Crítica da informação: onde está?

Posted April 29th, 2009 in Ensaio by ExtraLibris

CRÍTICA DA INFORMAÇÃO: ONDE ESTÁ?

JACK ANDERSEN
Progressive Librarian 25, summer 2005

Diz-se que os praticantes da crítica literária são os críticos de literatura; isso é, aqueles que revisam e criticam trabalhos de ficção. Mas onde estão, alguém pode perguntar, os críticos da funcionalidade e legitimidade dos sistemas de organização do conhecimento? Estes são, por exemplo, bibliografias, sistemas de classificação, tesauros, enciclopédias e máquinas de busca – todos os sistemas que de uma maneira ou outra são os mediadores da parte registrada da sociedade e da cultura. Tais sistemas de organização do conhecimento são também as ferramentas profissionais dos bibliotecários. Por essa razão, nós deveríamos imaginar que os bibliotecários possuem muito a dizer sobre o papel e utilidade desses sistemas na mediação da sociedade e cultura, mas é difícil dentro da arena pública encontrar e escutar as vozes críticas de bibliotecários argumentando sobre os sistemas de organização do conhecimento. Nós estamos acostumados a ler e escutar as vozes dos críticos culturais, sociais e literários debatendo assuntos de ordem social e cultural – os tipos de crítica com histórias bem-estabelecidas e aderentes que existem na sociedade. Jürgen Habermas (1996) argumentou, em seu livro sobre a transformação cultural da esfera pública burguesa, que a crítica de arte, crítica social e crítica literária se desenvolveram em espaços públicos como bares, cafés e clubes, e se tornaram escolas do pensamento estabelecidas em gêneros de escrita como jornais e revistas. Elas se tornaram organizadas no senso de que a crítica desenvolveu formas particulares de comunicação para que pudesse falar e escrever sobre assuntos sociais, políticos e culturais da sociedade. Esses modelos de comunicação particulares se mantiveram devido ao seu apelo e crença na discussão racional dentro da esfera pública. As formas de comunicação e a esfera pública eram dialéticas por natureza. A esfera pública constituía o lugar e o espaço para formas particulares de comunicação, enquanto as formas particulares de comunicação contribuíam para materializar e dar forma à esfera pública. A noção de esfera pública burguesa, como argumentou Habermas (1996), recai na suposição de que os cidadãos possuem acesso livre e igualitário à esfera pública.

Os bibliotecários públicos incorporam essa noção de que eles fornecem ao público geral livre acesso à “informação” e conseqüentemente identificam as bibliotecas públicas como parte da esfera pública. Esse é um truísmo amplamente aceito, mas nós raramente ouvimos sobre a participação de bibliotecários na esfera pública através da escrita ou fala sobre assuntos que são relacionados com essa suposta liberdade de acesso à informação.

Considerando que os sistemas de organização do conhecimento exercem um papel na nossa sociedade moderna, nós poderíamos esperar que os críticos que soubessem disso pudessem estar interessados em discutir tais sistemas na esfera pública, revelando suas conseqüências sociais, políticas e culturais. Mas qualquer evidência explícita de tal crítica é, entretanto, invisível, isto é, ainda há de se desenvolver uma maneira de se falar e escrever sobre o papel dos sistemas de organização do conhecimento na sociedade e na cultura. Por falta de um nome mais apropriado, eu devo chamar tal pessoa de crítico da informação (ou “intelectual público”, ver Weisser, 2002) e tal atividade de crítica da informação. Assim, neste artigo eu vou argumentar para uma concepção de bibliotecário como crítico da informação. Começando com uma crítica sobre a falta de crítica da informação, a seguir aponto como deve parecer um crítico da informação, porque ele é necessário e como bibliotecário moderno pode cumprir essa função.

A falta da crítica da informação: a falta de uma disciplina

Os bibliotecários, a biblioteconomia e estudos da informação em geral, sempre tiveram um paradoxal auto-entendimento ou ideologia. Por um lado, eles se vêem como promotores da, por exemplo, democracia, acesso livre e público a informação, coragem civil e alfabetização. Black (2001, p.64; itálico do autor) escreve que

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Bibliotecários públicos são especialmente histéricos para exaltar uma correlação natural, como eles vêem, entre sua missão histórica de democratizar a disseminação do conhecimento e a expansão do acesso que a digitalização da informação promete trazer.
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Mas a aparente falta de bibliotecários ativos e críticos implica que eles não podem ser vistos como advogados da democracia porque a democracia como uma categoria histórica demanda constante análise e crítica para que evolua e se torne estável. A democracia não é uma dada condição, não importa o quanto de acesso à informação os cidadãos possuem.

Por outro lado, os bibliotecários normalmente promovem a imagem de si próprios como agentes neutros na comunicação social e cultural. Isto é, os bibliotecários afirmam que fazem diferença, mas são neutros a como essa diferença deve ser entendida. Uma razão para invocar neutralidade é, de acordo com Agre (1995, p.225), a ideologia da informação, na qual

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serve para posicionar a biblioteconomia como uma profissão neutra, em dois sentidos: (1) bibliotecários minimizam sua participação nas disputas internas de outras comunidades; e (2) biblioteconomia não se define em relação à ideologia de qualquer comunidade particular de usuários.
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Se os bibliotecários se orientassem para as literaturas e não a informação, argumenta Agre (1995), eles deveriam estar participando “nas disputas internas de outras comunidades” já que estas fazem uso das literaturas, e a literatura possui uma história e uma estrutura. Com as comunidades sendo constituídas pelas literaturas, elas fazem uso da literatura com sua história e estrutura em mente. Evocando a “informação”, os bibliotecários transcendem a história e estruturas das literaturas e, conseqüentemente, os são incapazes de se definirem “em relação à ideologia de qualquer comunidade particular de usuários”. Será que, se os bibliotecários tivessem que definir eles mesmos em relação à ideologia de comunidades particulares, eles sairiam do armário, se tornando agentes ativos, discutindo em favor de sua posição e ideologia em relação a outras ideologias?

O que tem contribuído para essa atitude supostamente superiora entre os bibliotecários? Partindo deste ponto nós podemos verificar de que tipo de tradição “acadêmica” os bibliotecários são parte ou produto.

A biblioteconomia [*] é o campo que educa os bibliotecários. Generalizando, a biblioteconomia se preocupa com a produção, distribuição e uso do conhecimento registrado, e o papel dos sistemas de organização do conhecimento nessa atividade. A maneira como os bibliotecários pensam, falam, escrevem, lêem e entendem seu campo é, claro, dependente do discurso hegemônico no qual eles estiveram inseridos durante sua educação. Isso é, o discurso prevalecente e escolas de pensamento nos cursos de biblioteconomia formam a ideologia dos bibliotecários. Em grande escala, os currículos e literatura profissional da biblioteconomia são hoje cheios de linguagem técnica e gerencial, e perspectivas e escritas técnicas e gerenciais. Então, Pawley (2003, p.246) diz que “…o estilo prevalecente do discurso da biblioteconomia usa linguagem técnica-administrativa para situar problemas técnicos e de gerenciamento”. Esse estilo de discurso é difundido na literatura na literatura acadêmica e inibe a habilidade do campo de atuar em compartilhamento com outras disciplinas acadêmicas. Cornelius (2003, p.612, ênfase adicionada) entre outros, comenta sobre isso quando diz que

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Se a biblioteconomia deve ser reconhecida como um membro constituinte de, digamos, as ciências sociais, então em algum nível nós devemos utilizar a mesma linguagem e casar com os mesmos debates teóricos. Não é como se não houvesse discurso da teoria, método e filosofia nas ciências sociais, ou que tais discussões são irrelevantes para a biblioteconomia.
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É vital para a biblioteconomia que se conecte discursivamente com outros campos acadêmicos de modo que isso pavimente o caminho para a biblioteconomia discutir sua relação com a, e papel na sociedade e cultura. Senão, a biblioteconomia se torna um campo flutuante sem significância.

Uma área principal de estudos da biblioteconomia é a organização do conhecimento, uma área cheia de discurso técnico e gerencial. Por exemplo, Andersen (2004, p.41-47) indica a tensão que procedimentos em conferências da sociedade profissional para a organização do conhecimento, ISKO, eram dominados, desde o começo das conferências em 1990, por problemas técnicos e práticos. Recentemente, Mcllwaine (2003) realizou levantamento sobre as tendências na pesquisa sobre organização do conhecimento. Essas “tendências” eram largamente técnicas, preocupadas com sistemas universais, mapeamento de vocabulários, preocupações de interoperabilidade, problemas de fontes, tesauro e representação visual. O levantamento claramente revelou que “tendências” recentes não discutiam ou mesmo questionavam o papel das atividades de organização do conhecimento na sociedade e cultura. A organização do conhecimento não pode agora engajar nesse nível, já que ainda não desenvolveu um discurso que privilegia as necessidades de informação da sociedade e cultura. É a natureza técnica e gerencial do discurso prevalecente da biblioteconomia que torna difícil o engajamento no discurso público. A falta de um discurso socialmente engajado resulta no que Andersen (2004, p.218-219) tem referenciado como “cirurgia informacional”:

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Se nós falarmos apenas no senso de técnicas, princípios ou métodos, nós corremos o perigo de apresentar uma imagem da organização do conhecimento para estudantes, pesquisadores e o público que a faz parecer o que poderia ser chamado de “cirurgia informacional”. Isto é, enxergar a organização do conhecimento como uma “cura intelectual” para a sociedade e seus membros e sua interação com sistemas de organização do conhecimento.
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Tal visão (“cirurgia informacional”) oculta toda atividade crítica e remove atenção da significância postulada das necessidades culturais e sociais.

Ainda, livros como os de Harter (1986), Lancaster (2002), Large, Tedd e Hartley (2001) e Svenonius (2000) podem ser caracterizados como textos que solidificam o uso da linguagem técnica e gerencial na biblioteconomia no senso de que estes são livros como-fazer, constantemente referindo a técnicas, padrões, princípios, métodos e regras. Se o conhecimento profissional de um indivíduo tem como base tais textos, nenhuma atitude crítica é desenvolvida ou demandada porque estes livros não questionam em nenhum momento o papel da busca por informação ou dos sistemas de organização do conhecimento na cultura e sociedade. Eles não fornecem aos estudantes uma linguagem, um entendimento, um conhecimento que os torna capazes de participar no discurso público, debatendo a funcionalidade e legitimidade desses sistemas. Estes livros apresentam, na melhor das hipóteses, uma ilusão aos estudantes enquanto promovem a impressão de que uma vez que o estudante de especializa em tais técnicas e princípios, ele/a se tornará indispensável para a sociedade. Mas alguém só se torna indispensável quando outros reconhecem a vital relação entre fornecedores de serviços de informação e usuários. Ninguém liga se um bibliotecário se especializou em técnicas particulares ou princípios, porque isso não significa que eles podem fazer diferença na vida do usuário. Para “fazer diferença”, receber o status de ser “indispensável”, é necessário um argumento e argumentar significa estar engajado no discurso. Mas compactuando com tal linguagem técnica desengajada, a biblioteconomia comunica uma atitude para os estudantes que diz: vocês não tem nada a ver com isso; vocês não são participantes desse discurso, simplesmente porque não existe discurso. Ainda, simplesmente invocar técnicas, padrões, princípios e regras para que se justifique uma certa prática não justifica essa prática, e sim esconde atrás da própria da prática. Técnica não é uma identidade, e se você não possui uma identidade, quem poderá identificá-lo para que veja se você faz diferença, que é realmente indispensável? Eu acredito que tal identidade reconhecida só pode ser alcançada quando se participa e direciona questões dentro do contexto de uma esfera pública.

O que está apresentado acima aponta para as razões por que os bibliotecários não se enxergam, e conseqüentemente não atuam, como críticos da informação. O discurso de sua bagagem disciplinar, a biblioteconomia, se preocupa mais com problemas prescritos do que problemas descritivos e analíticos. Durante seu treinamento, os bibliotecários não são introduzidos às teorias, escolas de pensamento, disciplinas acadêmicas e conhecimento necessário para engajar no discurso público simplesmente porque a biblioteconomia se coloca distante da sociedade e da cultura através de seu discurso técnico e gerencial, apesar de o campo claramente não hesitar em expor sua significância social e cultural. Dessa maneira, a biblioteconomia falha em produzir críticos da informação e, conseqüentemente, também falha em desenvolver uma posição crítica em razão dos objetos da disciplina. Na seção, argumentarei para a educação de um novo crítico da informação.

