa, justiça social, liberdade democrática, melhoria da economia e negócios, suporte à alfabetização, educação continuada, enriquecimento cultural etc. O resultado desse uso é a melhoria individual e da comunidade em que vivemos – o bem estar social, cultural, econômico e ambiental de nosso planeta. A Web precisa, então, reconhecer e ir ao encontro da necessidade de informação de seus usuários e fornecer amplos serviços conectados em sua rede.

As Cinco Leis da Biblioteconomia

Shiyali Ramamrita Ranganathan (1892-1972) era considerado o pai da Biblioteconomia na Índia. Ele desenvolveu o que tem sido amplamente aceito como a constatação definitiva do serviço de biblioteca ideal. Suas ‘Cinco Leis da Biblioteconomia’ (1931) é um clássico da literatura especializada, atual hoje tal qual em 1931. Essas breves constatações permanecem válidas – em substância se não em expressão – hoje como quando foram promulgadas, representando concisamente o serviço ideal e filosofia de organização de muitas bibliotecas de hoje:

1. Livros são para uso.
2. Para cada leitor, seu livro.
3. Para cada livro, seu leitor.
4. Poupe o tempo do leitor.
5. A Biblioteca é um organismo em crescimento.

Apesar de essas definições parecerem óbvias hoje, elas certamente não eram para bibliotecários no início do século passado. A atual tradição de bibliotecas democráticas de que desfrutamos emergiu nos Estados Unidos e na Inglaterra somente no final do Século XIX (Sayers, 1957). Para Ranganathan e seus seguidores, essas cinco leis foram um primeiro passo no sentido de colocar o trabalho da biblioteca em uma base científica, fornecendo princípios gerais a partir dos quais todas as demais práticas pudessem ser deduzidas (Garfield, 1984).

Em 1992, James R. Rettig estabeleceu uma Sexta Lei, uma extensão das leis de Ranganathan. Ele concebeu a Sexta Lei “A cada leitor, sua liberdade”, aplicável somente para o tipo de serviço (i.e., instrução ou fornecimento de informação).

Novas tecnologias de comunicação e informação sugerem que o escopo das leis de Ranganathan podem ser estendidas apropriadamente a Web. Hoje em dia, as mesmas cinco leis são discutidas e reutilizadas em vários contextos distintos. Desde 1992, centenário de nascimento de Ranganathan, diversos acadêmicos modernos da Biblioteconomia tentaram atualizar suas cinco leis, ou apenas modificaram suas nomenclaturas para outros propósitos.

“Livro, leitor e biblioteca” são os elementos básicos das leis de Ranganathan. Mesmo se substituirmos essas palavras-chave por outros elementos, as leis continuam tendo sentido. Baseados nas leis de Ranganathan, vários pesquisadores apresentaram diferentes princípios e leis. Dentre estes, ‘Cinco Novas Leis da Biblioteconomia’, de Michael Gorman (1995); ‘Princípios da educação à distância’, de Sanjaya Mishra (1998); ‘Cinco Leis da biblioteca software’, de Mentor Cana (2003); ‘Cinco Leis da Biblioteconomia infantil’, de Virginia A. Walter (2004); ‘Cinco Leis da Conectividade da Web’, de Lennart Björneborn (2004) e ‘Cinco Leis da ação diversidade/afirmativa’, de Tracie D. Hall (2004).

As leis de Gorman são as mais conhecidas. Ele reinterpretou as leis de Ranganathan no contexto atual da biblioteca e seu provável futuro. Michael Gorman nos forneceu suas cinco novas leis da Biblioteconomia:

1. Bibliotecas servem a humanidade.
2. Respeite todas as formas pelas quais o conhecimento é transmitido.
3. Utilize inteligência tecnológica para melhoria de serviço.
4. Proteja acesso livre ao conhecimento.
5. Honre o passado e crie o futuro (Crawford & Gorman, 1995).

Gorman (1998a,b) acredita que S.R. Ranganathan inventou o termo Biblioteconomia e conseguiu demonstrar de uma bela maneira como suas leis são aplicáveis aos problemas e desafios futuros que bibliotecários irão enfrentar. As leis de Gorman não são uma revisão das leis de Ranganathan, mas um conjunto separado e diferenciado, sob o ponto de vista da prática biblioteconômica em uma sociedade tecnológica (Middleton, 1999).