Construindo um crítico da informação

A sociedade é a unidade básica da organização do conhecimento. Possui estruturas e esferas particulares organizadas de acordo com interesses particulares e atividades (Habermas, 1996). Essas têm sido desenvolvidas e moldadas historicamente por um variedade de agentes humanos, e as estruturas e esferas em retorno, moldaram a atividade humana. Então, a sociedade consiste de formas de conhecimento organizado e mediado, que é produzido, distribuído e utilizado por humanos.

Sociedade e sua mediação textual

Organização social GERA
Religião, direito, política, ciência, economia, educação, arte, comércio, indústria e administração, que GERA
Documentos e informação afiliada com instituições que sustentam e mantêm estruturas sociais, poder e influência, que GERA
Produção e distribuição, através de uma variedade de gêneros: livros, artigos, jornais, leis, reportes, memorandos, propaganda, noticiários, panfletos e diferentes situações comunicativas, que GERA
Sistemas de organização do conhecimento

A representação da geração textual e organização na sociedade no esquema acima ilustra as formas do conhecimento organizado e mediado na sociedade. Apesar de o esquema ser apenas um esboço, ele mostra que formas amplas de conhecimento organizado constituem sistemas de organização do conhecimento. A parte da sociedade que mais importa para os bibliotecários é aquela onde o conhecimento ou a informação, materializados em uma variedade de gêneros, circula, e qual papel os sistemas de organização do conhecimento possuem em relação a essa circulação, que implica preocupação com o impacto que a circulação do conhecimento exerce sobre a sociedade. Se esse for o caso, significa que qualquer análise e crítica dos sistemas de organização do conhecimento devem ser direcionadas e compreendidas em relação às formas do conhecimento organizado na sociedade. Os bibliotecários não podem oferecer uma visão dos sistemas de organização do conhecimento isolados das estruturas de comunicação totais da sociedade. A prática da biblioteconomia precisa ser condicionada por um entendimento de como o conhecimento e documentos são organizados socialmente, porque essa organização social estrutura e influencia as possibilidades de organização do conhecimento. Atuando como críticos da informação, os bibliotecários devem demonstrar o que Warnick chamou de “aptidão crítica”, que é

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a habilidade de compreender textos, visualizando-os criticamente dentro de um contexto social e textual mais amplo… incluindo a capacidade de olhar sob a superfície do discurso entendendo ideologias e comprometimentos implícitos… (Warnick, 2002, p.6).
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Sistemas de organização do conhecimento são também um tipo de texto, pelo menos no senso de que fazem uso de características textuais para representarem e organizarem documentos. Isso significa que eles também estão circulando “dentro de um contexto social e textual mais amplo”. Esse contexto social e textual é o que constitui a funcionalidade dos sistemas de organização do conhecimento enquanto são desenvolvidos como uma resposta para outras atividades textuais organizadas da sociedade, ou seja, os críticos da informação devem se preocupar com a análise de que tipo de influência os sistemas de organização do conhecimento exercem sobre a sociedade, comparados com outros modos de organização do conhecimento expressados através de atividades textuais. A crítica da informação precisa olhar por trás das formas de conhecimento organizado e mediado na sociedade, “a superfície do discurso”, como Warnick (2002) chama, para apontar para como sistemas de organização do conhecimento particulares funcionam, e ver o que motiva formas particulares de conhecimento organizado. Isso deve fornecer aos cidadãos um entendimento de como eles podem aplicar tais sistemas quando procuram por informações ou conhecimento, ou sobre o que eles podem esperar desses sistemas de organização do conhecimento, ou seja, o que cada sistema pode ou não pode fazer.

As bibliografias fornecem um exemplo aqui. A mudança do registro e distribuição do conhecimento impresso para o eletrônico contribui para o desvencilhamento da bibliografia da ampla história de documentos e o seu papel na sociedade. Isso causou uma falta de aviso sobre o papel da bibliografia na sociedade, já que as bases de dados eletrônicas parece ser basear em uma ideologia de desvencilhamento que suplantou a fundação social das bibliografias como documentos com histórias específicas embasadas em atividades sóciopolíticas. Se essa atividade do passado da biblioteconomia não é mais reconhecida e compreendida, se torna difícil conceitualizar, muito menos discutir, o papel dos sistemas de organização do conhecimento em geral, na sociedade e na cultura.

Atuando como críticos da informação, os bibliotecários poderiam contribuir para a desmistificação dos sistemas de organização do conhecimento na esfera pública, discutindo e justificando por que os sistemas de organização do conhecimento, e sua funcionalidade são importantes para o público. Ou seja, a biblioteconomia precisa argumentar que esses sistemas fazem uma diferença dentro da sociedade, e também mostrar como eles afetam nossas atividades profissionais e diárias. Bibliotecários podem e deveriam fazer isso ativamente, atuando como críticos das estruturas de comunicação textualmente mediadas da sociedade.

Uma maneira de fazer isso é revisar e escrever sobre tais sistemas em revistas e jornais públicos, não apenas na literatura de pesquisa. Mas para que isso aconteça, os bibliotecários precisam desenvolver um vocabulário, um discurso, que não é técnico ou gerencial. Os bibliotecários como críticos da informação precisam direcionar e discutir os sistemas de organização do conhecimento na luz sobre o que estes fazem e não fazem na vida das pessoas. Esse diálogo pode contribuir para o desenvolvimento de uma concepção popular de que os sistemas de organização do conhecimento são uma importante – talvez até indispensáveis – parte da sociedade e da cultura. Quando algum dia isso for alcançado, os críticos da informação poderão fazer uma importante contribuição para o entendimento público de como as muitas atividades de organização do conhecimento existentes na sociedade funcionam, e como estas, ao longo do tempo, serviram ou oprimiram os propósitos democráticos. Essa tarefa deverá ser, claro, condicionada por como as atividades de organização do conhecimento são vistas pelos cidadãos os quais ações sociais dependem do acesso ao conhecimento materializado em documentos. Uma maneira de torna-los visíveis é falar sobre eles em um discurso público (ou esfera), para relacionar problemas dos sistemas de organização do conhecimento diretamente com problemas sociais e culturais. Só dessa maneira o público em geral conseguirá reconhecer o valor potencial e funções dos sistemas de organização do conhecimento. Se as pessoas puderem ver que a funcionalidade dos sistemas de organização do conhecimento está conectada com problemas sociais e culturais, então eles poderão compreender porque tais sistemas funcionam da maneira que funcionam, e assim, as pessoas poderão ver que como outros tipos de informação, os sistemas de organização do conhecimento estão sempre fundados em ideologias particulares. Possui uma ideologia particular não é necessariamente ruim. O problema é não ter ciência da presença da ideologia. A responsabilidade social e cultural básica do crítico da informação deve ser informar a sociedade sobre a existência de ideologias implícitas nos sistemas do conhecimento.

Tudo isso diz que analisar os sistemas de organização do conhecimento é muito mais do que meramente “avaliar”, por exemplo, bases de dados ou máquinas de busca e suas capacidades técnicas. Significa colocar a discussão sobre essas entidades em uma crítica da cultura e sociedade atual. Essa não é a primeira vez que tais discussões são propostas. Já foram sugeridas por Campbell (2002), por exemplo, em sua revisão para o livro de Richard Smiraglia A natureza de “um trabalho”: implicações para a organização do conhecimento (2001). Smiraglia argumenta que “o trabalho” é uma construção cultural. Campbell concorda, mas enfatiza que isso implica uma sensibilidade maior “…para os processos sociais que fabricam nossa concepção de “trabalho” (Campbell, 2002, p.109). Entretanto, esses processos não são, Campbell argumenta, articulados em catálogos. Eles são “…encontrados em, ou derivados de , leituras mais profundas e compreensivas da teoria social e cultural…” (Campbell, 2002, p. 109, ênfase adicionada). A chamada de Campbell para leituras da teoria social e cultural para que se entenda o que sistemas de organização do conhecimento como os catálogos articulam, isto é, o que os catálogos fazem, representa outra maneira de enfatizar a significância de estudos conectadas sobre a organização do conhecimento para expandir horizontes teóricos de modo que faça crescer a consciência sobre suas atividades.

O bibliotecário moderno visionado como um crítico da informação é extremamente necessário porque os sistemas de organização do conhecimento, em particular com o crescimento da internet, fazem parte da nossa vida e atividades humanas do cotidiano. Isso significa que nós estamos mais do que nunca dependentes destes sistemas, mas ao mesmo tempo, nós precisamos de uma percepção crítica sobre como tais sistemas funcionam e por que. Senão, nossa dependência se torna uma participação de escravidão, e não ativa. Assim, análises críticas e a crítica sobre a tendência desses sistemas à pretensão de agir como ferramentas naturalizadas são constantemente necessárias, porque eles dão forma à sociedade e cultura, e em retorno, são moldados pela sociedade e cultura. O bibliotecário moderno deve fornecer a crítica das bibliografias, catálogos, enciclopédias, etc. porque essas são suas ferramentas de trabalho, utilizadas diariamente quando se media sociedade e cultura. Dessa maneira, nós podemos considerar o bibliotecário moderno um crítico da informação.

Conclusão

A discussão acima focou na crítica da informação e nos críticos da informação. Eu tenho dito que os bibliotecários não devem ser penalizados por não apresentar uma atitude crítica frente aos sistemas de organização do conhecimento. A raiz está em sei treinamento profissional: a biblioteconomia [LIS]. Esse campo não pode se caracterizado como um campo que participa fortemente junto de outras disciplinas acadêmicas preocupadas com problemas sociais e culturais. Conseqüentemente, a biblioteconomia não compartilha um vocabulário com disciplinas relacionadas. A biblioteconomia se preocupa em criar seu próprio discurso “metafísico” que tende a favorecer o uso da linguagem técnica e gerencial. Tal linguagem não estimula consciência e análise crítica já que se mantêm distante do objeto sobre o que fala. De fato, a linguagem técnica e gerencial se mantêm normalmente em oposição às necessidades básicas humanas, e é mais preocupada em como fazer as coisas, ao invés de descrever e discutir criticamente como essas coisas (por exemplo, sistemas de organização do conhecimento) funcionam ou não. Nesse sentido, os bibliotecários não podem atuar como críticos da informação porque eles não possuem o vocabulário apropriado. A estrutura discursiva dos bibliotecários precisa mudar se eles buscam uma significância social e cultural, que sempre proclamaram possuir. Em outras palavras, se os bibliotecários atuarão como críticos da informação, eles devem engajar e direcionar seus problemas profissionais em relação ao discurso público. Só assim sua significância apropriada poderá ser estimada e reconhecida.

Referêcias

Agre, P. E. (1995). Institutional Circuitry: Thinking About the Forms and Uses of Information. Information Technology and Libraries, 14(4), pp. 225-230

Andersen, J. (2004). Analyzing the role of knowledge organization in scholarly communication: An inquiry into the intellectual foundation of knowledge organization. Copenhagen: Department of Information Studies, Royal School of Library and Information Science, 2004. x, 257 p. + appendixes. ISBN: 87-7415-278-5. (http://www.db.dk/dbi/samling/phd_dk.htm)

Black. A. (2001). The Victorian information society: surveillance, bureaucracy and public librarianship in nineteenth-century Britain. The Information Society, 17:1, pp.63-80

Campbell, G. (2002). Review of ‘The nature of “a work”: Implications for the Organization of Knowledge’ by Richard P. Smiraglia. Lanham, MD: Scarecrow Press, 2001. Knowledge Organization, 29(2), pp. 107-109

Cornelius, I. (2003). Review of ‘Current Theory in Library and Information Science’, issue of Library Trends, edited by William E McGrath. Journal of Documentation, vol. 59, no. 5, pp. 612-615

Gerhart, S. L. (2004). Do Web search engines suppress controversy? First Monday, vol. 9, no. 1 (http://firstmonday.org/issues/issue9_1/gerhart/index.html)

Habermas, J. (1996 [1962]). Structural Transformation of the Public Sphere: An Inquiry Into a Category of Bourgeois Society. Translated by Thomas Burger with assistance of Frederick Lawrence

Harter, S. P. (1986). Online Information Retrieval: Concepts, Principles and Techniques. Academic Press

Lancaster, F. W. (2003). Indexing and Abstracting in Theory and Practice. London: The Library Association. 3rd Edition

Large, A., Tedd, L. A. & Hartley, R. J. (2001). Information Seeking in the Online Age: Principles and Practice. K. G. Saur Verlag

McIlwaine, I. C. (2003). Trends in knowledge organization research. Knowledge Organization, 30(2), pp. 75-86

Pawley, C. (2003). Information literacy: a contradictory coupling. Library Quarterly, vol. 73, no. 4, pp. 422-452

Svenonius, E. (2000). The Intellectual Foundation of Information Organization. (1st ed). Cambridge, Massachusetts, and London: MIT Press.

Warnick, B. (2002). Critical Literacy in a Digital Era: Technology, Rhetoric and the Public Interest. Lawrence Erlbaum Associates

Weisser, C. R. (2002). Moving Beyond Academic Discourse. Composition Studies and the Public Sphere. Southern Illinois University Press

Tradução de Moreno Barros
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[*] O texto original refere-se a LIS, Library and Information Studies. [EL]

Original: ANDERSEN, Jack. Information criticism: where is it? Progressive librarian, 2005. Disponível em: <http://libr.org/pl/25_Andersen.html>. Acesso em: 09 maio 2006.

* Imagem: Information desk tokyo Tokyo International Forum

Information Desk, Tokyo

Panorama crítico da Biblioteconomia brasileira

Posted April 19th, 2009 in Ensaio by ExtraLibris

Panorama crítico da Biblioteconomia brasileira

Edson Nery da Fonseca
Conhecido pela violência com que tenho atacado os falsos valores da Biblioteconomia brasileira; acusado de traidor da classe, por criticar a ignorância de muitos bibliotecários; apontado como derrotista, por tentar impedir que novos serviços públicos sejam criados em vez de reformar e pôr em funcionamento os antigos – foi com surpresa que recebi o convite graças ao qual aqui me encontro como Paraninfo de novos bibliotecários.

Por isso, embora sensível a tão honroso convite, pensei muito em recusá-lo. Acabei aceitando-o porque me convenci de que, se as concluintes da Escola de Biblioteconomia de Minas Gerais escolheram para paraninfar sua festa de formatura, não um profissional acomodado e satisfeito que aqui viesse para entoar louvores à situação brasileira, em matéria de bibliotecas, mas um crítico por vezes feroz dessa situação, é que desejaram retirar deste ato o aspecto convencional das solenidades acadêmicas, dando-lhe um sentido de luta contra os erros da nossa organização bibliotecãria.

Essa disposição de luta vai muito bem com o espírito das novas gerações brasileiras, caracterizado pelo inconformismo e pelo anseio de reformas. Reforma agrária, reforma bancária, reforma tributária, reforma eleitoral, reforma constitucional, reforma universitária. Por que não uma reforma bibliotecária?

O vosso convite, se bem o interpreto, impõe-me o dever de discutir convosco alguns aspectos dessa desejável reforma. Não sei de missão mais nobre, para uma nova geração de bibliotecários, do que esta de repensar os valores estabelecidos, de lutar contra a obsolescência, de retificar os erros cometidos pelas gerações anteriores.

Para muitos, a Biblioteconomia brasileira vai muito bem. São os bovaristas, vivendo pela imaginação, como a personagem de Flaubert, situações inexistentes; são os basbaques: pessoas boquiabertas diante de tudo; são vítimas da detestãvel doença do “ufanismo” provocada pelo Conde de Afonso Celso com seu livro Porque me Ufano do meu País. Essas pessoas, para as quais tudo vai bem, me lembram a história da marquesa. Longe de casa, resolve telefonar ao mordomo para saber se tudo estava em ordem, “Tudo está em ordem, Madame”, mas, adiantava o mordomo, “os cavalos morreram queimados”. “Morreram queimados? Mas como?” “Porque o incêndio destruiu as cavalariças. Mas tudo vai bem”. “Mas que incêndio?” “O que da mansão propagou-se por toda a propriedade. Mas tudo vai bem”. “Mas a mansão incendiou-se?” “Pois sim, com o cigarro que o marquês deixou acesso sobre sua cama. Mas tudo vai bem”. “E o marquês, Deus do céu, está passando bem?” “O marquês morreu no incêndio, mas tudo vai bem, senhora marquesa.”

Parafraseamos a historieta e perguntamos: a Biblioteconomia brasileira vai bem? Vai muito bem, dirão os bovaristas e os basbaques. Só que a Biblioteca Nacional – isto é, a mais importante biblioteca de uma nação e, no caso da nossa, graças às coleções trazidas por D. João VI, a mais rica da América Latina – está instalada num edifício quase em ruínas, que não comporta mais o seu acervo: fora disso tudo vai bem, porque o Governo construirá outra Biblioteca Nacional em Brasília.

E a propósito de Brasília, qual a situação das bibliotecas na famosa e bela Capital, cuja construção, em 5 anos, foi considerada como “o acontecimento do século”? Ah, em Brasflia tudo vai bem. Só que as bibliotecas dos Ministérios e autarquias estão se transferindo sem nenhum plano, com as coleções lamentavelmente duplicadas, mas, fora disso, tudo vai bem. E o Congresso? Que fez o Congresso quando viu as bibliotecas da Câmara e do Senado transferidas para a sua nova e bela sede? Reuniu-se, certamente, criando a Library of Congress brasileira? Oh, no Congresso tudo vai bem, só que as bibliotecas continuam separadas, como se as duas Casas continuassem no Monroe e no Tiradentes, comprando as mesmas revistas e, o que é pior, classificando, catalogando e indexando tudo isso separadamente. Diga-se de passagem que a duplicação não é só de bibliotecas: há dois serviços médicos, dois arquivos, duas diretorias de pessoal, duas diretorias de material e até duas áreas de estacionamento de automóveis, sendo rigorosamente proibido o estacionamento de automóveis de funcionários da Câmara na área do Senado. Os Senadores transformaram em salinhas catitas os amplos salões projetados por Oscar Niemeyer, e até já quiseram dividir em dois o corredor que liga o edifício principal aos anexos. Mas isso já é outra história. Voltemos a caso geral de Brasília.

Que tal o Plano Piloto? Ah, uma beleza, tudo vai bem. O genial Lúcio Costa tudo previu. Há supermercados, hospitais, igrejas, colégios, quartéis. Há até um ambiente de meia-luz, nas superquadras, para favorecer os namoros. Nem as bancas de revista e jornal foram esquecidas. Mas o genial Lúcio Costa confessou-me que esqueceu por completo as bibliotecas. Esqueceu as bibliotecas? Sim, mas tudo vai bem, porque D. Lydia de Queiroz Sambaquy já projetou, como foi dito antes, a Biblioteca Nacional de Brasília. De acordo com projeto em tramitação no Congresso, esta Biblioteca; fazendo ouvidos de mercador à divisão do trabalho e à especialização, inevitáveis numa época de produção bibliográfica vertiginosa, terá coleções sobre todos os assuntos e atenderá a lodos os tipos de leitores: cientistas, estudantes, trabalhadores, crianças e até aos deficientes da visão. Vai ser um “show” de Biblioteca Nacional. Tudo vai bem. Mas, como boa repartição pública, ficará ela fechada a partir de 8 horas da noite e aos sábados, domingos, feriados e dias de “ponto facultativo”. De modo que a população de Brasília, não tendo para onde ir, nessas ocasiões, continuará enchendo os bares, as boates, os bilhares e os “inferninhos” onde já não faltam os fumadores de maconha e aspiradores de cocaína. Mas tudo vai bem. Quando eu disse a Lúcio Costa que a falta de bibliotecas nas superquadras fazia com que os jovens de Brasma enchessem os botequins que se multiplicavam em proporção assustadora, um dos seus assistentes sentenciou, do alto de sua sabedoria, que a multiplicação de botequins é explicada pelos economistas como fenômeno inflacionário. E o assunto “bibliotecas” foi encerrado.

E a Bibliografia brasileira, como vai? Vai muito bem. Só que o registro do que se publica no Pais é feito, ao mesmo tempo, pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro – em seu Boletim Bibliográfico – pelo Sindicato dos Editores – em seu Boletim Bibliográfico Brasileiro – e pelo Instituto Nacional do Livro, em duas bibliografias diferentes: a Bibliografia Brasileira e a “Bibliografia Brasileira Corrente”, na Revista do Livro. Quem deseja saber o que se publica no Brasil dispõe, assim, de 4 instrumentos bibliográficos. Mas se quisermos saber qual o último relatório de uma repartição pública ou de uma autarquia, ficaremos, por assim dizer, “num mato sem cachorro”, porque não há nenhum registro sistemático das publicações oficiais. Ainda recentemente, escrevia-me James Childes, diretor da Seção de Publicações Oficiais da Library of Congress, perguntando o que fazer para manter-se informado a respeito das publicações oficiais do Brasil. E eu tive de responder: por enquanto, nada, meu caro Childs. Esperemos dias melhores.

Deixemos, agora, a organização geral da Biblioteconomia e da Bibliografia brasileiras e voltemos os olhos para os processos. Afinal, a sala de visitas pode estar desarrumada, mas a cozinha funciona. Vejamos, então, como vai a cozinha biblioteconômica brasileira. Como os livros são tombados, classificados e catalogados? Tudo muito bem, dirão novamente os bovaristas e os basbaques. Só que, na época das fichas perfuradas e dos computadores eletrônicos, o tombamento é feito, em quase todas as bibliotecas do Pais, por meio de escrituração manual, em livros de formato in-folio, tudo como no tempo dos amanuenses sentados em altos bancos e curvados sobre mesas de tampo inclinado. Fora disso, tudo vai bem. E a Classificação? Ah, neste particular, tudo vai bem, realmente, muito bem. Só que a maior parte das bibliotecas usa um sistema de classificação – o decimal de Melvil Dewey – que desde o aparecimento, no começo do século, da Classificação Decimal Universal, conhecida como de Bruxelas, tornou-se um arcaísmo desprezível.

Bem, pode ser que os livros sejam tombados e classificados de modo obroleto, mas cataloga-se muito bem, no Brasil. A primeira geração de bibliotecános formados nos Estados Unidos trouxe de lá, para as nossas bibliotecas, um tipo de catálogo – o catálogo-dicionário – que os próprios norte-americanos – tão saudavelmente dispostos à experimentação e à renovação – já substitulram pelo que chamam de “catálogo dividido”. Pois os bibliotecários “daspianos” – cujo apego a rotinas só pode ser explicado pela preguiça mental – insistem na manutenção do catálogo-dicionário e chegam ao despautério de substituir por ele os bons catálogos sistemáticos das bibliotecas mais antigas. Foi o que aconteceu na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Foi o que se tentou fazer, na Biblioteca da Câmara dos Deputados, o mesmo grupo de bibliotecários “daspianos” que ali andou por volta de 1946, graças a Deus sem nenhum sucesso.