Ainda, baseado nas leis de Ranganathan, Jim Thompson (1992), protestando contra os serviços de uma biblioteca, revisou-as para as seguintes constatações:

1. Lucros são para o lucro.
2. Para cada leitor sua conta.
3. Para cada cópia sua conta.
4. Tire dinheiro do leitor.
5. A biblioteca é um organismo mercenário.

Independentemente do olhar para as leis originais de Ranganathan ou qualquer uma de suas novas interpretações, uma idéia central é imediatamente clara: Bibliotecas e Web existem para servir às demandas informacionais das pessoas.

As Cinco Leis da Web

As ‘Cinco Leis da Web’ são inspiradas nas ‘Cinco Leis da Biblioteconomia’ que foram as sementes para toda a prática de Ranganathan. Essas leis formam a fundação para a Web, definindo suas exigências mínimas. Apesar de as leis parecerem simples em uma primeira leitura, atente para as conversações na Web e de que modo essas leis sumarizam precisamente muito daquilo em que a comunidade web acredita. Ainda que pareçam definições simples, essas leis são imensamente profundas e flexíveis. São elas:

1. Recursos web são para uso.
2. Para cada usuário, seu recurso web.
3. Para cada recurso web, seu usuário.
4. Poupe o tempo do usuário.
5. A Web é um organismo em crescimento.

A Web consiste de contribuições de todos os que desejam contribuir, e a qualidade de informação ou valor de conhecimento é opaco, devido à falta de qualquer revisão entre pares. De qualquer forma, a Web é um desestruturado e altamente complexo conglomerado contendo todo os tipos de distribuidores de informação produzidos por todos os tipos de pessoas e pesquisado por todos os tipos de usuários (Björneborn & Ingwersen, 2001).

Essa nova versão revista das leis de Ranganathan nos dá a base para a profissão dos bibliotecários exatamente como o original de 1931 fez. A Web existe para auxiliar seus usuários a alcançar sucesso através do fornecimento de informação em suporte com a comunidade mundial. Demandas por informação encontram-se em páginas web e documentos apropriados para usuários da Rede. Na verdade, as Cinco Leis da Web são realmente as fundações para qualquer sistema informacional de uso amigável na Rede. O que elas exigem é acesso universal como um direito da cibercidadania na era da informação. Como a maioria das leis, elas parecem simples até que você pense sobre elas. Explicamos cada uma aqui:

1. Recursos web são para uso

A Web foi concebida para ir ao encontro da necessidade humana de compartilhar recursos informacionais, conhecimento e experiência. Webmasters querem que as pessoas interajam com seus websites e páginas, que “cliquem” neles, leiam, imprimam se desejarem e se divirtam. Websites não são estátuas ou templos que os usuários admiram à distância. Essa lei implica em que a Web seja para uso e aprendizagem e a informação esteja lá para ser utilizada. Essa lei é muito importante por que a informação não serve de nada se não utilizada ou pelo menos disponível para que as pessoas tentem aprender algo com ela. O papel da Web é funcionar para o indivíduo, a comunidade e os serviços e maximizar a utilidade social no processo de comunicação.

A ética dominante da Web é servir à sociedade em geral. A questão “como essa mudança irá melhorar o serviço que a Web nos fornece melhor?” é uma ferramenta analítica muito efetiva. Outro aspecto dessa lei é sua ênfase na missão do uso tanto pelo indivíduo ávido na procura pela verdade como pelos maiores objetivos e aspirações da sociedade. Então “informação é para uso e não deve ser escondida ou alterada por pessoas” (Middleton, 1999).

A Web é central para a liberdade intelectual, social e política. Uma sociedade verdadeiramente livre sem a Web livremente disponível para todos é uma contradição. Uma sociedade que censura a Web é uma sociedade aberta à tirania. Por essa razão, a Web precisa conter e preservar todos os registros de todas as sociedades, comunidades e línguas e tornar estes registros disponíveis a todos. Nós devemos dar ênfase ao livre acesso à informação. Antigas páginas web devem ser protegidas pelo Internet Archive (http://www.archive.org) e bibliotecas nacionais para o seus futuros usuários. A Web do futuro precisa ser uma que retenha não apenas o melhor do passado, mas também um senso de história própria e de comunicação acadêmica.

A Web precisa adquirir materiais e os tornar acessíveis para que possam ser utilizados. A Web precisa ser acessível a seus usuários. Um webmaster que tenha fé nessa lei é feliz apenas quando os usuários lêem e usam suas páginas. Assim como alguns webmasters que atualmente fecham seus arquivos através de sistemas protegidos por senhas, e outros que cobram taxas de adesão e multas, a lei um adverte severamente: Recursos web são para uso.