Mas alguém poderá dizer-me que estou investigando os processos pelas suas formas, sem verificá-los substancialmente. Pode ser que as formas sejam obsoletas, mas, dentro dessa obsolescência, os processos estejam sendo bem aplicados. Admitamos a hipótese. Dentro das limitações do sistema, os livros estão bem classificados. Classifica-se muito bem, no Brasil. Só que o livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, foi classificado em Botânica; o romance São Bemardo, de Graciliano Ramos, foi classificado como vida de santo; o Gog, de Papini, foi classificado como vida de Van Gogh; a Correspondência de Fradique Mendes, foi classificada como se o personagem de Eça de Queiroz houvesse, realmente, existido. Fora disso, tudo vai bem…

Os catálogos, por exemplo. Vi, recentemente, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro obras de José Bonifácio, o Moço, catalogadas pelo nome de José Bonifácio, o Patriarca da Independência. Mas as fichas estavam perfeitas, do ponto de vista da técnica catalográfica. Nem faltavam os três pontinhos e o número de folhas não numeradas! Tudo, portanto, vai muito bem. Abre-se a segunda edição brasileira das Normas para Catalogação de Impressos, da Biblioteca Vaticana, e vê-se, em nota do tradutor, como catalogar as diversas Constituições Brasileiras. E lá vem, nessa nota infeliz, a informação, não consignada pelos constitucionalistas patrícios, de que houve uma Constituição brasileira em 1924. Telefonei para a Biblioteca do D.A.S.P., em Brasllia, e perguntei se havia alguma edição da Política, de Aristóteles. “Só o senhor dizendo o sobrenome do autor”, respondeu a bibliotecária, “porque no nosso catálogo os autores aparecem pelos sobrenomes”. Creio que basta. Os bovaristas, os ufanistas e os românticos continuam a dizer que tudo vai bem. Mas não é tanto assim, como acabamos de ver.

Tudo isso é o resultado de uma formação profissional defeituosa, caracterizada pela hipertrofia da técnica, com prejuízo da filosofia biblioteconômica, da cultura que é ingrediente indispensável no treinamento de bibliotecários. Ensina-se um know-how deficiente e capenga, porque desligado do contexto natural da Biblioteconomia, que é a cultura. Ensina-se “como fazer”, sem explicar “porque” e “para que” fazer, de tudo resultando bibliotecários que fazem fichas como o pobre do Carlitos manipulava as chaves de parafuso: criando automatismos puramente animais.

Conversando recentemente, em São Paulo, com Rubens Borba de Moraes, disse-me esse eminente pesquisador e bibliotecário brasileiro que, quando se começou a formar bibliotecários naquela cidade, em 1930, pensou-se em atender primeiro à necessidade imediata que era de classificadores e catalogadores. Em fase posterior, seriam formados bibliotecários de alto nível para as tarefas de planejamento e direção de bibliotecas. Mas o fato é que a segunda fase nunca foi tentada, continuando os cursos de Biblioteconomia a formar o que ele chama de “operários de bibliotecas”.

A situação assume proporções de caricatura, quando vemos essas centenas de “operários” adquirir consciência profissional, fundando associações, pleiteando a direção de bibliotecas e serviços de documentação e até arrancando do Congresso Nacional uma lei completamente divorciada da realidade brasileira. Uma realidade que foi muito bem caracterizada pelo sociólogo Roger Bastide como de “contrastes”, onde a coexistência de áreas super e subdesenvolvidas exigiria uma legislação diferenciada. O resultado ai está: a Biblioteca do Estado da Paraíba sem diretor há mais de um ano, porque, de acordo com a lei, o diretor deve ser bibliotecário e não há bibliotecários naquele Estado, nem o seu Governo dispõe de recursos para importá-Ios.

Como a consciência profissional nem sempre coexiste com a consciência das próprias limitações, os bibliotecários de formação “daspiana” assumiram uma atitude ridícula em face da Documentação. Em toda a parte – na Europa, nos Estados Unidos, na Índia, na União Soviética – foi reconhecido o fracasso das bibliotecas na solução do mais difícil problema que se coloca perante o pesquisador moderno, que é o da dificuldade de tomar conhecimento de tudo o que se publica no campo de sua especialização. Por isso escreveu Suzanne Briet que “la Science trouve son Waterloo dans les bibliothéques”.

Para eliminar ou, pelo menos, diminuir essa dificuldade, surgiram os centros de documentação, com um novo tipo de técnico, o documentalista. Pois bem: em vez de colaborar com os novos serviços, os bibliotecários passaram a hostilizá-Ios e até a negá-Ios – como aquele homem da anedota negava a existência de zebras, mesmo depois de vê-Ias – afirmando que Documentação e Biblioteconomia são a mesma coisa.

Salvo melhor juízo, é esta, em síntese talvez dramática, mas real, a situação da Biblioteconomia brasileira. Não nego os aspectos positivos dessa situação, pois, graças a Deus, a volúpia com que denuncio erros e ataco os falsos valores não prejudica – desculpem a nota pessoal – minha capacidade de admirar ilimitadamente os que são realmente grandes e o que merece admiração.

Admiro sem limites, por exemplo, as figuras de Ramiz Galvão e Manoel Cícero Peregrino da Silva, os dois maiores diretores da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Admiro, entre os vivos, um Rubens Borba de Moraes, uma Sully Brodbeck, uma Etelvina Lima, uma Bernadette Neves, um Manoel Adolpho Wanderley, um Orlando Ferreira, um Abner Vicentini, uma Elvira Strang. Louvo o trabalho profícuo do Serviço de Bibliografia e do Catálogo Coletivo do 1.8.B.D. Enalteço a obra de Cordélia Robalinho Cavalcanti no Serviço Central das Bibliotecas da Universidade do Recife. Sou um admirador do esforço honesto que se faz na Escola de Biblioteconomia de Minas Gerais – esforço honesto que contrasta com a impostura do ensino superior no Brasil.

Mas não temos o direito de enganar os jovens – nós que já atingimos “o meio do caminho de nossa vida” a que se referia o poeta – como o mordomo enganava a marquesa, dizendo-lhe “tudo vai bem”. Não, nem tudo vai bem na Biblioteconomia brasileira, minhas caras concluintes. E se vos falo assim, não é com a intenção de desanimar-vos, pois sei muito bem que os jovens não desanimam facilmente. O mundo de amanhã não será construido pelos conformistas e pelos otimistas, mas pelos que, tendo consciência dos erros do passado e do presente, procuram superá-Ios. Nessa luta é que eu gostaria de ver-vos engajadas. Já o padre celebrante da missa desta manhã lembrou-vos que a missão dos jovens não é conservar velhas estruturas, mas renová-Ias. Essa luta exige coragem – moral de ser minoria, de ficar só contra todos, coragem louvada em livro profético por um estadista diante de cuja memória me inclino e cujo nome pronuncio com emoção: John Fitzgerald Kennedy.

Os burocratas, os preguiçosos, os conformistas, os medíocres, os que vêem tudo cor de rosa – podem chamar-nos de tudo, inclusive de loucos. Não responderemos, porque a resposta já foi dada pelo poeta Fernando Pessoa:

“Louco, sim, louco por
que quiz grandeza
Qual a sorte não dá”.


Original: FONSECA, Edson Nery. Ser ou não ser bibliotecário e outros manifestos contra a rotina. Brasília: ABDF, 1988. p.22-27.

A anti-intelectualidade na biblioteconomia

Posted April 15th, 2009 in Ensaio by ExtraLibris

Alho, vodca e políticas de gênero:
anti-intelectualidade na Biblioteconomia americana

Michael Winter

O tópico pode surpreender, afinal os bibliotecários são tão obviamente intelectuais, ou pelo menos são amantes dos livros, ainda que tenham sido chamados, talvez injustamente, inimigos dos livros (Adams 1937). Eles são, para usar a agradável frase neutra de Seymour Martin Lipset, distribuidores de cultura (Lipset 1981:333). Mas como Richard Hofstadter apontou em seu famoso livro de 1963, Anti-intelectualidade na vida americana, os intelectuais às vezes demonstram uma profunda hostilidade à vida da mente, mesmo que isto seja alegadamente mais comum nas pessoas de ação. Ninguém fica chocado quando executivos tacham os estudos de história como perda de tempo ou quando políticos ridicularizam os esforços dos pesquisadores em compreender o comportamento humano (Shaffer 1977). Entretanto, os intelectuais ocasionalmente também agem assim, e às vezes os escritores travam essas batalhas nos escritórios das editoras. De fato, parece ser uma das ocupações favoritas da classe intelectual demonstrar ocasionalmente sua anti-intelectualidade como uma espécie de selo de autenticidade frente aos mediadores da cultura de massas. Recentemente, David Bromwich (1996) sugeriu que parte do legado do McCarthismo – um assunto favorito também de Hofstadter – foi a internalização desta hostilidade (ver também Woolf 1964).

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O trabalho dos mediadores da informação: uma comparação entre bibliotecários e agentes inteligentes

Posted March 8th, 2009 in Artigos e Estudos by ExtraLibris

LAURA ZICK

Tradução de Michele Costa

Introdução

Agentes softwares inteligentes prometem cruzar e organizar espaços de informações para nós, alertar-nos, lembrar-nos, ligar para uma pessoa para consertar a geladeira, comunicar-nos uns com os outros… para alterar fundamentalmente a maneira como realizamos muitas das nossas tarefas diárias. Esses softwares vermelhos e revolucionários tem muito a aprender com os seus colegas humanos: bibliotecários. Enquanto eu leio e penso sobre como sistemas inteligentes raciocinam, procuram, classificam e filtram informações, eu me detenho repetidamente em como bibliotecários fazem exatamente as mesmas tarefas. Os dois atuam como mediadores de informação para o usuário final: os dois negociam espaços de informação e encontram as informações relevantes para um usuário em particular ou um objetivo. Bibliotecários têm realizado eficientemente muitas das tarefas que a comunidade de inteligência artificial agora está trabalhando para criar agentes softwares competentes. Por isso, o desenvolvimento de agentes software podem ser instruídos com uma olhada em como agentes humanos fazem seu trabalho.

Esse artigo vai examinar as características do agenciamento, o trabalho dos bibliotecários como mediadores de informação, as diferenças entre agentes softwares e humanos, as tarefas possíveis para agentes software em bibliotecas, e especular sobre o futuro do agenciamento de humanos e softwares. Bonnie Nardi e Vicki O’Day, de quem muitas das idéias formadoras do meu pensamento vêm, afirmam isso:

“Nós pedimos aos bibliotecários para levarem em consideração e se expressarem sobre seu papel crítico no design de uma ecologia diversa de informações.” .” (Nardi and O’Day, 1996. “What We Learned at the Library,” p. 86).

Esse artigo é uma tentativa de fazer isso.

Definições

A definição de um agente inteligente é bastante controversa, mas essa serve bem: “Um agente inteligente é um software que ajuda pessoas e atua em nome delas. Agentes inteligentes trabalham permitindo que pessoas deleguem trabalho que eles poderiam fazer, para o agente software. Agentes podem, assim como assistentes podem, automatizar tarefas repetitivas, lembrar coisas que você esqueceu, resumir eficientemente informações complexas, aprender com você, e até lhe fazer algumas recomendações.” (Gilbert, 1998).

Note a evidente semelhança para a definição do trabalho de um bibliotecário:

“O usuário trabalha com um profeta (ex. bibliotecário especialista) que: o ajuda a elaborar o problema (ou um estado de conhecimento irregular), descreve o usuário e seu background, entende o tópico ou assunto, monta perguntas ou outros pedidos por informações desejadas, sabe como acessar e apresentar a informação relevante, e dá explicações quando é necessário.” (Fox).

Tanto os bibliotecários quanto os agentes softwares fazem um trabalho que lhes é delegado pelo usuário; os dois dão sua opinião sobre o problema ou a necessidade do usuário; e os dois trabalham nos “bastidores”, realizando tarefas de acordo com a necessidade dos usuários.

Como um bibliotecário lida com uma necessidade de informação típica

“Bibliotecários são mais que técnicos. Eles são, ao que parece, terapeutas da informação que analisam problemas e também encontram respostas” (Nardi, O’Day, and Valauskas, 1997).

Para mostrar uma comparação entre o trabalho feito por bibliotecários com o feito pelos softwares inteligentes, vamos acompanhar o pedido de um usuário típico de uma biblioteca da área médica, do seu estado inicial até o estado em que atinge seu objetivo particular.

Bibliotecários usam o que é chamado de “entrevista de referência” para aprender como avaliar as necessidades dos clientes. A entrevista de referência é geralmente um processo interativo com muitas perguntas e respostas entre bibliotecário e cliente enquanto eles trabalham juntos para refinar a informação desejada. Esse processo pode ser muito delicado: muitos clientes não têm muita clareza sobre o que querem, e um bibliotecário habilitado pode ajudá-los a especificar e comunicar sua necessidade. O objetivo da entrevista é especificar o máximo possível a necessidade do cliente. O bibliotecário se esforça para ter um feedback relevante durante a entrevista, perguntando ao cliente “É isso que você quer dizer?” e “Mais desse jeito?”. O bibliotecário deve aprender sobre o contexto do usuário: conhecimento da situação do cliente, história e preferências, fornecendo um contexto para o questionamento.

Nesse exemplo, um médico identifica uma necessidade de informação e vai até uma das bibliotecárias da área médica na organização dele. O médico tem um paciente que está tomando uma erva medicinal, e o médico não sabe muito sobre ela. Aqui está um diálogo telefônico típico entre o médico e o bibliotecário da área médica:

Médico: Você poderia fazer uma pesquisa sobre uma erva medicinal específica para depressão?

O médico está consciente da disponibilidade desse serviço (e é capaz de fazer a pesquisa ele mesmo, mas prefere – devido à sua falta de familiaridade com o assunto – que o bibliotecário profissional faça isso), tendo usado esse serviço antes, e pede uma pesquisa numa revista da área. O médico expressa sua necessidade de informação de maneira vaga.

Bibliotecária: Você está procurando informações para você ou para dar a um paciente?

A bibliotecária começa o processo de definir a necessidade de informação: se a informação é para o médico, ela sabe que ele vai querer artigos científicos de seus colegas de profissão em revistas especializadas; se a informação é para ser dada a um paciente, ela terá que ser apresentada numa linguagem mais simples e tem que vir de fontes de informações de qualidade direcionadas para consumidores. A bibliotecária está eliminando incertezas, definindo o contexto de informação necessária, e estabelecendo um perfil de um consumidor de informação.

Médico: Eu tenho uma paciente que está tomando uma erva medicinal; ela acha que isso irá ajudá-la com a depressão. Ela se chama “São alguma coisa”.

Bibliotecária: Então você quer informação para você? Para que você possa aconselhá-la sobre como tomar essa erva?

A bibliotecária continua a esclarecer e confirmar o contexto da necessidade de informação.

Médico: Sim. O que você tem? Quando eu posso ter isso?

Bibliotecário: OK, eu vou identificar a erva e encontrar artigos científicos genéricos sobre sua aplicabilidade para a depressão. Quantos anos de artigos você quer que eu pesquise: um, cinco ou vinte?

A bibliotecária confirma o tópico e começa a traçar limites específicos para a necessidade de informação.
Médico: Apenas os últimos anos. Você pode me mandar por fax?

A bibliotecária pede o nome do médico, número de telefone, de fax e o endereço de e-mail, e daí a conversa termina. Depois de obter informações sobre o médico, ela preenche as lacunas de um formulário de pesquisa na literatura especializada existente.

Criando a representação do problema

O próximo passo que o bibliotecário dá é usar sua informação para formular a pergunta na sua mente:

“O bibliotecário contribui para a atividade do cliente e para fazer isso eficientemente cria uma representação da atividade que guia e direciona a pesquisa. Essa representação vai além do entendimento da tarefa do cliente, simplesmente concebida, para uma descrição mais ampla do contexto do cliente, incluindo as suas preferências, limitações e ambiente.” (Nardi and O’Day, 1996. “What We Learned at the Library,” p. 75).

A bibliotecária deve descrever os passos da pesquisa num papel, escolher bases de dados, termos para pesquisa e operadores, ou ela pode apenas formular essa representação mentalmente. Ela considera o custo da pesquisa, a qualidade das bases de dado à sua disposição, o perfil do consumidor, e a utilidade fundamental da informação requerida.

Classificando informação

A pesquisa da bibliotecária depende do trabalho de outros bibliotecários: aqueles que classificam informação indexando e resumindo os artigos incluídos na base de dados MEDLINE, a famosa base de dados clínica que é analisada por médicos, produzida pela U.S. National Library of Medicine. Os artigos na MEDLINE foram classificados a partir da extração de concepções-chave e designação de termos relativos aos assuntos ou a combinação de termos relativos aos assuntos a um vocabulário controlado existente, chamado MeSH (Títulos de Assuntos Médicos). Muitas ferramentas de busca do MEDLINE automaticamente ajustam o termo informado a um termo MeSH apropriado (ex. o usuários coloca “infecção auricular” e o sistema ajusta para “timpanite”). Esse esquema de classificação especializada organiza a informação clínica dentro de uma base de dados, para que o bibliotecário habilitado em pesquisa possa encontrar os artigos mais relevantes rapidamente e eficientemente.
Se a informação não for organizada com cuidado, o trabalho do bibliotecário será muito mais complicado. A rede mundial de computadores (WWW), por exemplo, não é bem organizada: mesmo os melhores programas de indexação e ferramentas de busca são ineficientes quando comparados com o esquema de classificação padronizado aplicado ao sistema de informações da MEDLINE. De fato, a Web tem sido comparada com uma livraria em que todos os livros foram tirados das prateleiras e foram jogados no chão, numa pilha. A classificação da informação que teve lugar nos “bastidores” é fundamental para o trabalho eficiente da bibliotecária, no nosso exemplo.

Encontrando a informação

Uma vez que a representação do problema é estabelecido, a bibliotecária escolhe em qual (is) base(s) de dados vai pesquisar. Já que essa informação será para o médico mesmo, ela escolhe a base de dados MEDLINE. Como o médico pediu os artigos mais recentes, a bibliotecário escolhe a parte da MEDLINE que cobre os anos de 1996 até hoje. O próximo passo é escolher os termos de pesquisa. Sabendo que a MEDLINE é baseada num vocabulário controlado, ela informa o termo “ervas” e depois procura em separado por “depressão”. Ela combina essas duas séries de pesquisa com o operador lógico “and”, resultando em uma citação. Ela vê essa citação e julga que é irrelevante; a estratégia de pesquisa dela deve ser revista. Procurando pelo termo mais amplo “medicina alternativa”, veio como resultado 5.847 entradas; esse grupo se junta com o das ervas, resultando em dez entradas. A bibliotecária dá uma olhada nesses dez e encontra dois que mencionam a Erva de São João. Um dos artigos dá o nome botânico da Erva de São João; ela procura por esse termo; essa pesquisa resulta em oito entradas. Ela dá uma olhada nessas oito e vê que elas se ajustam ao termo MeSH de “agentes antidepressivos”. Ela procura esse termo e o adiciona ao grupo de medicina alternativa, resultando em dezenove entradas. Ela restringe essas dezenove àquelas que estão em língua inglesa e que apresentam estudos sobre humanos, o que diminui o número para quinze. Ela dá uma boa olhada e descarta três que não são aplicáveis ao caso. Ela faz o download dessas doze para o seu disco rígido. Sabendo que o médico pratica a “Medicina baseada na evidência” (EBM, definida como “um esforço para trazer os princípios da continuidade de melhoria da qualidade para sustentar o processo de cuidado do paciente, ao invés de ver a prática como uma forma de arte, em que cada paciente é tratado como um experimento único” – Stead, 1998; p. 26), ela refaz a mesma pesquisa numa base de dados de artigos avaliados pela EBM (Cochrane Database of Systematic Reviews). Com isso, surge um artigo, que ela olha e faz o download. A bibliotecária agora tem um total de treze citações relevantes sobre o assunto. Uma vez com a pesquisa, se ela sentisse que precisava de mais orientações do médico, ela poderia entrar em contato com ele e perguntado que direção específica ele queria que a pesquisa tomasse. Por exemplo, se o resultado da pesquisa fosse um número muito grande de artigos, ela poderia perguntar ao médico como ele queria que ela restringisse os resultados; se ela o conhecesse bem, ela poderia saber que limitar o grupo apenas com artigos científicos seria aceitável para ele e assim, ela não precisaria ligar para ele. Uma experiência anterior com o cliente e o conhecimento do contexto dele para cada informação em particular requerida orienta a bibliotecária na sua pesquisa: se essa tivesse sido a primeira entrevista com esse médico em particular, a bibliotecária poderia ter que levar um pouco mais de tempo para saber sobre suas especificidades e preferências.

Os melhores pesquisadores encontram o caminho certo numa pesquisa, utilizando experiências passadas e o conhecimento sobre o cliente em particular, o domínio do assunto, e as idiossincrasias do recurso para equilibrar as páginas encontradas (a porcentagem de páginas encontradas dentre aquelas disponíveis) e precisão (a porcentagem de páginas encontradas que são pertinentes) e para assegurar a relevância (a adequação das páginas encontradas à necessidade). Esse equilíbrio é delicado e dinâmico, e ilustra a real arte da pesquisa eficiente. A bibliotecária também sabe, por causa da sua educação formal, experiência anterior e familiaridade com as bases de dados que está usando, quando parar a pesquisa. Uma pesquisa pode continuar indefinidamente, por todas as bases de dados, uma atrás da outra, se a bibliotecária não tem o discernimento de saber quando está satisfeita com os resultados. Esse é um grande problema na área médica, principalmente quando o pesquisador fica tentado a pensar que se ela ou ele continuarem pesquisando, vão encontrar aquele artigo que irá salvar uma vida. A decisão de parar é geralmente uma decisão intuitiva e também importante para maximizar as limitações de tempo, computacionais e financeiras que um bibliotecário deve sempre equilibrar com o desejo da plenitude de resultados.

Filtrando a informação

“A filtragem da informação é um processo em que um agente filtrador lê cada documento numa linha de informação e a compara com um grupo de perfis de interesses. Se o documento combina com o perfil, o filtro o manda para a caixa de entrada do usuário apropriado ou a armazena em algum lugar para o usuário. O resto dos documentos é descartado.” (Williams, 1996; p. 174)

A bibliotecária filtrou a informação de três diferentes maneiras: primeiro, o ato de selecionar uma base de dados ou mais para pesquisar foi uma atividade de filtragem. Essa escolha estabeleceu os limites dos resultados e definiu o espaço de pesquisa, incluindo o quanto a pesquisa poderia se aprofundar e até onde ela poderia ir. A segunda maneira como a bibliotecária filtrou a informação ocorreu no ato da escolha de termos e operadores (que também afetam os limites da pesquisa). Finalmente, quando ela eliminou falsas entradas (ruído) dos resultados, ela estava filtrando o resultado que o usuário final veria. Utilizando seu conhecimento do contexto da necessidade de informação e o perfil que ela construiu do usuário, ela pôde identificar resultados úteis para o médico, relevantes para o contexto específico da sua necessidade de informação em particular.

Formatando a informação

Bibliotecários fazem mais do que conectar pessoas com informações soltas: eles usam seu saber para ajudar clientes a fazer a informação ter sentido para eles. Bibliotecários geralmente organizam resultados de pesquisas e outros produtos de informações em séries personalizadas para seus clientes. A bibliotecária em nosso exemplo usou suas citações selecionadas para criar um relatório para o médico. Ela provavelmente adicionou uma folha de rosto com informações sobre como contatar sua biblioteca, arrumou as citações para que as partes que o médico precisasse estivessem presentes e descartou as que ele provavelmente não precisaria. Ela deve ter ordenado os resultados por relevância, e deve ter indicado no relatório quais artigos estavam disponíveis na biblioteca dela.
Bibliotecários como agentes cooperativos e distributivos

Bibliotecários podem ser vistos como agentes cooperativos e distributivos. Bibliotecários informam e negociam uns com os outros; a cooperação é construída na estrutura do trabalho na biblioteca. Não é exagero dizer que não existe um bibliotecário que trabalhe realmente sozinho: bibliotecas com apenas uma pessoa certamente existem, mas aquele bibliotecário solitário trabalha dentro de uma comunidade de bibliotecas. Na verdade, há uma comunidade internacional de bibliotecários. Pro exemplo, um bibliotecário pode se conectar a um sistema de bibliotecas chamado WorldCat e dizer a um cliente, dentro de alguns minutos, quais bibliotecas do mundo possuem um exemplar de um certo livro. Mais ainda, um bibliotecário pode, com alguns cliques, enviar um requerimento para qualquer uma dessas bibliotecas pedindo para que se faça um empréstimo daquele livro para o cliente.