Aquilo que estamos produzindo e distribuindo via Web e a qualidade em que estamos executando esse processo, são os resultados tangíveis da Web. Então qual é a melhor prática agora e o que isso indica para o futuro da Web?

Exatamente como a Primeira Lei de Newton sobre o movimento (“um corpo em repouso permanece em repouso até que seja atingido por uma força externa”) é uma constatação óbvia, a primeira lei da Web também estabelece um princípio elementar óbvio. Mesmo assim, é uma lei que é freqüentemente violada na prática de uso da Web. Bibliotecas medievais e monásticas, como um exemplo extremo, tinham seus livros acorrentados às estantes. Os livros literalmente eram presos às estantes com grossas correntes e poderiam ser utilizados naquele local apenas. Obviamente, esse método era utilizado primariamente para preservação dos livros. Por outro lado, poderia ser argumentado que esse método de acesso controlado aos livros prevenia roubos, que assim entendido, tinham conseqüentemente o seu uso facilitado.

Mas não é necessário que se volte aos tempos medievais para encontrar maneiras pelas quais os bibliotecários obstruem o uso de materiais da biblioteca. Limitar o acesso a livros e recursos informacionais prevaleceu no tempo, e existe ainda hoje. Manter coleções especiais na Web com acesso limitado; armazenar materiais off-site; restringir acesso a recursos web através de assinaturas, tarifas, ou mesmo selecionar materiais que por contrato limitem o uso a classes particulares de usuários (como quando as bibliotecas públicas ou bibliotecas que são abertas ao público, eliminam recursos impressos em favor de versões eletrônicas de materiais que são acessíveis apenas para certos usuários com senhas) são todos equivalentes modernos do acorrentamento de livros às estantes (Leiter, 2003). E tudo remete à questão de se a Web está aderindo à primeira lei: Recursos web são para uso.

Outro aspecto da primeira lei é saber se a Web é voltada para os serviços ou se é voltada para nada simplesmente. Para se extinguir as recompensas dos serviços, a Web precisa identificar os benefícios que a sociedade pode racionalmente esperar e então projetar as razões em prol desses benefícios. Serviços sempre têm um propósito e, é claro, um preço, e a Web tem um propósito. Se os recursos da Rede são para uso, o que acontece com recursos não utilizados?

A Web se baseia na orientação do usuário para justificar e desenvolver suas operações. Suominen (2002) chamou a isto “usuarização”. Resumindo, distingue-se entre a orientação do usuário valiosa e eficiente em uma mão e a usuarização ideológica, preconceituosa e ingênua em outra. Alguém pode argumentar que os interesses dos usuários são assumidamente auto-evidentes, como a única razão fundamental possível para as operações da Web, até o limite onde outras razões fundamentais são até consideradas. Isso pode ser ilustrado com um simples exemplo. Existe algo particularmente convincente no que concerne a

1. A Web existe para os usuários. Assim, o interesse dos usuários precisa ser a base das operações da Web;
2. A Web existe para pesquisadores e escritores, então os interesses de pesquisadores e escritores devem ser centrais nas políticas da Web;
3. A Web existe para a sociedade, e deve servir aos interesses da sociedade.

Pode-se argumentar que essas três afirmações não são mutuamente exclusivas, na certeza de que os interesses da sociedade são os interesses dos cibercidadãos, de modo que as constatações 1 e 2 estão incluídas na constatação 3.

Essa lei dita o desenvolvimento de sistemas que acomodam o uso dos recursos da Rede. Por exemplo, atualização e indexação regular de recursos de websites facilitam o uso de recursos locais e da Web em geral.

2. Para cada usuário, seu recurso web

Essa lei tem muitas importantes implicações para a Web. Ela revela a necessidade fundamental do balanceamento entre produzir recursos da Rede e o direito básico de todos os usuários terem acesso aos recursos produzidos de que precisem em qualquer parte do mundo. Isso torna a difusão e a disseminação muito importantes; cada recurso web deveria ter em mente um usuário em potencial.

Um website precisa formular políticas de acesso que assegurem que a coleção que está construindo e mantendo é apropriada e adequada para suprir as expectativas de sua comunidade de usuários. Em outras palavras, a coleção precisa ser condizente com a sua missão. Um website precisa dispor recursos apropriados às necessidades de todos os seus usuários. Qualquer website que limite o acesso de qualquer maneira precisa assegurar-se de que essa restrição não restringe o acesso adequado à coleção pelos usuários aos quais o website foi direcionado a servir. Políticas de acesso também possuem implicações para máquinas de busca.

Entretanto, existe um aspecto ainda mais prático dessa lei. Webmasters precisam conhecer seus usuários se são quem os proverão de materiais em resposta às suas necessidades de pesquisa e leitura. Uma responsabilidade, conseqüentemente, de qualquer webmaster, é a de instruir e guiar usuários no processo de busca por documentos na Web de que eles precisem para a pesquisa, a educação ou o lazer. Claramente, é papel dos webmasters conhecer seus usuários, conhecer os recursos da Rede e auxiliar ativamente na busca e resgate para qualquer usuário de seu recurso web, além de auxiliar as máquinas de busca no processo de indexação de websites. Webmasters precisam se questionar:

· Quem poderá querer acessar recursos informacionais?
· Quem vai ou não ter acesso?
· Quais são as questões envolvendo acesso a impressos, senhas etc.?

Webmasters precisam entender que usuários de websites, eles inclusos, utilizam e validam diferentes significados de comunicação na busca por conhecimentos, informação e entretenimento. Websites precisam dar valor a todos os meio de preservação e comunicação dos registros e conquistas da mente e do coração humanos. Essa segunda lei dita que a Web serve a todos usuários, independentemente de classe social, sexo, idade, grupo étnico, religião ou qualquer outro fator. Todo cibercidadão tem direito à informação. Webmasters e desenvolvedores de máquinas de busca devem dar seu máximo para ir ao encontro das necessidades dos cibercidadãos.

3. Para cada recurso web, seu usuário

Quando um usuário da Rede pesquisa na Web ou ganha acesso aos seus serviços, alguns recursos da Rede irão suprir suas necessidades. É responsabilidade do webmaster assegurar que a conexão entre o usuário e os recursos web é realizada e que a conexão seja a mais prática, fácil e veloz possível. Combinações apropriadas de documentos em um website são também importantes para que se alcance o objetivo dessa terceira lei.

Se um recurso web é secretamente publicado por um website, e a sua difusão e disseminação por outro lado mantiverem segredo, o recurso da rede poderá não ser descoberto e resgatado até que o usuário atinja uma crise em sua pesquisa. Nesse momento, um usuário frustrado poderá procurar auxílio de um webmaster ou alguém que tenha conhecimento do recurso web procurado, ou poderá simplesmente tropeçar sobre a descoberta por acidente. Enquanto ambos os cenários representam um final feliz para os esforços do usuário, eles não representam o melhor modelo de serviço de rede. E na pior das hipóteses, o recurso da rede pode continuar invisível indefinidamente.

Como um webmaster pode encontrar um usuário para cada recurso web? Existem muitas maneiras em que um website pode trabalhar ativamente para conectar seus recursos com seus usuários:

· Distribuição de novos recursos de rede através de listas, listservers e grupos de discussão;
· Criar uma lista de novos recursos de rede na home page do site etc.;
· Emitir recursos para máquinas de busca e diretórios populares, que é a maneira mais comum de se indexar os novos recursos de um website.

O uso de um índice/mapa estruturado, bem organizado e mais categorizado é uma necessidade, já que assegura uniformidade de tratamento de vários recursos da Rede em tópicos similares. Deve ser simples e fácil de usar. Isso é algo que a maioria dos webmasters acha que já fez, mas os mapas de seus sites não são sempre claros e fáceis de usar. Também importante é um link correto para o recurso web, posto que erros de links e indexação de um recurso podem torná-lo invisível ao usuário e, para todas as razões práticas, perdido. Para auxiliar os usuários no encontro de recursos que são relacionados em tópicos, webmasters devem utilizar links de navegação.

O ponto aqui é que webmasters devem adicionar conteúdo tendo em mente as necessidades do usuário, e devem ter certeza que os usuários podem encontrar com facilidade o conteúdo que procuram. Os webmasters devem se certificar que seu conteúdo é algo que os usuários identificaram como necessidade e, ao mesmo tempo, assegurar-se de que o site não esteja desordenado a ponto de o conteúdo não chamar a atenção de ninguém (Steckel, 2002). Webmasters precisam continuar adicionando conteúdo único aos seus websites, por que alta qualidade de conteúdo é tudo.