Bibliotecários confiam uns nos outros em outras atividades; muitos bibliotecários praticam o desenvolvimento de coleções cooperativas. Nenhuma biblioteca da área médica, por exemplo, pode pagar pela assinatura de todas as revistas da área médica publicadas. Quando há a possibilidade de uma compra, o pessoal sempre procura saber se alguma biblioteca das redondezas possui aquele título, com a qual eles podem fazer um acordo de cooperação.
As bibliotecas comunicam e compartilham informações de maneira fantástica. Bibliotecários são ótimos usuários de listas de e-mail da internet; algumas das listas com maior volume de informações são aquelas compostas por e para bibliotecários. Bibliotecários se comunicam o tempo todo: via e-mail, telefone, fax, e pessoalmente. Por exemplo, eu compareci a um encontro anual da Associação de Bibliotecas de Saúde da Indiana recentemente. Depois de um jantar, esse grupo de cerca de trinta bibliotecários ficou até quase onze horas da noite conversando, trocando idéias, estratégias e histórias. Eu fiz uma pequena apresentação na manhã seguinte. No dia seguinte, eu mandei cópias do meu planejamento de marketing extensivo por e-mail para bibliotecários de toda a Indiana que pediram. Nós temos poucos segredos e confiamos uns nos outros sem restrições.

Pela natureza do nosso trabalho, bibliotecários são criaturas colaboradoras, que se comunicam constantemente e extensivamente. Nós distribuímos informação, compartilhamos documentos, estratégias e inovações uns com os outros. Aqueles de nós com saber no campo da medicina fazem perguntas a bibliotecários da área de direito, por exemplo. Um bibliotecário sozinho pode até ser visto como um sistema de agentes distributivos: um bibliotecário de referência coloca em campo o questionamento, passa para aquele da parte de aquisição (que faz as compras); o dos sistemas consulta o bibliotecário da área médica…

Cada bibliotecário atua de forma independente com a constante opção de consultar outro agente bibliotecário. Dentro do campo da biblioteca, bibliotecários compartilham eficientemente conhecimentos e habilidades.
Semelhanças entre agentes bibliotecários e softwares agentes – humanos e máquinas – possuem certas características. Agentes atuam em nome de um cliente realizando tarefas que o usuário não quer ou não sabe como fazer sozinho. Os dois agentes, humanos e softwares, trabalham “nos bastidores”; a maior parte do trabalho de uma biblioteca de agentes humanos é invisível de propósito. “Agentes humanos fazem questão de fazer seu trabalho parecer fácil. De um certo modo, isso é parte do serviço que prestam.” (Nardi and O’Day, 1996. “What We Learned at the Library,” p. 79).

Tanto agentes humanos quanto softwares começam a atingir um objetivo ou resolver um problema construindo a representação situacional de um problema. Agentes softwares criam essa representação usando o conhecimento de técnicas de representação como a lógica do ordenamento primário e a do predicado. Agentes são guiados para seus objetivos: eles procuram resolver um problema específico, satisfazer uma necessidade específica. O contexto é de fundamental importância para os dois agentes; objetivos e recompensas dependem da situação. Cada ato de informação fica sem sentido quando não é relacionado a alguma meta específica.

Tanto agentes humanos quanto softwares dominam certas áreas de conhecimento (ex. nenhum é especialista em todas as áreas de conhecimento). Agentes realizam seu trabalho usando alguma variação do perfil de um usuário. Agentes procuram minimizar seu trabalho buscando o equilíbrio e a alocação eficiente dos recursos temporais, financeiros e computacionais. O trabalho dos agentes, tanto humanos quanto softwares é de natureza interativa. Ao checar resultados, há muitas perguntas e respostas. Os dois têm como objetivos eficiência e otimização. Os agentes mecanizados usam inteligência artificial para atingir a otimização dos seus objetivos. Bibliotecários alcançam a otimização através do empenho para obter resultados relevantes rapidamente e com o melhor custo-benefício (como por exemplo, escolhendo uma base de dados mais barata, ao invés de uma mais cara). Os dois agentes trabalham em mundos incertos. Seus ambientes são dinâmicos e os próprios agentes afetam o estado da informação. Agentes humanos e softwares enfrentam muitos dos mesmos desafios, preocupações, e objetivos.

Diferenças entre bibliotecários e agentes softwares

Além de todas essas semelhanças entre bibliotecários e agentes softwares, há também diferenças marcantes.

Pouca consistência

Todos os programas de software inteligentes enfrentam o problema da pouca consistência: como eles podem funcionar bem numa tarefa que esteja do seu domínio limitado? Eles podem se sobressair no xadrez, mas ficam perdidos quando lhe pedem informações óbvias. Bibliotecários raramente são pouco consistentes: na verdade, somos tão ágeis ao lidar e encontrar nosso caminho pelos espaços da informação que nos tornamos modestos demais. Nossa flexibilidade ante cada pedido dos clientes é geralmente incrível. Como bibliotecária da área médica, eu tenho um pé nos dois mundos: biblioteconomia e medicina (na verdade, eu poderia adicionar marketing e educação e outras áreas nessa afirmação). Bibliotecários são muito flexíveis; na verdade, flexibilidade é uma chave para a nossa utilidade e relevância futuras. Usuários de bibliotecas ficam frequentemente assustados com a quantidade de informação que um bom bibliotecário tem em sua mente. (ex. “Sabendo do projeto em que você está trabalhando, eu vi este artigo e imaginei que poderia lhe interessar”).

Atitudes dos usuários

A aceitação de um agente por um usuário é algo bastante singular e baseado em preferências pessoais, níveis de habilidade, e experiências anteriores com um agente. Usuários têm vários níveis de habilidade. Muitos preferem delegar a maior parte das tarefas de pesquisa de informação para um bibliotecário; alguns preferem procurar sozinhos. Alguns usuários nunca vão se sentir confortáveis com os resultados que um software lhe oferece; outros usuários preferem lidar com computadores a lidar com pessoas. Alguns usuários superestimam suas habilidades tecnológicas e alguns são uns antiquados que sentem faltam do catálogo de cartões com suas chamadas em papel. Alguns usuários necessitam de um toque humano, preferindo uma tempestade de idéias com um bibliotecário a lidar com um programa de computador literal. Quando uma pessoa tem uma boa experiência com um bibliotecário ou um software, esse usuário provavelmente vai usar este agente no futuro novamente.

Competência

Um bom bibliotecário é mais competente que um agente software no momento atual. Um bibliotecário realmente bom tem que se desenvolver por experiência e treinamento, assim como os agentes softwares fazem, mas o tempo de desenvolvimento de um agente humano é menor do que o de um software. Bibliotecários “custam” menos para serem instalados, e também para falarem. “Alugue” um, dê a ele ou ela cerca de um ano para se adaptar à velocidade da informação,e você tem um agente profissional que vai fornecer aos clientes informações relevantes. Uma vez instalados, no entanto, os bibliotecários são muito mais caros para manter e são mais lentos em seu trabalho do que os softwares. A comunidade de inteligência artificial está trabalhando para fazer agentes softwares mais ágeis e competentes. É apenas uma questão de tempo até que a inteligência artificial tenha instalações completamente apropriadas para realizar tarefas de baixo nível de referência de bibliotecários.

O futuro: Colaboração

Aqueles de nós que trabalham em bibliotecas têm ouvido falar das duas teorias: o bibliotecário humano é obsoleto – refere-se à “Teoria da Redundância” de Hathorn (1997) – e o outro extremo: esse é o momento do bibliotecário agarrar o anel de metal (internet) e fazer nossa organização mágica da sobrecarga de informação existente. Hathorn chama isso de “Teoria dos Mestres do Universo”. Na minha opinião, isso não vai chegar a nenhum dos extremos, apesar da ameaça da obsolescência ser real se nós bibliotecários não começarmos a fazer marketing das nossas imagens e lidarmos com elas. Um futuro lógico da informação vai incluir bibliotecários humanos e agentes softwares inteligentes. Já que uma inteligência artificial genérica real não está ainda à vista, um futuro de colaboração faz mais sentido. Agentes softwares podem automatizar algumas das mais tediosas e repetitivas tarefas e bibliotecários podem ficar livres para fazer o que fazem de melhor; orientar os usuários no labirinto até a melhor informação para aquela necessidade particular dele.

“Ao invés de ver agentes humanos e softwares como competidores, disputando o mesmo lugar no nosso mundo, o caminho mais sábio é potencializar os pontos fortes de cada um, deliberadamente delineando práticas de trabalho e acordos institucionais que reflitam e explorem a possibilidade de colaboração entre agentes humanos e softwares”. (Nardi and O’Day, 1996, “What We Learned at the Library,” p. 83)

Exemplos dessa colaboração incluem os cenários abaixo:

Mediação entre pesquisador e informação:

• Assistência com base de dados e seleção de sites da internet;
• Pesquisa e retorno automáticos – baseados nas perguntas dos usuários – da internet, bases de dados online, e/ou depósitos de informações comuns;
• Assistência com estruturação de questionamentos (ex. Ajustando termos dos usuários a vocabulários controlados, subtítulos, e termos de thesaurus, sugerindo termos e conceitos semelhantes) ;
• Assistência com modificações de estratégias;
• Assistência com a interpretação e seleção dos resultados.

Referência virtual / automática:

• Bom para serviço de referência 24hs;
• Útil para prestar serviço a usuários de bibliotecas distantes geograficamente;
• Útil para usuários que não tenham possibilidades físicas ou não queiram ir à biblioteca pessoalmente;
• Fornece a criação e apresentação de contextos sensíveis e automáticos de perguntas frequentemente feitas sobre referências;
• Tutoriais orientados (ex. Pesquisa em base de dados, aprendendo e usando aplicativos); e,
• Indexando e resumindo; designando termos de indexação (combinação automática a tesaurus e vocabulários controlados) e resumindo (identificando frases-chaves).

Automatizando processos seqüenciados:

• Recomendação de títulos para aquisição;
• Atualizando bases de dados quando os títulos mudam ou acabam;
• Identificando algumas seqüências que estão faltando e fazendo reivindicações; e;
• Processando estatísticas e gerando relatórios.

Processando empréstimos entre bibliotecas:

• Identificando as melhores fontes para os documentos requeridos;
• Encaminhando documentos de requerimento para a fonte;
• Atualizando e notificando o pessoal da entrega do documento sobre o andamento de requerimentos em aberto;
• Arquivando requerimentos terminados; e;
• Gerando relatórios (ex. estatísticas sobre a entrega de documentos).
Aquisições:
• Recomendando aquisições baseadas em orçamento, análises, tamanho e tipo da instituição, histórico de compras e rejeições etc;
• Missão de encontrar vendedores para os itens selecionados para aquisição;
• Automatização do catálogo de cópias (e ser capaz de lidar com diversos formatos); e;
• Função de aconselhamento para a catalogação humana (ex. assegurando o cumprimento de regras, eliminando duplicidades, identificação automática dos principais termos de lançamentos, catalogando tutoriais).
Circulação:
• Checando itens determinados para usuários;
• Gerando avisos de atraso;
• Processando renovações;
• Gerando estatísticas e relatórios de circulação; e;
• Gerando faturas para materiais perdidos ou em atraso.

Bibliotecas digitais:

• Indexando e classificando documentos; pesquisando e retornando documentos.
Reunindo e selecionando informações pessoais:
• Serviços personalizados de conhecimento atual;
• Pesquisa automática e personalizada (às vezes em cooperação com outros agentes especializados no assunto);
• Geração de jornais pessoais e web sites (ex. MyYahoo!);
• Ferramentas de pesquisa personalizadas;
• Programas de filtragem e seleção de e-mails;
• Recomendações de itens e sites de interesse pessoal; e;
• Tradução de documentos para outras línguas (Zick, 1999).

Conclusão

Bibliotecários estão pensando bastante sobre o futuro da biblioteconomia. Estamos sendo redundantes? Podemos ser substituídos por sistemas inteligentes? O que temos a oferecer que as máquinas não podem reproduzir? Um artigo sobre esse assunto sugere o que vem abaixo como “Características fundamentais do novo profissional da informação” :

• Orientar-se frente a um futuro incerto
• Colaborar
• Priorizar e manter agilidade e flexibilidade frente a objetivos mutáveis
• Delegar
• Entender as capacidades centrais da organização de alguém, de um grupo de trabalho, e dos colegas (Griffiths,1998, p.8)

Essas sugestões são quase idênticas aos objetivos do desenvolvimento dos agentes softwares inteligentes: evitar a ambigüidade, colaboração entre agentes, dar poder ao usuário, e a personalização da informação para um usuário em particular. Bibliotecários e agentes softwares inteligentes devem trabalhar juntos para equilibrar eficientemente suas cargas de trabalho da maneira mais otimizada possível para um usuário em particular e dentro do contexto específico desse usuário. Bibliotecários precisam resistir a ficar na defensiva sobre nossos empregos e nossos valores e nos concentrar em quais tecnologias e quais métodos fazem mais sentido para nossos clientes. Uma vez que decidimos acerca desses métodos, precisamos fazer o nosso trabalho da melhor forma possível para obter essas tecnologias, instruir nossos usuários como eles precisam ser instruídos, distribuir o conteúdo de melhor qualidade possível através dos nossos métodos. Se algum bibliotecário antiquado precisar atualizar suas habilidades, que o faça.

Visões otimistas demais do futuro devem ser evitadas. A promessa de soluções fáceis baseadas em novas tecnologias deve ser baseada em fatos e comprovadas, não apenas baseadas em leituras entusiasmadas de um tecnófilo. Quem fez o trabalho não é tão importante quanto o fato de que o trabalho foi feito da melhor forma para o cliente.

“Bibliotecários estão se tornando mais importantes nesse universo centrado na informação. Agentes inteligentes podem atuar como catalisadores para elevar o papel dos bibliotecários como a aurora do próximo século, anunciando um renascimento na ciência da informação e biblioteconomia. Bibliotecários já estão representando novos papéis como fornecedores de conteúdos, estrategistas de pesquisas, catalogadores digitais e mecânicos da informação. Esses papéis vão se ampliar, e novas oportunidades vão surgir, com o desenvolvimento dos verdadeiros “agentes inteligentes” que se constróem através da experiência de bibliotecários e profissionais da informação.” (Valauskas, 1997)

Nossos usuários estão mais e mais sobrecarregados todos os dias e apenas uma abordagem conectiva entre práticas de trabalho inteligentes vai ser mais útil para eles.

Sobre a autora

Laura Zick é uma bibliotecária especializada na área médica e ciência da computação no Programa de Treinamento de Bibliotecas da área médica e informática do Clarian Health Partners, Inc. in Indianapolis, Indiana. Ela obteve o título de mestra de ciência da informação pela Universidade de Indiana e é membro da Academia de Profissionais da informação de saúde, da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, e muitas organizações profissionais. Seus interesses de pesquisa incluem aqueles assuntos de informática e medicina como medicina baseada em evidências, inteligência artificial na medicina, os comportamentos de profissionais da área da saúde na busca da informação… todos com o objetivo final de trazer inteligentemente, eficientemente e plenamente informações baseadas em conhecimentos da melhor qualidade para as atender as necessidades dos clínicos.

E-mail: laura@dochzi.com
Web: http://www.dochzi.com/

Original: http://www.firstmonday.org/issues/issue5_5/zick/

Traduzido e publicado com autorização da autora
Translated and published with permission of the author

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O que é necessário para educar os futuros bibliotecários digitais: um estudo da prática atual e dos staff parterns em bibliotecas universitárias e de pesquisa

Posted November 8th, 2006 in Ensaio by ExtraLibris

um estudo da prática atual e dos staff parterns em bibliotecas universitárias e de pesquisa .

YOUNGOK CHOI e EDIE RASMUSSEN

1. Introdução

Bibliotecas digitais são um conceito emergente, já que as bibliotecas de hoje routineiramente provém informação e serviços de forma digital. Como a natureza e o papel das bibliotecas tem mudado no que diz respeito ao novo ambiente digital, novas aplicações e serviços tem sido desenvolvidos. Muitos profissionais liberais tem reportado essas mudanças no campo de trabalho digital. (Association of Research Libraries, 2000; Croneis and Henderson, 2002; Stoffle, et al., 2003).

Bibliotecas digitais tem características únicas que a diferem das bibliotecas tradicionais e suas abordagens de provisão de informação. A visão evolucionária de bibliotecas digitais tem sido (endereçada ou encaminhada) por profissionais liberais das áreas de biblioteconomia e informação(Borgman, 1999; Digital Library Federation, 1998). Do ponto de vista de um bibliotecário tradicional, as bibliotecas digitais apresentam um modelo tranformativo em larga escala, organização usuário-cêntrica* que está caminhando para uma forma integrada com vários componentes(ver Figura 1). Todavia, o propósito principal das bibliotecas digitais permanece consistente com aqueles propósitos das bibliotecas tradicionais, que são organizar, distribuir e preservar fontes de informação.

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Figura 1: Definição de uma Biblioteca Digital baseada em uma Prática de Comunidade.

Incrementar prioridades para alinhar as aplicações de bibliotecas digitais(BD) com coleções e serviços de bibliotecas tradicionais requer uma equipe com novas competências que agreguem outra dimensão à prática da biblioteca. Muitos pesquisadores(como Chowdhury and Chowdhury, 2003; Tanner, 2001) tem descrito funções de bibliotecários digitais, e sugerido competências essenciais e habilidades necessárias para atuar nessas funções. Agora, em adição ao seus conhecimentos e habilidades de bibliotecas tradicionais, exige-se de muitos dos profissionais bibliotecários de hoje que possuam conhecimento e habilidade adicional requerida para trabalhar com o mundo da informação digital. Os bibliotecários são portanto confrontados com o desafio de adquirir conhecimento avançado e habilidade para aumentar o que eles tradicionalmente aprenderem, e para fazer isso enquanto ao mesmo tempo há uma escassez de um grupo experiente na biblioteca.(Tennant, 2002). Como uma consequência, educar bibliotecários digitais que sejam competentes para trabalhar no dinâmico e complexo ambiente digital tem se tornado uma alta prioridade.

Um importante passo em lidar com essas necessidades é desenhar programas educacionais apropriados para preparar os futuros bibliotecários digitais para o lugar de trabalho. Para desenhar esses programas, nós precisamos entender a equipe de parceiros na prática da biblioteca digital, as atividades e tarefas nas quais os atuais praticantes no desenvolvimento das BD estão envolvidos, e as habilidades práticas que ajudam efetivamente a função desses praticantes. O estudo descrito neste artigo contribui para o desenvolvimento da educação para os bibliotecários digitais no tocante àquele primeiro importante passo.

Os objetivos do estudo foram:
• Entender as parcerias nas áreas da biblioteca digital,
• Identificar atividades críticas dos bibliotecários digitais,
• Determinar habilidades e conhecimentos requeridos para bibliotecários digitais, e
• Buscar feedback na preparação de estudantes para a biblioteconomia digital.

2. Método

Para identificar a variedade de atividades nas quais bibliotecários digitais estão engajados, nós empregados um método investigativo. A investigação foi distribuída para 123 diretores de bibliotecas que são membros da Associação de Bibliotecas de Pesquisa(Association of Research Libraries – ARL). Nós requisitamos aos diretores que repassassem nosso questionários investigativo para os atuais praticantes em suas bibliotecas que estavam envolvidos em projetos de digitalização ou projetos de biblioteca digital durante o período de setembro a dezembro de 2005.

O questionário definiu um “bibliotecário digital”como alguém que é responsável por e está envolvido em projetos baseados em tecnologia para fornecer fontes de informação digital em áreas de serviço não-pública(Croneis and Henderson, 2002).

A informação coletada no questionário incluiu informação demográfica(como idade, gênero, e formação educacional), título e responsabilidades do emprego atuai, histórico do trabalho, preparação acadêmica para a posição, percepção da importância dos conhecimentos e habilidade na atuação do seu trabalho, e sugestões sobre programas de educação e treinamento.

O total de respostas coletadas foi 48, de 39 bibliotecas.

3. Resultados

3.1 Demografia

41 das respostas(85%) identificavam-se como profissionais bibliotec[arios, cinco respondentes(10%) eram paraprofissionais, e dois(4%) não eram nem bibliotecários nem paraprofissionais, com títulos de “diretor associado” e “diretor para programas de biblioteca digital”. Dos 48 respondentes, 37(77%) tem um título de mestrado ou doutorado em Biblioteconomia e Ciência da Informação, e 7(15%) tem uma formação acadêmica em ciência da computação, engenharia, ou gestão tecnológica da informação. Houve pouca mais mulheres(27, 56%) que homens(21, 44%) entre os respondentes(veja tabela 1). Um terço dos respondentes tinha seus trinta anos.

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Entre os 41 respondentes que são profissionais bibliotecários, 18(43,9%) tem um relativo curto período de experiência como profissional(tabela 2). Experiência de trabalho prévia em bibliotecas variaram de bibliotecário de referência para um bibliotecário de mídia para um bibliotecário de serviços de dados até um bibliotecário digital. As áreas de experiência prévia mais frequentemente mencionadas foram serviços de referência(16), coleções especiais/arquivos(13), sistemas(11), e catalogação(9). Alguns respondentes adquiriram experiência fora das bibliotecas, como analistas de sistemas, desenvolvedores de softwares, e desenvolvedor de sites web.

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3.2 A Posição do Bibliotecário Digital

Título da Posição

Dois outros estudos sobre lugar de trabalho revelaram a alta demanda por novos profissionais para liderar os esforços da biblioteca digital nas bibliotecas tradicionais(Association of Research libraries, 2000; Croneis and Henderson, 2002). Os resultados da nossa pesquisa sugerem que esta tendência continua. A posição de mais da metade dos respondentes(29, 60,4%) tem o termo “digital” em seu título ou aquele do seu departamento. Exemplos são “Bibliotecário de Iniciativas Digitais(Coordenador ou Gestor), “Gestor de Projetos Digitais”, “Diretor de Desenvolvimento de Biblioteca Digital”, ou “Chefe do Departamento de projeto Digital”. Entre esses respondentes, 18 (64,3%) conseguiram sua atual posição há menos de 3 anos, enquanto um terço tem estado na posição por mais de 3 anos(tabela 3). O crescente número de profissionais dedicados a bibliotecas digitais reflete um local de trabalho que necessita de bibliotecários digitais para prover liderança e coordenação em uma bem sucedida transformação de serviços de biblioteca em bibliotecas digitais.

Títulos como “Diretor de Programas Digital e de Preservação”, “Chefe de Iniciativas Digitais e Coleções Especiais” e “Bibliotecário de Digitalização” também refletem os esforços atuais em bibliotecas digitais que estão relacionados à iniciativas por preservação e acesso a fontes primárias(Dalbello, 2004; Lynch, 2003). Outros títulos incluem “Bibliotecários de Metadados”, “Bibliotecário de Dados”, “Bibliotecário Reformatting Preservação”, “Especialista em Imagens Digitais” e “Bibliotecário de Desenvolvimento de Tecnologias Digitais”.

Cerca de 40% dos respondentes envolveram-se em trabalhos em biblioteca digital vindos de outras áreas funcionais, como serviços técnicos de catalogação e periódicos, gestão de coleções, coleções especiais e áreas de preservação, entre outras. Está claro que o design, desenvolvimento e gestão da biblioteca digital requer esforço colaborativo da equipe em diferentes áreas funcionais com os bibliotecários.

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Principais Atividades/Tarefas

Foi solicitado aos participantes que fizessem exposições sobre as responsabilidades do seu trabalho. Das respostas dos 46 participantes que forneceram essa informação, 274 responsabilidades específicas foram coletadas, e elas foram analisadas individualmente e agrupadas em seis amplas categorias: “Gestão”, “Tecnologia”, “Processamento”, “Biblioteca Digital”, “Coleção e Fontes”, e “Outra”.

Responsabilidades na categoria “Gestão” foram as mais frequentemente mencionadas, com quase metade(45,99%) das responsabilidades identificadas caindo nesta área. O resultado dessa investigação está de acordo com os estudos prévios que dizem que os anúncios de emprego digital enfatizam responsabilidades administrativas(Croneis and Henderson, 2002). Responsabilidade com políticas e procedimentos, colaboração, supervisão, concessões e planejamento foram mencionadas por mais de 20 por cento dos participantes. Apenas 15 por cento das responsabilidades identificadas foi agrupado na catagoria de “Tecnologia”.