Essa terceira lei é a mais sensível, e é consistentemente quebrada pela maioria dos webmasters e editores web na maioria dos assuntos. Essa lei estipula que um recurso web existe para qualquer usuário, e que esse recurso deve ser bem descrito e indexado nos indexadores das máquinas de busca, apresentado em uma maneira atrativa no site e imediatamente disponível aos usuários. Essa lei leva naturalmente a práticas como acesso livre, ao contrário de acesso restrito, uma organização coerente do site, um mapa de navegação adequado e uma máquina de busca para cada site. “Deve ser fácil para os usuários pesquisarem por informação em qualquer página de um site. Cada página deveria incluir uma caixa de busca ou pelo menos um link para uma página de busca” (Google, 2003).

4. Poupe o tempo do usuário

Essa lei traz consigo o maior desafio aos administradores web, webmasters e designers de máquinas de busca. Webmasters precisam ter bastante claro em mente que o tempo dos usuários é precioso e muito importante. Um website precisa sempre formular políticas que beneficiem as necessidades informacionais dos usuários. Uma coleção de um website precisa ser desenhada e organizada de maneira que se evite a perda de tempo dos usuários enquanto pesquisam pelos recursos web de seu interesse.

Essa lei possui um componente de dois gumes (ter certeza que as pessoas encontrem rapidamente aquilo que estão procurando e ter certeza que os dados estejam estruturados de maneira que a informação seja recuperada rapidamente). É também imperativo que se compreenda quais objetivos os usuários pretendem alcançar em nosso site (Steckel, 2002).

Webmasters têm trabalhado para poupar o tempo dos usuários criando sites de utilização amigável. Quando um site é terminado, atualizado e testado com os usuários, os seus relatos serão de grande valia. Talvez a questão seja “o website é amigável ao usuário?” O webmaster deve pensar em como atrair usuários, desenvolver e fornecer para eles, se quiser satisfazer a comunidade web. Precisamos lembrar que o trabalho do webmaster é auxiliar o usuário a efetuar uma pesquisa eficiente e efetiva, atualizar websites e torná-los de fácil navegação. Assim, ambientes amigáveis e úteis são importantes.

Talvez essa lei não seja tão evidente quanto as outras. E por isso tenha sido responsável por várias reformas concernentes à administração de websites. Um website precisa examinar todos os aspectos de sua política, regras e sistemas de acordo com o simples critério que diz que poupar tempo de usuário é vital para a missão do website.

Existem outras maneiras de satisfazer essa lei. Um mapa do site bem planejado e executado salva tempo de usuário. Poupar tempo do usuário significa fornecer acesso eficiente e ininterrupto aos recursos da Rede. Significa usuários satisfeitos. Essa é a primeira medida de sucesso do website; usuários frustrados ou desapontados mostram que o website falhou em seus objetivos e suas responsabilidades. Essa lei precisa ser reafirmada como: servir bem ao usuário.

Para salvar o tempo do usuário, websites precisam desenhar eficientemente sistemas que irão permitir que os usuários encontrem o que estão procurando de maneira eficiente e veloz, bem como explorar o vasto volume de coleções de informações disponíveis, que poderiam ser potencialmente úteis. A quarta lei enfatiza serviço eficiente aos usuários, o que implica em um bom design e mapas/índices nos websites fáceis de serem usados.

5. A Web é um organismo em crescimento

A Web reflete as mudanças do nosso mundo e continuará crescendo enquanto vivemos e enriquecemos nossas vidas. É de fato um organismo em crescimento. Nós precisamos planejar e construir com a expectativa de que a Web e seus usuários irão crescer e se transformar ao longo de tempo. Similarmente, precisamos manter nossas habilidades em ritmo crescente (Steckel, 2002).

A Web apresenta um dilema interessante aos bibliotecários. Atualmente, enquanto somente 50.000 livros são publicados anualmente nos Estados Unidos, a World Wide Web possui um quadro crescente e mutante de aproximadamente 320 milhões de páginas na Rede. Quando um livro é publicado, ele já foi revisado por editores e, espera-se, possui valor. Ao contrário, quando uma página web é publicada, ela é simplesmente inserida em algum servidor. Não existem normas para a Web. Qualquer um pode publicar – e assim tem sido.

Bibliotecários podem executar um importante papel através de seleção e estabelecendo listas de links que os usuários podem sentir confiança em utilizar. Os infinitos recursos encontrados na Web se beneficiam da técnica que bibliotecários possuem em indexação e catalogação em certas áreas, bem como técnicas de pesquisa; vai ocorrer um aumento na demanda por essas habilidades de acordo com a necessidade dos usuários por mais valor nas pesquisam que conduzem (Syracuse University, 2004).

Hoje, o indexador do Google para a Web possui mais de 8 bilhões de páginas (Google, 2004) e a Web cresce a um índice elevado, fornecendo uma imensa fonte de informação para usuários e um grande potencial de clientela para os negócios presentes na Rede (Thelwall, 2000). O Internet Archive está construindo uma biblioteca digital de websites e outros artefatos culturais em formato digital. Como uma biblioteca tradicional, fornece livre acesso a pesquisadores, historiadores, acadêmicos e o público em geral. Sua coleção conta com 30 bilhões de páginas web. Sua máquina do tempo, que atualmente possui mais de 100 terabytes de dados e cresce a uma proporção de 12 terabytes por mês é a maior base de dados conhecida, contendo múltiplas cópias de toda publicação disponível na Web (Internet Archive, 2004). Por bem ou por mal, a Web possui um papel importante para todos os países e sociedades.

A quinta lei nos indica a última característica vital da Web e urge por um constante ajuste na maneira em que lidamos com a rede. A Web sempre crescerá e se transformará. Crescimento e mudança caminham juntos, e exigem flexibilidade no gerenciamento das coleções web no ciberespaço, na retenção e na expansão de usuários e na natureza de programas de rede. A coleção web cresce e se modifica. Tecnologias de informação mudam e as pessoas também. Essa quinta lei então reconhece que o crescimento ocorrerá indubitavelmente e precisa ser planejado para sistematização.

Discussão

As ‘Cinco Leis da Web’ ajudam na identificação da Web como uma poderosa inspiração para transformações tecnológicas, educacionais e sociais. O usuário é diretamente o centro das atenções nesse processo. Então, é somente entendendo as necessidades e características dos usuários que webmasters e designers de máquinas de busca podem construir ferramentas que auxiliem usuários a encontrar as respostas para suas necessidades de informação. Poupar o tempo do usuário através do fornecimento de mecanismos convenientes de acesso é a principal preocupação da Web. Além disso, alguns autores e webmasters gostam de compartilhar informação e conhecimento com outros através das páginas da Rede. Isso acontece por que a Web é para uso, e pode fornecer recursos informacionais dinâmicos para todos os tipos de usuários.

O crescimento recente da usuarização na crítica da Web pode ser entendida parcialmente como relacionada à visão neo-liberal prevalecente na sociedade. Quando humanos são reduzidos a clientes, consumidores ou usuários, a sociedade pode ser reduzida a um mercado. Uma crítica da usuarização é, porém, pertinente (Suominen, 2002).

Conclusão

O que devemos aprender com as ‘Cinco Leis da Web’? É nossa esperança que o leitor tenha ganhado duas coisas com esse artigo: primeiro, uma nova apreciação pelo trabalho do grande bibliotecário indiano; segundo, uma perspectiva renovada e apreciação sobre o nosso trabalho como profissionais da informação e bibliotecários. Nós iniciamos esse artigo com o questionamento “O que essas leis significam?”. As primeiras quatro refletem a linha de pensamento que chamamos de usuarização. De acordo com estas leis, a razão de ser da Web se baseia na sua relação entre usuários e utilização.

Essas leis são aplicáveis à prática corrente da Web, bem como serão para a Web de amanhã. Essas leis não são apenas aplicáveis a Web em geral, mas caracterizam o estabelecimento, melhoria e validação de serviços de bases de dados online e bibliotecas digitais. Essas cinco leis representam concisamente o ideal de serviço e filosofia organizacional da Web. Assim, podemos avaliar websites aplicando as Cinco Leis da Web.

Nós encerramos o artigo com outras questões para futuros leitores. Qual será a nova grande era da Web? A Web é uma força de civilização ou uma causa de exclusão? Um bastião de liberdade intelectual? Uma força vital de coesão social e cultural? O que quer que seja agora, irá assumir o papel essencial que as bibliotecas tiveram ao longo do tempo.

Agradecimentos

O autor deseja agradecer a Marjorie Sweetko por seus úteis comentários.

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Informações bibliográficas para citação deste artigo:

NORUZI, AliReza. Aplicação das Leis de Ranganathan a Web. ExtraLibris, 2005. Disponível em . Acesso em 14 mar. 2005.

Original: Noruzi, A. (2004). “Application of Ranganathan’s Laws to the Web”. Webology, 1(2), Article 8. Available at: http://www.webology.ir/2004/v1n2/a8.html

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