As responsabilidades em cada categoria estão como se segue:

• Gestão (45.99%)
• Liderança, políticas e procedimentos, colaboração, planejamento, supervisão, gestão de recursos, gestão de projeto, concessões, representação.


• Biblioteca Digital (17.14%)

• Projetos/Iniciativas Digitais, Padrões/Práticas Técnicas, design, desenvolvimento e implantação, preservação digital, organização, repositório digital, aspectos de conteúdo digital.

• Tecnologia (15.71%)
• Websites, digitalização/conversão, suporte técnico, manutenção/administração de sistemas, conversão de dados, análise/teste de sistemas, desenvolvimento de softwares de código aberto, testes de usabilidade, interoperabilidade, tecnologia de biblioteca digital.

• Processamento (8.57%)
• Metadados, mecanismos de recuperação e acesso(registros bibliográficos, auxílio a buscas, EAD, registros MARC), controle de qualidade, bases de dados.

• Coleção e Fontes (7.14%)
• Desenvolvimento de coleções, gestão de coleções, gestão da preservação/registro, recursos online.

• Outros (6.43%)
• Treinamento de instrução/equipe, serviços de referência/públicos, liaison, atividades profissionais, estudos de usuários.

As responsabilidades mais frequentemente mencionadas pelos 46 respondentes foram tarefas relativas a Websites(35% dos participantes), políticas e procedimentos(28%), colaboração(28%), supervisão(26%), responsabilidade global por projetos/iniciativas digitais(26%), monitoramento de padrões técnicos e práticas(21,7%), e escrever e administrar concessões(21,7%).

Habilidades e Conhecimentos Necessários

Foi solicitado aos participantes que ranqueassem a importância das qualidades e dos conhecimentos na atuação de seus trabalhos em três áreas(técnica, relacionadas à biblioteca tradicional, e outras habilidades), com 23 sub-áreas em uma escala de Likert de 5 pontos. As cinco opções mais rankeadas entre todas as sub-área foram habilidades interpessoais e de comunicação(com 4.60), habilidades de gestão/liderança de projeto(4.56), entendimento de arquitetura e software de biblioteca digital(4.52), conhecimento das demandas dos usuários(4.42), e conhecimento de técnicas e padrões de qualidade(4.33).

Os pontos mais escolhidos por cada área estão mostrados na Tabela 4.

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Esses resultados confirmam a importância contínua das habilidades de comunicação, gestão de projetos, e de liderança de equipes idenficadas em estudo Delphi de bibliotecários universitários (Feret and Marcineck, 1999).Poderia ser notado que a definição de “bibliotecário digital”dada nesta investigação foi limitada a áreas de serviço não-públicas. Portanto, os pontos dados para algumas sub-áreas de conhecimento e habilidades, como serviço de referêncio e habilidade de ensino e apresentação podem ter sido ranqueadas diferentemente por profissionais que trabalham em áreas de serviço público.

Cursos Educacionais dando suporte ao Trabalho Atual

Foi solicitado aos participantes que indicassem os cursos mais relevantes/valiosos que eles fizeram em um escola de Biblioteconomia e Ciência da Informação para atuar em seus atuais trabalhos. 21 participantes responderam a esta questão. Vários cursos foram mencionados, variando de catalogação até estágio. Os cursos mais mencionados foram nas áreas de catalogação, desenvolvimento e gestão de coleções(fontes eletrônicas), análise de sistemas, e tecnologia da informação. “Bibliotecas Digitais” foram mencionadas como nome de curso apenas uma vez.

3.3 Treinando aberturas e pensamentos na Educação de Bibliotecas Digitais

A pesquisa também pediu que os participantes descrevessem os aspectos de sua posição aos quais eles se sentiam menos preparados. Trinta e quatro participantes identificaram áreas para as quais sua educação e treinamento não os preparou adequadamente. As tarefas mais frequentemente mencionadas foram as relativas a aspectos técnicos. São elas:

• Entendimento geral do complexo sistema de software,
• Falta de vocabulário para se comunicar com o pessoal da área técnica,
• Conhecimento de linguagens e tecnologias relativas à Web,
• Web design,
• Formatação e imagem digital,
• Tecnologia digital,
• Linguagens de programação e scripts,
• Tecnologias e padrões XML, e
• Administração básica de sistemas.

Outras tarefas menos mencionadas incluem: entendimento geral de digitalização e aspectos da biblioteca digital, habilidades de gestão de projetos, gestão, administração, habilidades de supervisão, desenvolvimento de coleções, metadados, estruturas organizacionais, cultura de biblioteca, políticas de mudança, trabalho atual diário, e leis contratuais, negociações e licenciamento.

Muitos respondentes apontaram a importância da tendência de análise baseado na nova e dinâmica natureza das bibliotecas digitais. Eles fizeram os seguintes comentários:

“Eu simplesmente tive que fazer esforço par entender o trabalho através de leitura, workshops e aprendizagem no emprego”

“Muito tem mudado”

“Políticas de mudança para serem aplciadas na preservação digital”

“… de gestão a ‘você-nomeia-isso’”

Outros comentaram sobre o valor da experiência prática no local de trabalho e apontaram a falta de técnica atual e treinamento prático em seus cursos acadêmicos, que proveram mais discussão baseada em teoria que em prática.

Nós pedimos aos respondentes que dessem suas sugestões para educadores/escolas em cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação que pudessem ser agregados ao currículo de biblioteca digital. Respostas óbvias foram a necessidade de cursos que provessem ferramentas e técnicas para gestão de projetos, liderança de equipes, solicitação e administração de concessões, e cursos especificamente em bibliotecas digitais como: design de biblioteca digital, preservação digital, digitalização, e tecnologias digitais atuais como: OAI-PMH, padrões de metadados, XML, EAD (Encoded Archival Description), e TEI. Cursos em testes de usabilidade, interação humano-computador, web desing e aplicações, recuperação da informação, e catalogação também foram mencionados. Os tópicos sugeridos para os cursos enfatizaram um equilíbrio entre habilidades práticas e teóricas. Estas variaram de cursos relevantes para o trabalho no mundo real de bibliotecas digitais – com respeito a tecnologia e padroes, habilidades de negócios, questões de copyright, programação, estudos de usuário/ comunicação acadêmica – para cursos sobre a teoria de bibliotecas digitais, para ajudar no entendimento do grande quadro das várias aplicações da biblioteca digital.

4. Resumo e Conclusões

A seguir, um resumo dos resultados da nossa pesquisa:

• Enquanto há posições e unidades emergentes em relação a bibliotecas digitais, o ambiente de trabalho das bibliotecas digitais é colaborativo em áreas que variam de sistemas de computação até funções tradicionais de bibliotecas.

• Profissionais que trabalham nessas áreas tendem a ser jovens e são relativamente recém graduados. Já que muitas bibliotecas eventualmente serão transformadas em bibliotecas digitais, e vão requerer profissionais educados nesta área, os empregos nas bibliotecas digitais serão mais atrativos para a próxima geração de bibliotecários.

• As principais tarefas nas quais os bibliotecários digitais estão envolvidos incluem gestão, liderança, e tarefas relacionadas a website. Tarefas de gestão enfatizam planejamento e supervisão de projetos de bibliotecas digitais, enquanto provimento de liderança e experiência áreas de bibliotecas digitais contendo elementos de colaboração com outros membros da equipe da biblioteca e com usuários. Análise de tendências, como o monitoramento da prática e padrões das atuais bibliotecas digitais, é crítica nesses empregos.

• Os resultados da pesquisa confirmam o alto valor de habilidades sofisticadas necessitadas ma biblioteconomia digital. Devido à ênfase em projetos colaborativos e de equipes, os atuais bibliotecários digitais consideraram habilidades de comunicação e habilidades de gestão de projetos muito importantes na atuação de suas funções. Como a natureza das bibliotecas digitais está mudando constantemente, bibliotecários digitais devem estar hábeis para se adaptar a mudança e continuar a aprender.

• A necessidade de educação em BD apresenta dois aspectos principais: um é a necessidade de enfatizar habilidades e competências, como habilidades de comunicação e análises de tendências; o outro se encaminha para a necessidade futura de desenvolver habilidades técnicas e de informação para entendimento prático e operacional de bibliotecas digitais.

Claramente, as bibliotecas digitais são o futuro das instituições universitárias e de pesquisas, e os profissionais digitais serão requeridos a ter mais amplitude e profundidade de conhecimento e habilidades entre as dimensões do conhecimento tradicional de biblioteca, tecnologia e relações humanas. Por causa da complexidade das bibliotecas digitais e dos projetos de biblioteca digital, os programas de educação profissional para bibliotecários digitais deveriam prover não somente habilidades técnicas e treinamento tradicional de biblioteca, mas também deveria dar lugar a uma maior ênfase em gestão, incluindo habilidades de gestão de projetos através da experiência prática de um projeto digital. Em adição às habilidades técnicas, profissionais bibliotecários precisam desenvolver fortes habilidades de interpessoalidade e de trabalho em equipe. Baseado nesta pesquisa, isso mostra que a educação em Biblioteconomia e Ciência da Informação precisa prestar atenção à educação extra em interpessoalidade e comunicação e integração de habilidade práticas e experiência com gestão de coleções digitais e tecnologias digitais no currículo.

Nossa pesquisa foi limitada a bibliotecários digitais em áreas de serviço não-pública em bibliotecas universitárias e de pesquisa. A condução de uma pesquisa similar em outros tipos de instituições e funções, como organizações de herança cultural e profissionais em áreas de serviço público, seria importante para confirmar nossos achados. Isso poderia também ser desejável para conduzir um estudo similar em partes individuais de uma estrutura de biblioteca digital para entender as similaridades entre elas com respeito às habilidades e conhecimentos requeridos. Pela condução de tal estudo, nós poderiamos posteriormente indentificar competências essenciais necessárias para bibliotecários digitais, e aprender com a prática da biblioteca digital existente para melhorar a educação dos futuros profissionais da informação.

5. Reconhecimento

Este estudo foi patrocinado por uma concessão de pesquisa da Associação de Educação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Os autores expressam sincero apreço a estes bibliotecários digitais que gastaram seu tempo para participar na pesquisa.

Referências

Association of Research Libraries, SPEC Kit 256: Changing Roles of library professionals. Janice Simmons-Welburn. May 2000.

Borgman, C.L. (1999). What are digital libraries? Competing visions. Information Processing & Management, 35: 227-243.

Chowdhury, G. G. and Chowdhury, S. Introduction to Digital Libraries. Facet publishing; London. 2003.

Croneis, K.S. and Henderson, P. (2002). Electronic and digital librarian positions: A content analysis of announcements from 1990 through 2000. Journal of Academic Librarianship, 28(4): 232-237.

Dalbello, M. (2004). Institutional shaping of cultural memory: Digital library as environment for textual transmission. Library Quarterly, 74(3), 265-298.

Digital Library Federation (1998), A working definition of digital library, retrieved January 16, 2006, from .

Feret, B., Marcinek, M. (1999). The future of the academic library and the academic librarian: a Delphi study. Librarian Career Development, 7(10), 91-107.

Lynch, C. (2003). Colliding with the real world: Heresies and unexplored questions about audience, economics, and control of digital libraries. In A. P. Bishop, N. A. Van House, & B. P. Buttenfield (Eds), Digital library use: Social practice in design and evaluation (pp. 191-216). Cambridge, MA: MIT Press.

Stoffle, et al. (2003). Continuing to build the future: Academic libraries and their challenges. Portal: Libraries and the Academy, 3(3). 363-380.

Tanner, S. (2001). Librarians in the digital age: Planning digitization projects. Program, 35 (4): 327-337.

Tennant, R. (2002). Digital libraries: The digital librarian shortage. Library Journal, March 15, 2002.

Original: http://www.dlib.org/dlib/september06/choi/09choi.html

Traduzido e publicado com autorização dos autores.
Translated and published with permission of the authors.

Traduzido por Gustavo Henn e Geysa Flávia Câmara.